Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2013

Adopção, ao cuidado de quem está à espera, esta criança continua à espera de quem o queira amar

Ninguém espera por mim?


 

Esta carta já por aqui passou, na altura 4 ou 5 pessoas mostraram-se interessadas e pediram-me os contactos do centro de acolhimento, fiquei com esperança que alguma delas fosse mesmo adoptar ...esta semana enviei um mail à responsável do centro de acolhimento para perguntar se tinha havido desenvolvimentos, a resposta foi que tinha havido um mail a pedir informações, nada mais... 

 

Estas coisas deixam-me triste, há tanta gente que me diz que quer adoptar, há tanta gente que se queixa do tempo de espera... no outro dia houve quem me recriminasse porque fui duro naquele post O que é um processo de adopção?, há quem diga que fui injusto com as pessoas, fui? e não estaremos todos a ser injustos com esta criança e com todas as outras que anseiam por uma família?

 

 

Ninguém  espera por mim?

 

Olá,

 

Resolvi escrever-te porque sei que deseja ter um filho. Não, eu não sou o bebé com que tu sonhas….. já não uso fraldas, não como papas….. mas ainda sou uma criança e queria tanto ter um papá e uma mamã. Já não me lembro bem, mas um dia fiquei só …. E ficar sozinho no mundo com a minha idade é muito triste.

 

Vivo desde essa altura (já vão 10 anos) numa casa bonita, com muito meninos e meninas e há muitas senhoras muito simpáticas que tomam conta de nós. Mas continuo a sentir-me só ….. não tenho um papá e uma mamã…. e eu queria tanto….

 

Eu sei, não sou o bebé com que tu sonhas…. Mas sabes? Eu também sou como tu. Também sonho. Sonho que um dia vou ter uma mamã que me vai ajudar a escolher a roupa que vou vestir, que me vai a buscar à escola, que me vai contar historia, a aconchegar os cobertores e a dar-me um grande beijinho de boa noite….

 

Sonho que um dia vou ter um papá que vai andar comigo de bicicleta e me vai ver nas actividades da escola ….   e   …… eu vou ser tão feliz!!...


Quando isso acontecer…..

  • Vou deixar de chorar porque os meus colegas vão deixar de me gozar porque eu não tenho papá nem mamã;
  • Vou deixar de chorar quando me magoo porque a minha mamã vai dar-me um beijinho na ferida e vai passar logo;
  • Vou deixar de chorar quando um colega mais velho me bater porque vou ter um papá  para me proteger;
  • Vou deixar de chorar quando arranjarem papas para os meninos mais pequeninos…. Porque já não vou estar aqui, porque….. vou ter a minha família…. E vou dizer que tenho um papá e uma mamã.

Já sou grande mas ainda sou crianças. Bem sei que o meu futuro está hipotecado seja pela idade, tenho 13 anos, e seja pela saúde, tenho um problema de coração,

 

Mas continuo a desejar de poder ser ainda “um filho amado” …. conheces alguém que queria ser a minha mamã e o meu papá?.....

 

Tenho os contactos da pessoa que me enviou o mail  que facilitarei com todo gosto a quem se mostrar interessado, por favor divulguem, eu não quero perder a esperança de que conseguimos encontrar uns pais para esta criança.. não quero mesmo.

 

O meu email é jfreitas.soares@sapo.pt

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 11:34
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2012

Adopção, ao cuidado de quem está à espera: Ninguém espera por mim?

Menino abandonado

 Imagem da Internet

 

O seguinte texto foi-me enviado pela responsável de um centro de acolhimento, é uma carta de uma criança que quer ser adoptada, uma criança que foi abandonada há muito tempo e que está assim, abandonada, até hoje.

 

Ninguém  espera por mim?

 

Olá,

 

Resolvi escrever-te porque sei que deseja ter um filho. Não, eu não sou o bebé com que tu sonhas….. já não uso fraldas, não como papas….. mas ainda sou uma criança e queria tanto ter um papá e uma mamã. Já não me lembro bem, mas um dia fiquei só …. E ficar sozinho no mundo com a minha idade é muito triste.

 

Vivo desde essa altura (já vão 10 anos) numa casa bonita, com muito meninos e meninas e há muitas senhoras muito simpáticas que tomam conta de nós. Mas continuo a sentir-me só ….. não tenho um papá e uma mamã…. e eu queria tanto….

