Domingo, 20 de Maio de 2012

Como entrego o meu bebé para adopção?

Como dar o meu bebé para adopção?

Imagem de aqui

 

"Gostaria de  obter informações sobre dar o meu bebé para adopção.

Mas estive a ler e as coisas levam muito tempo a ser tratadas, não quero mesmo que o bebé esteja numa instituição.

Gostava de encontrar uma família e ser eu a escolher."

 

Esta vez foi por mail, mas também já foi nos comentários deste blog ou no Nós adoptamos, já é a terceira ou quarta vez... e eu fico sempre de rastos, porque de uma forma ou outra eu sinto nas palavras destas futuras mães o desespero de quem está a tomar uma decisão que as marcará para a vida,  a elas e ao filho que levam no ventre.

 

Apesar de que conheço muita gente que está há muito tempo à espera para adoptar e que receberiam estas crianças de braços abertos e com todo o amor do mundo, a minha resposta é sempre a mesma:

 

Em Portugal legalmente não há nenhuma forma de que uma mãe entregue o seu bebé para adopção directamente a quem o vai adoptar.

 

A única forma de se entregar um filho para adopção é manifestando essa vontade antes ou no momento do parto, e isto deve ser expresso de forma clara e por escrito. Quando assim acontece, o bebé é levado no momento do nascimento e a mãe não o volta a ver.

 

Como há um prazo de seis semanas em que a mãe pode voltar atrás, o bebé é encaminhado para um centro de emergência infantil, findo este prazo o processo é entregue ao tribunal de família e segue os tramites normais até que é decretada a adopção.

 

Muitas vezes o juiz que recebe o processo quer tirar todas as duvidas e exige que a mãe vá ao tribunal dizer em viva voz que mantém a sua decisão... por vezes passam-se anos até que conseguem encontrar a mãe ou até que desistem...entretanto a criança que já podia estar com uma família, continua institucionalizada....

 

Repito, legalmente e sem esquemas pelo meio que depois levam  a casos como o da Esmeralda e o da Miúda Russa, esta é a única forma legal de entregar um bebé para adopção.

 

Post do O que é o jantar?

 

Update: Para as pessoas que continuam a cá chegar via google ou de outra forma qualquer, por aquilo que sei, esta pessoa decidiu ficar com o bebe e esta criança não está para adopção. Além disso, tal como eu digo no post, mesmo que ela tivesse decidio entregar o seu filho para adopção, em Portugal a criança teria que ser entregue à segurança social, nunca directamente a alguém

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 21:34
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Domingo, 15 de Abril de 2012

Porque é que eu haveria de preferir filhos biológicos?

Filhos

 

Quando me perguntaram a primeira vez se não preferia ter tido filhos biológicos em vez de filhos adoptivos reflecti o seguinte:
Mas porque razão iria preferir ter filhos biológicos? 


Por acaso sou alguma beleza rara, cuja genética dotou de magníficas capacidades ou de uma inteligência fora do comum? Tenho a inteligência de um Einstein ou os dotes artísticos de um Picasso? Se estas personalidades fizessem questão de ter filhos biológicos eu ainda compreenderia, agora eu? 


A mim (e aposto que a 99,9% de todos vocês) a genética familiar não me dotou de nenhuma qualidade fora do comum. Pelo contrário… 


O meu avô morreu de ataque cardíaco aos 50 anos, tenho um tio diabético. E os bicos de papagaio da minha tia? Já para não falar na flatulência da minha bisavó (sabe-se lá se é genético!) e nas hérnias discais que parecem passar de geração em geração como rãs de nenúfar em nenúfar…

 

E o meu mau humor quando acordo?!


Que tipo de ego inflamado nos leva a pensar que os nossos filhos biológicos hão-de ser melhores que os filhos biológicos dos outros? 


Ter filhos biológicos para ver o meu rosto reflectido no dos meus filhos? Puro narcisismo! Para isso compro um espelho.


Ainda se fosse a Angelina Jollie...


Ah…é verdade…ela também adoptou… 


Os meus filhos se fossem biológicos aposto que nem seria tão lindos! E olhem que até me acho uma giraça!


