Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2013

O que é um processo de adopção?

o que é um processo de adopção?

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Há coisas que me irritam, coisas para as que não tenho paciência.... tenho por norma tentar não falar daquilo que não sei, se alguma coisa me interessa vou ao Google e procuro, por principio não discuto o que não domino e claro, quando acho que tenho razão, não me calo e defendo o meu ponto de vista até à exaustão... a dos outros, que eu tenho que ficar sempre com a última palavra.

 

Uma das coisas que me irrita profundamente é ler uma e outra vez o seguinte: "Eu gostava muito de adoptar, mas os processos são tão complicados e burocráticos" A sério, fico mesmo irritado, houve uma altura em que deixava sempre um comentário, já fosse num blogue ou num site qualquer... cheguei a escrever mails a jornalistas a explicar como é um processo de adopção e como é simples.... sim, simples... 

 

Na verdade um processo de avaliação não tem nada de burocrático ou de complicado, são duas entrevistas com assistentes sociais e psicólogas, e uma visita domiciliária... querem coisa mais simples que isto?... agora também há a formação, são 3 ou 4 sessões a ouvir falar do processo e de casos de adopção. Se a segurança social cumprir os prazos e não usar desculpas esfarrapadas, isto não demora mais que seis meses.. simples e sem burocracias nenhumas.

 

Na realidade as pessoas confundem a avaliação com a espera pela criança.. o mais complicado de tudo isto é saber gerir a espera... há quem após ser avaliado espere semanas, há quem espere meses, há quem espere anos... mas de novo isto não tem nada a ver com burocracias.. isto só tem a ver com as expectativas e desejos de cada um...

 

Há quem não tenha grandes desejos e expectativas e tenha as crianças à sua espera... sim, porque como vimos há uns dias neste post, há crianças à espera...são mais de quinhentas... e há quem consiga descrever o filho que quer com tal luxo de detalhes que este nunca aparece... e passam os anos e as pessoas estão à espera.... e claro, há que deitar a culpa a alguém... as ditas complicações e burocracias...

 

Todos lemos aquela carta daquela criança e temos muita pena dela... mas apesar de que o post foi divulgado por tudo o que é site de adopção deste país.. no fim contam-se pelos dedos de uma mão as pessoas que se mostraram interessadas ... e algumas ainda nem eram candidatos.

 

O verdadeiro problema é que em há em Portugal muitos mais candidatos à adopção que crianças para adoptar... e a segurança social não faz milagres ... nem pode ir comprar crianças branquinhas e perfeitinhas para as entregar a quem espera... não, eles tem que esperar que elas nasçam e sejam abandonadas ou retiradas à família... e felizmente isso não acontece muito...

 

Por favor, quer mesmo adoptar?  Informe-se, pergunte, mas não deite a culpa para coisas que não existem.... e tente não ser muito exigente, porque uma criança é sempre uma criança e nós é que temos que a conquistar e aprender a amar.

 

Por certo, o processo de adopção é aquele que corre no tribunal após recebermos a criança e que serve para dizer que para todos os efeitos legais e morais, passamos a ser pais dela.

 

Jorge Soares

 

Do Blog O que é o Jantar?

publicado por Jorge Soares às 13:30
link | favorito
De Nina Alves a 18 de Janeiro de 2014 às 22:04
Sr Jorge Soares,

Como o senhor, eu também não gosto de expressar opinião sobre algo que não domino. Se me interessar pesquiso de modo a, mais tarde, poder mostrar e defender a minha opinião. Também à semelhança do que referiu, após ter o meu julgamento, defendo-o avidamente.
Acontece que no caso da adopção, o meu domínio é considerável. Pelo menos a nível teórico. Isto porquê?! Pois bem, desejo adoptar desde os meus 12 anos. Estranho?! Talvez. Motivos? Muitos e nenhum em concreto.
Devido a este desejo acompanho e pesquiso sobre o assunto desde, pelo menos, os 14 anos. Acompanhei mudanças de leis, com muita expectativa. Com a ideia de que "quando chegar à minha vez, será mais fácil e mais célere". Neste momento, com 27 anos, a ideia mantém-se e a vontade não diminuiu nem creio que diminuirá. As pesquisas continuam. Espero que esteja para breve a possibilidade de a concretizar. Terei de esperar até aos 30, pois quero adoptar como individual. Terei de esperar que alguns projectos se concluam e depois, venha a guerra!

Sim, eu estou mentalmente preparada para a espera e para lutar.