 

Eu sei, não sou o bebé com que tu sonhas…. Mas sabes? Eu também sou como tu. Também sonho. Sonho que um dia vou ter uma mamã que me vai ajudar a escolher a roupa que vou vestir, que me vai a buscar à escola, que me vai contar historia, a aconchegar os cobertores e a dar-me um grande beijinho de boa noite….

 

Sonho que um dia vou ter um papá que vai andar comigo de bicicleta e me vai ver nas actividades da escola ….   e   …… eu vou ser tão feliz!!...


Quando isso acontecer…..

  • Vou deixar de chorar porque os meus colegas vão deixar de me gozar porque eu não tenho papá nem mamã;
  • Vou deixar de chorar quando me magoo porque a minha mamã vai dar-me um beijinho na ferida e vai passar logo;
  • Vou deixar de chorar quando um colega mais velho me bater porque vou ter um papá  para me proteger;
  • Vou deixar de chorar quando arranjarem papas para os meninos mais pequeninos…. Porque já não vou estar aqui, porque….. vou ter a minha família…. E vou dizer que tenho um papá e uma mamã.

Já sou grande mas ainda sou crianças. Bem sei que o meu futuro está hipotecado seja pela idade, tenho 13 anos, e seja pela saúde, tenho um problema de coração,

 

Mas continuo a desejar de poder ser ainda “um filho amado” …. conheces alguém que queria ser a minha mamã e o meu papá?.....

 

Tenho os contactos da pessoa que me enviou o mail  que facilitarei com todo gosto a quem se mostrar interessado.

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 21:14
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Domingo, 30 de Setembro de 2012

[uma história de amor] e é quando o baby-de-mulata entra no blogue

Meus queridos amigos, tenho a dizer-vos que vamos ter de regressar do mato para Lisboa durante uns tempos. É que este blogue é capaz de se transformar num family blog dentro em breve...

 

Estive a pensar se haveria de vos falar do amor que me tem ocupado os dias e cheguei à conclusão que sim. Que tinha de ser. Porque neste momento não tenho outro assunto. Vocês sabem que eu sou aquela que fala, fala, fala, mas não fala sobre si própria. Conta muitas histórias, mas não conta história nenhuma de dentro de casa. Mas hoje, depois de ter conhecido tantas pessoas que gentilmente me vieram e continuam a vir visitar ao mato, depois de tantas pessoas me terem dito que sabem a razão pela qual não se deve passar por debaixo de um cajueiro se não se ouvirem passarinhos a cantar, acho que faz todo o sentido partilhar convosco a alegria que tive!

 

A história começa há quase dez anos. As pessoas que me conhecem bem sabem que em tempos tive um quase-filho. Um menino moçambicano que conheci na Casa do Gaiato e que veio para Portugal porque tinha um tumor no cérebro. Fui eu que tomei conta dele enquanto esteve em Portugal e foi até por causa dele que decidi ir para Pediatria, que antes nem sequer me tinha passado pela cabeça que pudesse ter algum jeito para crianças... 

Depois de ele morrer, fiquei com uma tristeza enorme. Mas, durante todos estes anos, tive a convicção, um pouco nas traseiras da mente, de que me haveria de voltar a cair um filho nos braços... Acreditava que só tinha de olhar bem para todos os lados, para ver de onde é que ele podia vir, e agarrá-lo bem quando ele chegasse. Claro que tinha de ser um menino que mais ninguém quisesse. Há tanta gente a querer adotar, que não seria justo passar à frente de quem quer que fosse. Sempre imaginei que seria um menino africano... Mas, pronto, era um devaneio, não era nada em concreto, não era um plano estruturado. 

Pois... E sabem aquela coisa do "amor à primeira vista", em que eu nunca acreditei? Aconteceu... Foi por alturas da Páscoa, no meu hospital, num banco trocado com outra colega, em que fui chamada a uma enfermaria onde quase nunca entro... O baby-de-mulata, na altura com 11 meses, estava na sala das enfermeiras, sentado numa cadeirinha a olhar para mim. Achei-o lindo! E era tão simpático, tão tranquilo ali sentado a olhar para quem passava, já na altura com um ar meio gozão... 