Ai…e tal… porque as crianças vêem cheias de traumas….(dizem alguns). 


E eu costumo responder: 


- Traumas tenho eu e não fui adoptada. 


E se por acaso tiverem traumas?


Eu cá estarei para ajudar os meus filhos a lidar com os seus traumas e a ultrapassá-los na medida do possível. Não é o que todos os pais fazem?
Se por acaso viesse a ter um filho biológico seria bem-vindo, mas nunca mais amado ou desejado que os meus filhos adoptivos.


Além disso para quê pôr mais filhos ao mundo quando existem milhares de crianças a morrerem à fome e sem família? No mundo actual onde não sabemos se daqui a 30 anos os nossos filhos vão ter água para beber? 


Acho bem melhor ideia cuidar das crianças que já cá estão e que precisam de uma família do que colocar mais um ser inocente ao mundo. 


Se a sociedade fosse a ideal ninguém teria filhos biológicos enquanto existisse uma criança a precisar de uma família. Ou pelo menos por cada filho biológico teríamos um filho adoptivo. 


Mas isso sou eu…que devo ser estranha!


Ass: Uma Mãe

 

Retirado do Facebook

publicado por Jorge Soares às 21:11
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Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

Adopção, palavras de uma mãe, para reflectir

Adopção

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

O seguinte texto foi-me deixado num comentário ao Post Ainda as adopções falhadas e as crianças devolvidas  que copiei para o Nós Adoptamos. Apesar de olhar para o tema de forma diferente e até discordar de algumas das coisas, entendi copiar todo o texto já que representa a opinião de alguém que, imagino eu, passou ou está a passar por uma situação complicada, são palavras fortes, para ser lidas e reflectidas, com tempo voltarei ao assunto, por agora, deixo as palavras da Estrela.

 

Tenho estado a pesquisar sobre este caso e cheguei a isto: E pena haver tantos comentários de quem nunca adoptou, e para mais de quem não teve de passar anos em tratamentos de infertilidade até desembocar na adopção, não como a única resposta, mas com a esperança de que ao fim de tanto tempo tinha o direito de ser pai e mãe, construir uma família e ser feliz.

 

Mas como nada é perfeito, muito menos neste país, até os sinais de alerta dos novos pais, e dos novos filhos são ignorados por todas as técnicas do caso. A verdade é que nem todas as crianças, para não dizer quase todas... são abandonadas pela família, pelo contrário, mas são retiradas e nem sempre da forma mais correcta.

 

Depois, a Lei da adopção em Portugal é tão boa que foi alterada recentemente, e continua a ser insuficiente e pobre. As instituições que acolhem as crianças não lhes dão o apoio necessário, pelo menos a que tive oportunidade de conhecer, nem a nível alimentar, médico ou higiénico, quanto mais acompanhamento psicológico! Não as preparam para a possibilidade de virem a ser adoptadas, não lhe perguntam se o querem, não respeitam a sua vontade, mas a resposta que me deram é "são crianças, não sabem o que querem!" mesmo que queiram voltar para a instituição, o local onde sabem que a mãe prometeu ir buscá-los, e desesperam porque agora ela não sabe onde eles estão, mas estiveram lá 2 anos, e ela não foi...continuam há espera, até hoje, já se passaram anos, sofrem eles e nós pais também, nada podemos fazer.

 

Não aceitam a ajuda de nenhum técnico, ignoram a autoridade do adulto, usam-nos, rejeitam-nos, eles sim, desde o princípio rejeitaram-nos, até ao ponto de ir para um hospital por rejeitar a alimentação, por desistir de viver. E agora o que fazer? disseram que era a adaptação, que ao fim de 6 meses estaria tudo regularizado, ao fim desse tempo até um ano, e ao fim de 18 meses disseram que não tinham nada a ver com isso, estavam adoptados!

 

Os sonhos ficaram por isso mesmo, apenas a dor de não ter um filho que corra para nós à procura de um abraço, pergunto porquê e a respota não vem, ou tardiamente escuto "não sei".

 

As crianças deviam ser escutadas, olhadas com olhos de ver, nem todas querem uma casa onde há regras e figuras adultas, até porque as vítimas de abuso não têm isso escrito no processo, para não serem rejeitadas pelos candidatos. como se cura feridas que se desconhecem?

