Domingo, 20 de Setembro de 2009

Adopção:E o sonho vai morrendo

Adopção, e o sonho vai morrendo

 

Chamo-me Susana, somos um casal infértil jà hà 19 anos. Inscrevemo-nos na adopção em Março de 2004 para uma criança até 1 ano sem preferência de sexo, caucasiana, e sem problemas. Disseram-nos logo que era muto complicado, porque eu na altura tinha 34 anos e o meu marido 42 respectivamente.

 

Mesmo assim, passados 6 mêses o nosso processo estava concluido e estavamos aprovados para adoptar uma criança.


Desde essa altura e até 2008 a única palavra que tiveram conosco foi simplesmente uma carta que recebemos em 2006 a perguntarem se ainda estavamos interessados em mantermos o processo, obviamente que a resposta à carta foi afirmativa.


Em 2008 decidimos deslocarmo-nos à Segurança Social de Lisboa (minha área) para saber como estava a decorrer o nosso processo. Se quando me inscrevi a lista de espera estava em 4 a 5 anos, o que nos foi dito em 2008 é que as listas de espera estavam em 7 anos e que tinhamos que esperar, perguntei se podiamos alongar a idade da criança, foi-nos dito que não valia a pena, que quem espera 5 anos também espera mais 2.


Esperar...esperar...esperar...como se diz a um casal que espera 5 anos por um filho do coração para continuar a esperar? 


Em Maio fiz uma carta ao Director da Segurança Social a pedir resposta em relação ao nosso processo. A resposta foi a mesma...7 anos de espera para uma criança no distrito de Lisboa.


Estou a pensar fazer um mail, mas sinceramente não sei se vale a pena.


Neste momento tenho 39 anos e o meu marido 48. Muito provavelmente outros casais já passaram à nossa frente porque são mais jovens, mas quando nos inscrevemos também eramos jovens...


Passaram 5 anos e meio, não sei quantos mais terão que passar...não sei se quando fizer os 7 anos de espera a lista não sobe para os 10...não sei...só sei que desejamos muito um filho, temos um amor imenso para dar, e sei que está uma criança algures à espera do nosso amor, mas sem saber muito bem porque é que nos nos privam dessa oportunidade.


Susana Pina

A Susana é a autora do Blog Sonho ter um Filho

publicado por Missão Criança às 21:21
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19 comentários:
De sonhoterumfilho a 20 de Setembro de 2009 às 23:26
Obrigado Jorge por este post, e pelo convite que me fez, mas sabe, é que tenho escrito muito pouco sobre o meu processo de adopção porque sempre que escrevo alguma coisa vem sempre alguém que me diz que devo adoptar crianças mais velhas. Acho que isso tem a ver com o desejo e os critérios do casal, e custa-me imenso estar sempre a "ouvir" as mesmas acusações. Será que estou a pedir muito querer adoptar uma criança até um ano? Ou até 2 ou 3 se me tivessem aceite o alargamento da idade na altura? Quando geramos um filho, ele também não nasce com 6 anos ou com 10 ou 11...nunca fui mãe, quero passar por todas as experiências da maternidade, por todas as fazes da vida de uma criança, isso é pedir muito??? Porque é que têm as crianças anos e anos nas Instituições à espera da resolução da sua vida? Afinal de quem é a culpa? Dos casais que quwrem adoptar bebes? Mais uma vez a culpa recai sobre quem quer adoptar e não no sistema?
E porque é que alguns casais conseguem adoptar bebés? Porquê? Alguém me explica como se eu fosse "muito burra?"
Desculpe Jorge, mas sinto-me mesmo muito triste, desiludida e revoltada, infelimente cada vez vejo mais longe a realização do meu sonho .