Perguntei quem era e o que tinha, o que fazia ali. E disseram-me que era um menino que tinha sido abandonado pela mãe à nascença e que tinha tudo para ser adotado, mas que provavelmente nunca iria ter uma família que o quisesse porque tinha uma doença grave e já tinha tido mil complicações. Operado várias vezes, internado desde o dia em que nascera. Já tinha havido um casal, amigo dos pais de outra criança internada naquela enfermaria, que se mostrara interessado, mas ele entretanto tinha piorado novamente e o casal desistira. Que estava estável naquele momento e que estava para ir para uma instituição, mas não tinha vaga ainda... 

Perguntei-lhe: "Queres ir lá para casa? Tens vaga lá em casa! E mais dois meninos para brincar." E foi então que me caiu o que tinha dito. O meu coração disparou... "Será que é este?" E o baby continuava a sorrir-me. [Ah, a força que um sorriso pode ter!] 

Tentei afastar aquela ideia impossível da minha cabeça. Tentei não me lembrar daquele sorriso. Não era o timing certo. Ainda não tinha uma vida definida, o meu futuro profissional estava cada vez mais uma incógnita... solteira... Tudo contra, portanto... 

Mas ele não me saía da cabeça. Como é que eu podia deixar assim um menino sozinho? Não era o meu menino africano, é certo, mas seria justo discriminar uma criança só porque era loira?, gracejava eu, de mim para comigo. 

Perguntei à minha mãe o que ela achava e ela respondeu-me que eu é que sabia, que me apoiaria incondicionalmente na minha decisão. Que também achava que não era o timing, mas eu é que sabia... Perguntei à minha amiga de infância, mãe de dois filhos, sensata e meiga e que passou por um processo destes na primeira pessoa. E ela disse-me que ia ser uma experiência muito dura e demasiado exigente para uma pessoa só, que pensasse bem. E que amadurecesse a ideia. Disse-me ainda que isto não podia ser uma "ideia brilhante", tinha de ser um projeto de vida! E aquilo que se quer é que uma ideia brilhante para um projeto de vida continue a ser uma ideia brilhante para sempre. 

Vacilei. Fiquei a mastigar a ideia. Demorei a decidir-me. Mas em Maio, na despedida de solteira de uma amiga minha, já não aguentava mais. No jantar, por coincidência, estava uma enfermeira que trabalhava na enfermaria onde ele estava internado e disse-lhe que andava a pensar em propor-me para aoptar o baby-de-mulata. 

Ela não me conhecia de lado nenhum, mas deu-me imensa força e foi ela que depois me deu os contactos do centro de acolhimento para onde ele foi e me disse o que fazer para ir até lá. Fui falar com a assistente social, que também me apoiou e explicou-me como é que podia dar início ao processo. Ainda demorei mais um bocado a decidir-me e fui várias vezes visitar o menino à instituição para onde acabou por ir. E então lá me decidi. 

No final de Junho inscrevi-me na Santa Casa da Misericórdia para o adotar. Mil coisas para entregar, documentos, formações, entrevistas, questionários, um escrutínio da minha vida toda... Mas, felizmente (ou por milagre, já nem sei), elas perceberam rapidamente que obaby não ia mesmo ter mais ninguém e que era melhor apressarem o meu processo para ele não sofrer mais. 

Meses depois recebi uma carta dizendo que tinha sido considerada apta como candidata à adoção do menino! Fiquei louca de alegria! O menino podia ter um atraso de desenvolvimento, um intestino que era um "molho de bróculos", outros problemas de várias ordens, mas era o meu menino! O meu baby-de-mulata entrava finalmente na minha história!

 

Retirado do Blog Beijo de Mulata

publicado por Jorge Soares às 22:22
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

Ao cuidado de quem está à espera, O José quer uma família

Quero uma família

Imagem da internet

 

Mais um menino para o qual se procura pais e a instituição onde se encontra, nos solicitou que divulguemos esta informação.... 

“O José (nome fictício) é um menino que deseja muito ter uma nova família, tem actualmente 9 anos de idade.

Encontra-se institucionalizado desde 2007, ou seja, há cinco anos, tendo chegado com 4 anos. 

Tem uma história familiar muito perturbadora, fruto da sua vivência , o José chegou à instituição com um atraso grave de desenvolvimento e a nível da vinculação muito desorganizado. Ele não dava afecto, não aceitava recebê-lo, agredia os adultos, não pedia, nem se queixava de nada, etc. 

O José foi evoluindo muito favoravelmente, conseguiu desenvolver um vínculo afectivo a uma das nossas Irmãs, e já é capaz de receber afecto (gosta muito), de pedir ajuda, de dizer quando está doente, etc. Também já é capaz de procurar afecto, por vezes, espontaneamente. 