 

Quem ensina a quem vai pela primeira vez adoptar o que devia estar escrito, o que é que deviam mostrar e não está no processo? Eram estas perguntas que deviam fazer e pensar no sofrimento de quem toma estas decisões, na família alargada que os acolhe, ou não..."não havia lá mais pequenos?", "são tão grandes", "sabes lá se vão gostar de vocês!".

 

Quem vê crescer A BARRIGA, Dá mama, colo, ensina a falar, muda fraldas, dá biberão e recebe sorrisos, que É A ÚNICA MÃE, porque o pariu e o tem consigo nos braços não imagina a dor de todos os meses imaginar que está gravida enquanto decorre mais um tratamento de infertilidade, e depois adopta e é tratada como um alvo a abater.

 

São palavras fortes, eles não têm culpa não me escolheram, mas eu também não tive culpa, a não ser de ter a esperança de que viessem a gostar um pouco de nós em comparação com o que os amo. Agora podem indignar-se à vontade, principalmente porque escrevi muito!

 

Agradeço a vossa atenção, felizmente não conseguem ver as lágrimas. 

 

Estrela 

 

Post do O que é o Jantar?

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 11:22
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Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

Dar para adopção ou abortar?... as injustiças da vida

Dar para adopção ou abortar, as injustiças da vida

 

Na sexta passada ia escrever sobre as crianças recém nascidas que no mês passado, em plena época natalícia, foram abandonadas na rua, não pretendia falar das motivações dessas mães que deixaram os seus filhos ao abandono dentro de sacos plásticos... a minha ideia era falar sobre o futuro dessas crianças, o tempo que passam nas instituições, a forma como se perde tanto tempo precioso na vida de um recém nascido... já não me lembro bem porquê, mas depois de ter o post começado, desisti...

 

Ontem recebi no meu mail o seguinte:

 

"desculpe estar a mandar-lhe mail, mas estive a ler um pouco do site e continha la o seu email, estou gravida , infelizmente nao tenho condiçoes pra criar esta criança pois estou desempregada cheia d dividas solteira e com um filho de ... anos , por quem sou capaz de fazer tudo, apesar de ainda ser apenas um embrião ja amo muito o bebé que esta dentro de mim , e por esse amor sei que o quiser ter tenho de o entregar para adopção , mas não queria que o meu futuro bebé tivesse de ficar nem um dia numa instituição até que todo o processo se resolva, não á nada na lei que permita  a mãe e os pais adoptivos chegarem a um acordo pra que quando a criança nasce  ir logo para um bom  lar?"

 

Sabem a quantidade de pessoas que eu conheço e que receberia esta criança de braços abertos?, pessoas aprovadas para a adopção e com todas as condições para fazerem uma criança feliz? Já aqui falei dos motivos pelos que não há bebés para adoptar, foi neste post, a  minha resposta para esta mãe foi mais ou menos a seguinte:

 

Infelizmente não, legalmente em Portugal não é possivel que uma criança possa ser entregue directamente a alguém que a queira adoptar. Terá sempre que passar por um periodo de acolhimento numa instituição. Para além disso haverá sempre uma investigação por parte do tribunal, mesmo deixando o seu filho no hospital, terá que ir ao tribunal declarar que o entrega para adopção e será averiguado se ninguém da sua família alargada quer ficar com a criança.

 

Hoje recebi o seguinte mail:

 

Muito obrigado pela sua resposta, neste momento estamos mesmo numa situação muito dificil e o pai do futuro bebé apesar de ser o pai do meu filho não quer nem ouvir falar em seguir com a gravidez, portanto se eu tomar a decisão de o ter ia ter de desaparecer da minha residencia até o bebé nascer,é pena que a lei seja assim compreendo que tenham de proteger abusos e maus tratoa mas tambem penso que cada situação é diferente,sei que se tirar este bebé não vou ficar bem ..... entao pensei na adopção como uma boa solução, mas estive a ler muitos fóruns e uma criança so sai da instituição por volta as vezes dos 6 anos de idade,não quero que um filho meu fique num sitio desses a pensar que alguem o abandonou por não gostar dele,mas tambem não quero que ele me pergunte porque é que não tem leite pra beber, talvez a solução seja mesmo por termo à gravidez mas acho que é um crime, especialmente quando à tantos pais que sei que lhe podiam dar tudo.