Isto não invalida que considere alguns dos factos que apontou sejam falaciosos. Porque é verdade que quem quer adoptar o faz, independentemente de tudo e todos. No entanto, as crianças esperam anos a fio em instituições e não inteiramente por culpa dos candidatos a adoptantes. A nossa lei é uma das melhores, na minha opinião. Já há muito tempo que percebi que neste caso, como em muitos outros, o problema está na mentalidade. Ainda se luta, anos e anos, para devolver crianças a pais que nunca o deveriam ter sido. Ainda se coloca a genética à frente do supremo interesse da criança.
É impensável, para mim, aceitar que mais de 80% das crianças institucionalizadas não sejam colocadas em situação de adoptabilidade.

Lamento ter de discordar, no entanto, se perdêssemos menos tempo a tentar devolver estas crianças a ambientes dos quais foram retiradas (penso que por uma razão válida, na maioria dos casos) ou a pais que as abandonaram (ou entregaram a instituições) muitas mais crianças seriam atempadamente adoptadas. T

Já vi, também aqui, a defenderem FATs (Famílias de Acolhimento Temporário). A meu ver o mesmo não faz sentido, em fase transitória. Porquê?! Simples, a nível psicológico é mais traumatizante para a criança criar laços com uma família para depois ser alterada. Falo, mais uma vez, como alguém que tem conhecimento (estudei psicologia infantil).

Tornemos mais céleres os processos de adoptabilidade, com isso, aceleraremos os de adopção e minimizaremos o tempo de institucionalização. Famílias de acolhimento?! Sim, para as crianças que não podem ter uma adopção plena. Estas também merecem conhecer uma vida familiar. Mas não vamos fazer, como nos EUA, em que a adopção é um processo traumatizante (na maioria dos casos) por terem crianças a saltar entre famílias de acolhimento.

Cumprimentos a todos
De Jorge Soares a 18 de Janeiro de 2014 às 22:39
Nina

Tive que ir ler o meu post outra vez, porque depois de ler o teu comentário, fiquei na duvida sobre o que teria escrito que estivesse contra o que dizes.

Concordo a 100% com tudo o que dizes,mas não encontro a contradição com aquilo que eu escrevi....

E sobre as Famílias de acolhimento, a discussão não é tão simples, ambos sabemos que há crianças que nunca irão para adopção, entre as mais de 8000 que estão institucionalizadas a grande maioria irá crescer encerrada nas instituições, com tudo o de bom e de mau lá existe.

Eu sei que o ideal era mesmo que todas as crianças fossem para adopção, não defendo nem nunca defenderei a primazia do biológico nem as milhentas oportunidades que os juízes dão a pais biológicos que em 99% dos casos não mudam.. , mas a realidade é que há muitas crianças que só conhecerão o amor de um lar se foram para acolhimento temporário.

De resto dou-te os parabéns pelo teu interesse e pela forma apaixonada como pareces olhar para um assunto que é tantas vezes maltratado

Por favor não te esqueças que o que eu escrevo aqui são só as minhas opiniões e não sou nem pretendo ser dono da verdade, é da troca de ideias que nasce o conhecimento, e as tuas ideias e opiniões são muito bem vindas.

Jorge Soares
De Nina Alves a 18 de Janeiro de 2014 às 23:13
Desde já agradeço, Jorge

E quero, primeiramente, esclarecer um ponto. Em momento algum considerarei que se julgasse dono da verdade, pelo contrário. Já há alguns anos que a minha postura é a de só comentar algum em dois casos:
-quando me parece obviamente absurdo e impossível de me calar (se fosse o caso notaria)
-quando penso que a pessoa tem abertura para entender e considerar a informação (é o seu caso)

Os pontos com os quais discordei foram os seguintes:

"O verdadeiro problema é que em há em Portugal muitos mais candidatos à adopção que crianças para adoptar... e a segurança social não faz milagres ... nem pode ir comprar crianças branquinhas e perfeitinhas para as entregar a quem espera... não, eles tem que esperar que elas nasçam e sejam abandonadas ou retiradas à família... e felizmente isso não acontece muito..."

Discordo ao nível da intensidade, não do conteúdo. Ou seja, é um problema sim mas não o central. O central, a meu ver, é o que apresentei.

e

"Há quem não tenha grandes desejos e expectativas e tenha as crianças à sua espera... sim, porque como vimos há uns dias neste post, há crianças à espera...são mais de quinhentas..." Os números contam com todas as crianças institucionalizadas, o que o torna falacioso. Pois, como sabemos, as crianças adoptáveis não chegam a perfazer esse número (segundo as últimas informações que li)

Ao nível das famílias de acolhimento, compreendo e até concordo (a nível teórico) com a sua opinião. No entanto, pela experiência que tenho, acredito que os resultados seriam catastróficos para o bem estar emocional das crianças
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