Finalmente (e infelizmente tão tarde), foi decretada a adopção em Março de 2011, quando já tinha oito anos. Ele foi fazendo o luto da família biológica e atualmente deseja muito ter uma nova família. Quando uma criança sai para adopção ele sofre imenso.

Na escola, o José tem algumas dificuldades, contudo, tem evoluído muito, porque tem muita motivação (apesar das dificuldades ele quer aprender e esforça-se) e adora a professora com quem estabeleceu uma relação afectiva muito positiva. Nunca apresentou problemas de comportamento relacionados com as outras crianças na escola. 

O José é jogador federado de hóquei em patins. É o goleador da equipa e joga muito bem. Gosta muito de jogar de computador e de trabalhos manuais. Quando está inspirado faz desenhos muito bonitos. 

O José é muito meigo com os bebés, ajuda muito os mais pequeninos e reage muito bem quando sai com famílias amigas. Todas referem como ele se porta bem quando está fora da instituição e num ambiente familiar. 

Para mais informações sobre o José deverá contactar para geral@bemmequeres.org

 

Retirado do Facebook da Bem Me Queres

publicado por Jorge Soares às 13:25
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Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

Adopção, palavras de uma mãe, para reflectir

Adopção

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

O seguinte texto foi-me deixado num comentário ao Post Ainda as adopções falhadas e as crianças devolvidas  que copiei para o Nós Adoptamos. Apesar de olhar para o tema de forma diferente e até discordar de algumas das coisas, entendi copiar todo o texto já que representa a opinião de alguém que, imagino eu, passou ou está a passar por uma situação complicada, são palavras fortes, para ser lidas e reflectidas, com tempo voltarei ao assunto, por agora, deixo as palavras da Estrela.

 

Tenho estado a pesquisar sobre este caso e cheguei a isto: E pena haver tantos comentários de quem nunca adoptou, e para mais de quem não teve de passar anos em tratamentos de infertilidade até desembocar na adopção, não como a única resposta, mas com a esperança de que ao fim de tanto tempo tinha o direito de ser pai e mãe, construir uma família e ser feliz.

 

Mas como nada é perfeito, muito menos neste país, até os sinais de alerta dos novos pais, e dos novos filhos são ignorados por todas as técnicas do caso. A verdade é que nem todas as crianças, para não dizer quase todas... são abandonadas pela família, pelo contrário, mas são retiradas e nem sempre da forma mais correcta.

 

Depois, a Lei da adopção em Portugal é tão boa que foi alterada recentemente, e continua a ser insuficiente e pobre. As instituições que acolhem as crianças não lhes dão o apoio necessário, pelo menos a que tive oportunidade de conhecer, nem a nível alimentar, médico ou higiénico, quanto mais acompanhamento psicológico! Não as preparam para a possibilidade de virem a ser adoptadas, não lhe perguntam se o querem, não respeitam a sua vontade, mas a resposta que me deram é "são crianças, não sabem o que querem!" mesmo que queiram voltar para a instituição, o local onde sabem que a mãe prometeu ir buscá-los, e desesperam porque agora ela não sabe onde eles estão, mas estiveram lá 2 anos, e ela não foi...continuam há espera, até hoje, já se passaram anos, sofrem eles e nós pais também, nada podemos fazer.

 

Não aceitam a ajuda de nenhum técnico, ignoram a autoridade do adulto, usam-nos, rejeitam-nos, eles sim, desde o princípio rejeitaram-nos, até ao ponto de ir para um hospital por rejeitar a alimentação, por desistir de viver. E agora o que fazer? disseram que era a adaptação, que ao fim de 6 meses estaria tudo regularizado, ao fim desse tempo até um ano, e ao fim de 18 meses disseram que não tinham nada a ver com isso, estavam adoptados!

 

Os sonhos ficaram por isso mesmo, apenas a dor de não ter um filho que corra para nós à procura de um abraço, pergunto porquê e a respota não vem, ou tardiamente escuto "não sei".

 

As crianças deviam ser escutadas, olhadas com olhos de ver, nem todas querem uma casa onde há regras e figuras adultas, até porque as vítimas de abuso não têm isso escrito no processo, para não serem rejeitadas pelos candidatos. como se cura feridas que se desconhecem?