 

Não é fácil que algo na vida me deixe sem palavras, sem reacção.... bom, esta mãe conseguiu, deixar-me sem palavras, sem reacção, sem nada..e  a pensar como pode ser injusto este mundo em que vivemos.

 

Post do blog O que é o jantar?

 

Jorge Soares

 

publicado por Jorge Soares às 13:29
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Domingo, 7 de Março de 2010

Adopção:Não, não somos santos, só somos mesmo pais.

Não quero sopa

 

Hoje a D disse a primeira frase completa:

 

-Mamã nã qué sopa!

 

Estava com sorte, porque não havia mesmo sopa, mas está visto que temos uma Mafaldinha em potência, o que vale é que tirando a sopa, tudo o resto que aparecer no prato, marcha.

 

Eu sou dos que acha que ter filhos, sejam eles naturais ou adoptados, é antes de mais um acto de egoísmo, bom, às vezes nos naturais é um acto de outra coisa... mas isso agora não interessa nada. Adoptar uma criança é em 90% dos casos, um acto do mais puro egoísmo, as pessoas acham que adoptamos porque somos muito boas pessoas, ou porque somos muito caridosos, ou porque gostamos de fazer o bem.... desenganem-se, quem adopta é porque quer ter filhos, e se conseguisse de outra forma não adoptava.. é claro que há excepções, mas até nas excepções há quem o faça por egoísmo, porque não gosta de bebes por exemplo....  

 

Em suma, nós não somos santos e sobretudo, os nossos filhos não são uns coitadinhos que tiveram muita sorte porque nós os adoptamos, pelo contrario, nós é que tivemos muita sorte em os poder ter, amar e acarinhar.... e acreditem ou não, sentimo-nos pais exactamente da mesma forma que qualquer outro pai, nem mais nem menos.

 

Deixo aqui um conjunto de frases que pude ler hoje no meu mail, desabafos de pais adoptivos, vejamos:

 

Uma mãe com 3 

 

Sinceramente...não aguento mais que:

- me digam quanto me admiram por ter adoptado a ......

- me digam que à ..... lhe saiu a sorte grande

- me digam que eu sou uma mulher cheia de coragem

- que indagam como é que os irmãos estão a reagir


Ora vamos lá por os pontos nos iiiii


- a única admiração que eu mereço é por ter aguentado os 18 meses de espera e mau funcionamento da Seg Social.

- se à .... lhe saiu a sorte grande, a mim saiu-me o euromilhoes...porque miúdas assim, há uma num milhão!

- Coragem ?, Sim, mas é a mesma coragem que é necessária para nos decidirmos ser mães de mais um. A gravidez da ...., foi uma santa gravidez, sem sustos sem enjoos, sem dores nas costas ou insónias, o parto foi +/-, mas nada de traumatizante, correu tudo bem, mas na verdade é que a quantidade de coisas que podem correr mal numa gravidez são imensas. Sim, se pensarmos nisso, também é preciso coragem para engravidar, tanto como para iniciar um processo de adopção.

- mas só poderiam estar a reagir bem! Bem se vê que não conhecem os meus 3 filhos!

 

Futura Mãe:

 

Eu ainda não sou mãe adoptiva e já vou ouvindo cada uma que me deixa perplexa…

Uma das piores que já ouvi foi quando disse que tínhamos pedido manos,  e que não tínhamos definido muita coisa, nem os sexos, as idades dissemos que preferíamos até 6 anos mas que na prática dependendo das circunstâncias estávamos abertos a outras idades, e que considerávamos adoptar 3 manos . Resposta: ahhh, vocês devem ser santos!!!!”  Ficámos mesmo pasmados… : santos??? Santos por quê?

Por felizmente termos condições económicas para os recebermos?

Por receber 3 de uma vez em vez de fazermos 3 processos chatos de burocracia ?

Por passarmos a ser 5 em vez de 2?

Esta entre muitas outras…

Claro que não vão ser tudo maravilhas mas é a vida.