Susana
De Patricia a 21 de Setembro de 2009 às 10:42
Susana

Não me leve a mal no que lhe vou dizer, mas um filho adoptado, não deve ser a substituição do filho que não se conseguiu gerar no seu próprio ventre. A adopção não deve ser uma via de recurso. O seu filho adoptivo merece muito mais do que ser uma SEGUNDA ESCOLHA. Por isso é que só consegue em pensar adoptar bebes ,caucasiano e sem problemas de saúde, porque o processo de adopção, está muito centrado em si e no seu eu, e no seu sonho. Claro que todos temos sonhos...mas também todos crescemos e amadurecemos e talvez esteja na altura de pensar no sonho-de-ter-umfilho, também na perspectiva de: sonho-de-ter-uma-mãe.
De Domi a 21 de Setembro de 2009 às 22:20
Olá Susana!

Eu compreendo perfeitamente o seu desejo de ser mãe e de passar por todas as fases do desenvolvimento de uma criança, quando as pessoas criticam essa questão da idade, raça e outras características acho que não deve ser visto como um ataque pessoal... porque não acho que seja isso.

Já se sabe há muito tempo que não há muitas crianças pequenas para adopção em Portugal, se as pessoas tivessem mais abertas à possibilidade de adoptar uma criança mais velha poderia acelerar o seu processo e seria mais uma chance de uma dessas crianças conseguir arranjar um lar, uma família.

Concordo um pouco com a Patricia quando ela diz que a maioria das pessoas quando só querem um bebé é porque a adopção está a ser vista como um recurso, uma segunda escolha e é uma opção feita com base no desejo de ser pai ou mãe e não de dar um lar a uma criança que não tenha.

Claro que cada casal é que faz as suas opções e têm lógica para o casal, não foi como ir às compras e decidir entre uma camisola azul ou rosa... foram características discutidas e ponderadas entre o casal. Têm todo o direito de saberem o que querem e de fazer essas "restrições", são vocês que vão adoptar e só vocês podem tomar essas decisões. Maaaaassss..... (há sempre um mas! LOL)

Mas, infelizmente a verdade é esta: não há bebés para toda a gente!!! E sendo assim, as pessoas deviam ser mais abertas para serem flexíveis com as suas pretenções.

Eu entendo que está farta de "ouvir" pessoas como eu a dizerem que deviam adoptar crianças mais velhas, ou de outra etnia, blá blá blá... mas "nós" também temos razão para dizer este tipo de coisas. Nem toda a gente vê a adopção como um recurso, pois quem não é infértil não consegue nunca saber realmente a dor que é. Eu pessoalmente vejo a adopção como um acto de amor, de uma pessoa ou um casal que quer dar um lar a uma criança que não tem. Nunca vi a adopção como um meio de ter uma criança porque físicamente não pode... e como as pessoas são todas diferentes existem então estas opiniões diferentes. Uns acham bem que os candidatos tenham uma escolha e outros não. Eu até acho que não deviam ter escolha nenhuma, cada casal devia ser avaliado no âmbito de descobrir que tipo de criança é que esse casal é capaz de criar e fazer propostas com base nisso.

Já estou a escrever demais... o ponto era: quando as pessoas dizem que devia adoptar uma criança mais velha não é um ataque pessoal (ou não devia ser) e não devia ficar frustrada nem chateada com esses comentários. Toda a gente tem alguma lógica para dizer o que dizem e acho que quando uma pessoa sugere que adopte uma criança mais velha, tanto é a pensar em si e no seu marido para acelerar os processos, como nas crianças todas que acabam por crescer em instituições e nunca chegam a saber o que é ter uma família que os ame e um lar para se sentirem seguros. Não se me fiz entender bem porque eu "falo" muuuuuuuito! Mas espero que tenha feito algum sentido para si ;)

Dominique
De Jorge Soares a 21 de Setembro de 2009 às 23:06
Olá

Este teu comentário dava um post...se calhar vai dar.

Para já, só quero comentar esta tua frase:
"Eu pessoalmente vejo a adopção como um acto de amor, de uma pessoa ou um casal que quer dar um lar a uma criança que não tem"

Na verdade, isto não é o que acontece com a grande maioria das pessoas que quer adoptar, a verdade é que as pessoas vão adoptar porque querem um filho, haverá excepções, mas as pessoas querem um filho, o facto de isso ir permitir que uma criança passe a ter uma família também é importante, é claro, mas o mais importante é termos um filho.