 

Quem ensina a quem vai pela primeira vez adoptar o que devia estar escrito, o que é que deviam mostrar e não está no processo? Eram estas perguntas que deviam fazer e pensar no sofrimento de quem toma estas decisões, na família alargada que os acolhe, ou não..."não havia lá mais pequenos?", "são tão grandes", "sabes lá se vão gostar de vocês!".

 

Quem vê crescer A BARRIGA, Dá mama, colo, ensina a falar, muda fraldas, dá biberão e recebe sorrisos, que É A ÚNICA MÃE, porque o pariu e o tem consigo nos braços não imagina a dor de todos os meses imaginar que está gravida enquanto decorre mais um tratamento de infertilidade, e depois adopta e é tratada como um alvo a abater.

 

São palavras fortes, eles não têm culpa não me escolheram, mas eu também não tive culpa, a não ser de ter a esperança de que viessem a gostar um pouco de nós em comparação com o que os amo. Agora podem indignar-se à vontade, principalmente porque escrevi muito!

 

Agradeço a vossa atenção, felizmente não conseguem ver as lágrimas. 

 

Estrela 

 

Post do O que é o Jantar?

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 11:22
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Ainda as adopções falhadas e as crianças devolvidas

Adopção

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Há uns tempos num workshop sobre adopção em que estavam elementos de alguns centros de acolhimento, alguém veio falar comigo sobre uma criança de 11 anos que já tinha sido rejeitada e para a que  a segurança social não encontrava candidatos. Entre os muitos candidatos que eu conhecia não haveria alguém disposto a aceitar esta criança?... Por acaso havia, até mais que um... candidatos aprovados pela segurança social e que estavam à espera há anos, vá lá saber-se porque a segurança social não os tinha encontrado. Mais estranho ainda é que mal apareceram os candidatos, a segurança social do distrito onde estava a criança arranjou logo outros do mesmo distrito... vá lá a gente perceber porque não o tinham feito antes.

 

Não era a primeira, nem foi a ultima vez que vi situações destas, raramente aparecem candidatos para crianças maiores de seis anos e muitas vezes a forma de os encontrar é esta... ir perguntando se alguém conhece candidatos que os aceitem...  às vezes eles aparecem e lá se encontra a maneira de convencer a segurança social a permitir a adopção, coisa que nem sempre é fácil, porque as suas crianças são para os seus candidatos.. mesmo que estes não existam.

 

Outra forma é arranjar uma família amiga para a criança, alguém que o visite, que de vez em quando o leve a passar um fim de semana, com o tempo as pessoas afeiçoam-se à criança e terminam por optar pela adopção, pessoas que nem eram candidatos mas que dada a situação da criança são mais ou menos avaliados à pressão e terminam por adoptar. É só mais uma forma de encontrar uma família para crianças que de outra forma nunca a teriam.

 

A julgar por algumas coisas que li, terá sido isto que aconteceu com o Carlos, a criança da reportagem da TVI de que falei no post de há três dias e que foi devolvida, li em mais que um sitio comentários de uma ou várias pessoas que diziam que o casal conhecia a criança desde antes.

 

Apesar de ter passado por dois processos de adopção e de em ambos ter estado bastante tempo à espera, não consigo ser contra este tipo de procedimentos, se há coisa que sempre critiquei é a inércia que existe em muitos dos centros de acolhimento, inércia que no fim se traduz em que as crianças passem a vida institucionalizadas sem que ninguém perceba porquê. É de louvar quando as instituições se preocupam e tentam encontrar uma solução mesmo para aquelas crianças que a própria segurança social já abandonou à sua sorte.

 

É claro que este tipo de situações leva a que as crianças sejam entregues a pessoas que nem sempre foram avaliadas convenientemente, e nem sempre a suposta boa vontade é suficiente para quebrar barreiras. Muita gente vai para a adopção acreditando que está a ajudar as pobres criancinhas e esquecem-se que estas são seres humanos que muitas vezes já passaram por coisas terríveis e quando se deparam com crianças que tem vontade e vida própria não fazem a menor ideia de como enfrentar a situação.

 

Adoptar não é ajudar uma criancinha abandonada, adoptar é ter um filho, com todas as alegrias e tristezas que tem qualquer outro filho e alguns desafios extra com os que vamos aprendendo a viver todos os dias. Adoptar não pode nem deve ser uma questão de bom coração e boa vontade, adoptar não é um acto de caridade, quem adopta tem que começar por entender uma coisa, não há filhos biológicos e adoptivos, só há filhos.