E se eu engravidasse de 3?????? Aí sim é que acho que dava em doida mas mesmo assim acho que se fazia (com muita ajuda!!!)

 

Pai de 2 adoptados

 

Então só mais uma perguntinha - Então e como é que o teu marido está a  reagir? Hiii Hiiii Hiiiii 

 

Futura mãe 2

 

Olha  eu ainda não sou mãe mas sempre que falo sobre isto a alguém e ainda por cima digo que nos candidatámos a 2 irmãos (sempre com a deixa que se fossem 3 também não fugia muito do nosso desejo, embora tenha consciencia de que à partida e sem experiência seja...muito, assim como uma gravidez seria, como vocês referiram) toda a gente fica de boca aberta e diz essas coisas todas de tão bons e que bem tão grande vcs estão a fazer e por aí em diante...

 

No meu simples entender é um exagero. A nossa vontade é tão grande e às vezes tão egoista quanto a deles mas também já estou como o ...., só respondo ou avanço com "explicações" quando acho que não vai cair em saco roto, de outra forma também já deixei de ter paciência não só para ouvir como para falar e depois ficarem igualmente com cara de parvos (desculpem mas é mesmo essa a expressão)! Além disso é mesmo o que a .... diz e é o que eu respondo: nós queremos e sabemos já que queremos, pelo menos 2...vou ser parva para passar pelas mãos daquela gente mais vezes do que o estritamente necessário????Nem pensar!!!!!!!!!

 

Mãe de 2

 

Mas acho que isto depende muito da forma como as pessoas encaram a maternidade/paternidade. No meu 1º dia da mãe que passei com eles fui à escola com as outras mães e lá pelo meio a prof. pediu às mães para escreverem 1s palavrinhas num cartãozinho para ficar de recordação. Eu escrevi qq coisa sobre a benção que eles eram na minha vida e como todos os dias aprendia coisas com eles que me faziam crescer como pessoa, etc.. e tal. A prof. ficou de boca aberta a olhar para aquilo pq a maior parte das outras mães punha a coisa na perspectiva contrária (elas é que ensinavam os miudos).

 

Mas essa conversa de que me admiram e tal.. Não há paciência!

Outra coisa que me tira do sério é qd me perguntam sobre eles... Não perguntam como é que eles estão (que é o que normalmente se pergunta qd se pergunta pelos filhos de alguém), perguntam: como é que está a correr? Como se não estivesse a correr bem nós os pudessemos devolver, corrigir, ou coisa assim... Claro que quando me perguntam isso eu devolvo um: "td bem. E com os teus? também td a correr bem? Algum problema?..."

 

No nosso caso às vezes ainda apanhamos pessoas que nos fazem perguntas sobre a "mãe verdadeira" e se eles se lembram dela e como está a ser a adaptação (eles estão connosco à 1 ano e oito meses) se eles nos tratam por pais e etc... 

Não há paciência!!!

 

Mãe de 1

 

...já ouvi os seguintes comentários:

- "desculpe, mas com quem é que ela á parecida?" ao que respondi muito seriamente se ela não tem os olhos iguais aos meus e o sorriso doce como o meu!!!

- "o pai é de cor"

- "que gira, veio de áfrica?"

- "ó filho anda ver uma menina como tu!" - olhei para o miúdo e ele era branco, "normal"...era adoptado!!!

- "não há a possibilidade da mãe biológica encontrá-la?"

- "pois é, ela dá trabalho, é como um filho..." - como um filho???? ela é minha filha!!!!!!


são perguntas de quem não sabe o que é adoptar, que talvez tenha um desejo ou seja mãe de maneira diferente...não sei.

e sim, fazem de mim uma raínha, uma santa, por ter adoptado, por ter adoptado sozinha, por ter adoptado em cabo verde. e dizem que saiu o totoloto à .... ao que eu sempre respondo que a mim me saiu o euromilhões.


bjs, haja paciência e sejamos muito felizes!!!!

 

 

E por fim, pai de 1

 

experimenta responder "se quizesse ser herói não tinha adoptado, apenas queria ser mãe" ;-)

 

Eu hoje passei por isto e tive que estar a explicar a uma das minhas colegas que não, que ter adoptado não faz de mim nem pior nem melhor que ninguém, só faz de mim pai... mas acho que ela não acreditou... 