A adopção não é um acto de caridade, as crianças não são os coitadinhos que estavam sem pais e nós não somos os benfeitores... não tentes ver isso dessa forma, porque não corresponde À realidade.

A adopção é antes de mais um acto de egoísmo por parte de pessoas que na maior parte dos casos estão desesperadas por ter um filho, pessoas que sofrem durante anos porque não conseguem engravidar e que depois sofrem durante anos numa espera dura e revoltante.

Mas é necessário passar por isto para poder entender.
Jorge Soares
De Ana Dias a 22 de Setembro de 2009 às 17:16
É verdade! Só quem passa por isto é que consegue entender!
Anos e anos de sofrimento, sem ter um único filho, à espera que a S.Social se lembre de nós, depois de nós vermos tantos casais mais novos passarem-nos a frente e conseguirem adoptar crianças pequenas!
Deste lado, acreditem, não é nada fácil ter paciência...
Ana dias
De Dominique a 22 de Setembro de 2009 às 18:41
Pois é Jorge, eu concordo consigo quando diz que a realidade é que os adoptantes não são os benfeitores e as crianças não são as coitadinhas que não têm pais... Eu idealizo a adopção desta forma, porque eu quero adoptar já desde muito nova e não sei se sou infértil ou não, nunca sequer pensei nisso porque adoptar fez sempre parte dos meus planos para o futuro. Acrescento mais, que esse sonho de adoptar é derivado da noção de que há crianças sem pais e a viver em instituições até aos 18 anos e queria dar um lar a uma criança (mais um jovem) porque sinto que é uma responsabilidade social. Eu não quero adoptar por pena (pelo menos não é só por pena), quero ajudar e quero ser socialmente responsável e quero contribuir para a felicidade de alguém, ou de muitas pessoas se for possível!

Acho que sim, para muitos casos, até a maioria deles, que a adopção é em primeiro lugar um acto egoísta... mas acabam por ser benfeitores na mesma também!

E estou muito solidária com os casais que lutam todos os dias com a infertilidade, eu só consigo imaginar a dor que isso deve ser e o que devem sofrer com isso. É uma dor constante que perdura eternamente e parece que a única solução para atenuar essa dor é mesmo uma criança! Espero nunca passar por isso.

Só comecei a ver o lado das pessoas que escolhem o "bebé perfeito", (até 3 anos, branco, sem irmãos e sem doenças ou deficiências - como já foram referidos nos jornais), depois de começar a ler as histórias deste blog. Sofro e choro convosco ao ler as vossas histórias! Desejo muita força e sorte a todos que estão à espera do vosso pequeno tesouro!!!

Dominique
De Márcia a 8 de Janeiro de 2010 às 17:36
Boa tarde,

Iniciei o processo de adopção em Outubro, e já fui a 2 entrevistas. Até agora, parece estar tudo a correr dentro da suposta normalidade.

Sempre pensei em adoptar, até porque casar e ter filhos biológicos não fazia parte dos meus planos, mas a vida muda e nós também. Casei e tenho uma filha pequena.

Isto para dizer que a adopção para mim nunca foi "ter um filho", mas sim dar um lar, amor e carinho a uma criança que ...seria meu filho.

Acima de tudo considero que adoptar é estarmos dispostos a dar tudo de nós para que uma criança possa ser amada, feliz e ter todas a oportunidades de viver plenamente, nunca por ter pena.

Não sei se me fiz entender, mas apesar de já ter uma filha biológica nunca abandonei o objectivo de adoptar É um objectivo de vida, sem o qual a minha família não estará completa.

No fundo todos os que o fazem com amor, independentemente da razão a, b ou c, estão no caminho certo. Um bem haja a todos os que estão nesta "luta".

Márcia
De isabel a 2 de Junho de 2013 às 22:47
"Já se sabe há muito tempo que não há muitas crianças pequenas para adopção em Portugal" e porquê? pergunto eu. Porque deixam ficar as crianças sem projeto de vida meses, anos, numa instituição? Porque as deixam crecer sem família e depois fazem sentir culpados os que anseiam por um filho de menos idade? Diz a Susana, e muito bem, que "quando geramos um filho, não nasce com 10 anos". Isabel

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