 

Este post saiu um pouco ao lado do que era a minha ideia incial... mas pronto, é o que há.

 

Post do O que é o Jantar?

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 00:09
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Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

Adopção Internacional, Guiné

 

"Porque uma criança é uma criança em qualquer parte do Mundo!"

 

Acredito que a adopção de crianças de outros países é uma alternativa aos longos e difíceis processos de adopção em Portugal.

 

Para mim, a adopção é um verdadeiro milagre na vida destas crianças.

 

Lembro-me como se fosse hoje, do dia em que vi a Ana (Madona) pela primeira vez e de como pensei que seria maravilhoso esta menina ter uma família e a oportunidade de ser feliz.

 

Em menos de um ano a Ana foi adoptada e vive agora em Portugal com os seus pais e com o irmão.

 

Joana Cruz

 

Post do Sorrisos sem cor

publicado por Jorge Soares às 11:07
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Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

APADRINHAMENTO À DISTÂNCIA ORFANATO CASA EMANUEL - GUINÉ-BISSAU

Apadrinhamento à distancia

 

Imagem do Sorrisos sem cor

 

Trata-se de uma ligação simbólica entre nós e as crianças que apadrinhamos.


É um elo que criamos e que pode fazer toda a diferença nas suas pequenas vidas...
É uma forma de ajudarmos as crianças mais desfavorecidas, órfãs, vítimas de abandono e de inúmeras doenças.


Com apenas 20€ por mês, estamos a contribuir para ajudar a melhorar as condições em que vivem, a proporcionar-lhes uma alimentação mais saudável, a dar-lhes a hipótese de irem à escola e de terem algum material escolar.


No apadrinhamento à distância, os padrinhos e as madrinhas têm também a hipótese de trocar correspondência com os seus afilhados, seguir o seu percurso escolar e até, quem sabe um dia, visitá-los no local onde vivem.


Um pequeno gesto que nos pode transformar em melhores pessoas e que nos dá a oportunidade única de criar sorrisos e melhorar a vida das crianças da Guiné-Bissau.

 

Para melhor conhecer esta instituição vá a http://casaemanuelguineabissau.blogspot.com/

 

Caso esteja interessado em se tornar padrinho ou madrinha de uma destas crianças envie um mail para joanafigueiredocruz@gmail.com

 

Joana Cruz

Sorrisos sem cor

publicado por Jorge Soares às 23:23
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Quinta-feira, 5 de Agosto de 2010

Adopção: Como (não) adoptar um bebé!!!!

Como (não) adoptar bebés

 

Imagem da internet

 

Este post é dedicado à Ana, que me deixou um comentário ao post de ontem e a todas as pessoas que chegam até este blog procurando informação sobre como adoptar bebés em Portugal... e eu sei que são muitas.

 

O Comentário da Ana dizia o seguinte:

 

Eu ando a procura de uma bebe de 4 meses para adoptar obrigada e urgente

 

Bom Ana, não sei o que queres dizer com é urgente, mas deixa-me dizer-te que na adopção nada é urgente... nada, nem para as crianças, nem para os candidatos...

 

Como em tudo na vida haverá excepções, mas adoptar um bebé de 4 meses é algo que quanto a mim, pela via legal não é possível,  vejamos porquê: Mesmo que no momento do nascimento a mãe assine um documento a dizer que entrega a criança para  adopção, por lei há um prazo de seis semanas para que a esta possa reconsiderar e decidir ficar com o seu filho. Ao fim de seis semanas é considerado abandono e o caso é encaminhado para o tribunal de família.

 

Chegado ao tribunal, o juiz inicia um processo de averiguação, na maioria dos casos este não considera válido o documento assinado pela mãe no hospital, para ser válido tem que ser assinado ante um notário. Há juízes que exigem ouvir a mãe pessoalmente o que na maioria dos casos é muito difícil pois as pessoas que deixaram os filhos no hospital não costumam deixar moradas reais.. entretanto o caso fica parado enquanto se averigua  onde está a família. Depois de ouvida a mãe  e no caso de que ela mantenha a decisão, é consultada a família alargada, mais tempo de espera...

 

Com tudo isto o tempo foi passando e quando finalmente se decide que a criança vai para adopção, já passaram muitos meses e o bebé já cresceu.. Por tudo isto eu diria que pela via legal, dificilmente alguma criança possa ser entregue aos candidatos a pais antes dos 8 ou 9 meses de idade.