 

haja paciência e que os nossos filhos sejam muito felizes!!!!

 

Post Publicado no O que é o jantar?

Jorge Soares

PS:Copiei isto sem autorização.... espero que ninguém se chateie.

PS2:Sim, é verdade, sou um pai babado

publicado por Jorge Soares às 19:15
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Adopção:Como a justiça portuguesa pode ser surreal

 Adopção, há coisas na justiça portuguesa que são surreais

 

Há uns tempos escrevi um post que tinha por titulo: Adopção:Sou mãe adoptiva - preciso desabafar,  e que aconselho a irem ler aqui, entre outras coisas aquela mãe dizia o seguinte:

 

"Eu e o meu marido, fizemos o nosso processo de adopção correctamente, através da Seg. social e estivemos quase cinco anos à espera que o telefone tocasse. Temos a viver connosco duas  irmãs já fez um ano. Quando vieram viver connosco, tinham sete e quatro anos. Recentemente, fomos à audiência para a adopção plena e qual não é o nosso espanto, quando o juiz nos diz que por ele estava tudo muito bem, mas que no nosso processo falta um documento - o da autorização dos pais biológicos - e que portanto tinha de pedir ao tribunal onde foi decretado que as crianças iam para adopção, que verificasse se se tinha extraviado, senão teria de mandar a GNR ir à procura dos pais biológicos para obter o seu consentimento!!!! (nesta altura do campeonato!)."

 

Recebi um mail da mesma mãe, que para além de me deixar muito feliz por ela e por aquelas duas crianças, me deixou perplexo, a forma como as coisas se terminaram por resolver é no mínimo surreal e mostra o quanto a nossa justiça mais que depender das leis, depende das pessoas e da forma como estas olham para os assuntos.. vejam lá se isto não é surreal?

 

 

Está tudo resolvido, a sentença já saiu e as alterações de nomes das meninas já seguiram para a conservatória!! 2ª feira já vou pedir as novas certidões de nascimento e fazer a marcação para emissão dos cartões únicos!!! Agora já ninguém mos tira!!!

Agora, quer saber como se resolveu tudo?? Depois daquele inferno para o qual nos vimos violentamente atirados, tivemos a felicidade da juíza ir de licença de parto e o Juiz que ficou com o nosso caso decidir logo que a adopção plena estava decretada!! Já viu?? É óbvio que nós ficámos felicíssimos, mas não deixo de pensar como é incrível poder haver duas decisões tão diferentes, como pode ser uma questão de sorte ou azar, cair nas mãos de um juiz ou de outro!!! Se a senhora não tem ido de licença, nós ficávamos numa situação inacreditável, porque, para cúmulo, como se já não bastasse o medo de qual seria a reacção da mãe biológica, não nos era facultada qualquer informação!! 

 

Eu sei a angustia porque passaram estes pais, nós passamos por algo muito parecido no nosso primeiro processo de adopção, e sei o que pode doer a incerteza do que poderá acontecer... este tipo de coisas não deveria acontecer, é evidente que as leis devem ser cumpridas, mas será que há algum motivo para fazer sofrer as pessoas desta forma?

 

Jorge Soares

Post Publicado no blog:O que é o jantar?

 

publicado por Jorge Soares às 23:31
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Domingo, 20 de Setembro de 2009

Adopção:E o sonho vai morrendo

Adopção, e o sonho vai morrendo

 

Chamo-me Susana, somos um casal infértil jà hà 19 anos. Inscrevemo-nos na adopção em Março de 2004 para uma criança até 1 ano sem preferência de sexo, caucasiana, e sem problemas. Disseram-nos logo que era muto complicado, porque eu na altura tinha 34 anos e o meu marido 42 respectivamente.

 

Mesmo assim, passados 6 mêses o nosso processo estava concluido e estavamos aprovados para adoptar uma criança.


Desde essa altura e até 2008 a única palavra que tiveram conosco foi simplesmente uma carta que recebemos em 2006 a perguntarem se ainda estavamos interessados em mantermos o processo, obviamente que a resposta à carta foi afirmativa.


Em 2008 decidimos deslocarmo-nos à Segurança Social de Lisboa (minha área) para saber como estava a decorrer o nosso processo. Se quando me inscrevi a lista de espera estava em 4 a 5 anos, o que nos foi dito em 2008 é que as listas de espera estavam em 7 anos e que tinhamos que esperar, perguntei se podiamos alongar a idade da criança, foi-nos dito que não valia a pena, que quem espera 5 anos também espera mais 2.


Esperar...esperar...esperar...como se diz a um casal que espera 5 anos por um filho do coração para continuar a esperar? 


Em Maio fiz uma carta ao Director da Segurança Social a pedir resposta em relação ao nosso processo. A resposta foi a mesma...7 anos de espera para uma criança no distrito de Lisboa.


Estou a pensar fazer um mail, mas sinceramente não sei se vale a pena.


Neste momento tenho 39 anos e o meu marido 48. Muito provavelmente outros casais já passaram à nossa frente porque são mais jovens, mas quando nos inscrevemos também eramos jovens...


Passaram 5 anos e meio, não sei quantos mais terão que passar...não sei se quando fizer os 7 anos de espera a lista não sobe para os 10...não sei...só sei que desejamos muito um filho, temos um amor imenso para dar, e sei que está uma criança algures à espera do nosso amor, mas sem saber muito bem porque é que nos nos privam dessa oportunidade.


Susana Pina

A Susana é a autora do Blog Sonho ter um Filho

publicado por Missão Criança às 21:21
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Domingo, 28 de Setembro de 2008

Grande demais....

 

Criança

Imagem retirada de Ticho

 

Os risos ecoavam ainda pelos corredores largos, afastando-se. Nunca soube muito bem por ordem naquela correria desenfreada, nos atropelos à saída. Confesso mesmo, que em muitos dias, me apetecia simplesmente sair a correr com eles, esquecer tudo, e voltar a ter direito a brincar. Reconquistar os meus minutos de recreio!

Depois de todos terem saído, reparei na Sofia, ficara sentada, carita escondida pela cabeleira. Caminhei para ela, ouvindo apenas o som seco do tacão a bater na madeira velha do soalho e o frenesim distante que chegava da rua, para lá das velhas portas em arco.

“Posso sentar-me contigo?” – Perguntei com um sorriso, tentando adivinhar o motivo da sua tristeza. Limitou-se a acenar com a cabeça.

“Não queres brincar com os teus amiguinhos hoje?”

“Não! Já sou muito crescida!”

O seu tom era realmente o de um adulto triste, aprisionado no seu corpo e voz infantil. Avistei-lhe uma lágrima a despontar nos belos olhos negros. Senti o coração apertar-se face ao sofrimento daquela criança que aprendera com o tempo a amar.

“Sabes uma coisa Sofia, eu sou ainda mais crescida que tu e está a apetecer-me ir lá fora aos baloiços. Queres ir comigo?”

Fitou-me de frente, com os olhos arregalados de espanto.

“As duas? No baloiço?”

Sorri-lhe como resposta.

“Não!” - Disse peremptória e novamente cabisbaixa. – “Eu ontem ouvi que já sou grande demais...”

“Ouviste? Quem te disse?”

“Não foi a mim... Eu é que ouvi... Afinal já não vou ter uma mãe nova... Já sou muito grande...”

Apeteceu-me sair aos berros com quem o tivesse dito, mas em vez disso forcei um sorriso e tentei confortá-la.

“Pois eu não te acho muito crescida, acho que és uma menina linda e que quando tiveres uma mamã nova, ela será muito feliz contigo, terá muita sorte por te ter!”

“Achas?!”

“Tenho a certeza!”

O seu rosto abriu um sorriso rasgado e os bracitos magros atracaram-se no meu pescoço. Não lhe vi o rosto quando ela me fez a pergunta mais doce que algum dia escutei e eu tomei a decisão que me fez mais feliz.

“Isso quer dizer que gostavas de ser minha mãe?”

 

(Texto de ficção escrito por: Marta)

Obrigado Cátia e Marta

 

publicado por Missão Criança às 15:56
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