 

Voltando ao pedido da Ana, se descontarmos as 6 semanas iniciais, para ser entregue com 4 meses, todo este processo legal deveria ser concluído em 6 semanas.. alguém acredita que isso seja possível? Para já não falar de que antes sequer de poder adoptar, é necessário passar pelo processo de selecção de candidatos.. pelo menos seis meses... lamento Ana, mas nas adopções não há urgências... ter um filho é algo que leva o seu tempo... e nas adopções é sempre mais de 9 meses.... infelizmente na maioria dos casos é muito mais de 9 meses.

 

É verdade que como diz a Cristina noutro comentário ao mesmo post, ultimamente temos ouvido falar da entrega de bebes de 3 e 4 meses aos candidatos... atendendo ao que disse acima, será que a segurança Social está a entregar estas crianças com os processos legais concluídos? E no caso de os processos não estarem concluídos será que os candidatos sabem o risco que correm ao receber uma criança nestas condições?

 

O N. foi-nos entregue com um ano de idade e com o projecto de vida definido pelo tribunal, mesmo assim, um ano depois no processo de adopção plena a juíza decidiu que queria ouvir a opinião do pai.. já ele tinha dois anos, ninguém imagina o que nós sofremos ao pensar que o senhor se poderia opor à adopção. É a isto que os candidatos se arriscam ao receberem crianças com 3 ou 4 meses.

 

É claro que há quem se arrisque a mais... há uns tempos li o seguinte neste  blog:

 

Eu como percebi que ela não estava a entender o motivo e percebeu certamente algo que não me agradou como se nós estivemos contra isso, disse-lhe na cara que o Prof. conceituado me propôs um bebé da MAC com dois dias!!!!!

 

Não era adoptar mas sim eu sair da MAC com um filho nos braços e registar como meu! Claro que o negámos de IMEDIATO!!!

 

Não é novidade nenhuma, todos já ouvimos falar disto, todos sabemos que estas coisas acontecem.. infelizmente há muita gente que se aproveita do desespero de quem quer ser pai e não consegue. São casos como este que depois levam a situações como a da Esmeralda ou o da menina russa... mas se calhar explicam algumas das "adopções" de bebés de que ouvimos falar.

 

Portanto, se chegou até aqui à procura de como adoptar bebés,..esqueça, isso não existe.

 

Jorge Soares

Publicado inicialmente no blog O que é o jantar?

publicado por Jorge Soares às 15:28
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Quarta-feira, 21 de Julho de 2010

Adopção - 2 anos depois

Adopção na Etiópia

 

Há uns tempo escrevi aquiaqui o percurso de um casal amigo, que reside na Suiça, na tentativa de conseguirem ter um filho.

Foram dez anos de muita luta, muito sofrimento, muitos esforços gorados e muita desilusão. Foram dez anos de esperança que  iam acalentando por cada novo tratamento que experimentavam...tudo em vão.

Um dia já sem forças e com danos de saúde física e emocional, resolveram partir para a adopção. Fizeram-no primeiro em Portugal, mas dado os enormes entraves que lhes eram colocados, passaram para a adopção internacional.

Através de amigos ficaram a saber que na Etiópia o processo de adopção estava muito facilitado, era célere e o sistema funcionava muito bem.

No dia 23  de Agosto de 2008 receberam a primeira foto da M. com três meses. Aceitaram-na de imediato.

Viajaram até á Etiópia, comoveram-se com a precariedade das condições dos orfanatos, mas também com o enorme carinho e cuidados com que eram tratadas todas as crianças, apesar da falta de meios humanos e materiais.

A 22 de Novembro a M. passou a ter uma família. Fez em Junho dois anos e veio há dias passar com os pais um mês a Portugal.

Fiquei espantada com a maneira como se tem desenvolvido...pula, canta, fala umas quantas coisas em português e já vai dizendo outras em alemão. A mãe resolveu pô-la na escolinha alemã dois dias por semana, porque, pensa ela, que uma boa integração num país estrangeiro passa pela aprendizagem da língua, apesar disso não abdica da filha durante o resto da semana, para poder assistir ao crescimento da sua bebé e ao mesmo tempo não perder nenhuma das suas pequenas conquistas.

Esta é a prova que sempre que se está no caminho certo vale a pena lutar sem desistir dos objectivos para que um dia os sonhos se tornem realidade.

Nem sempre estive desperta para os problemas que têm os pais que querem um filho, mas vivi de perto toda a história e a pouco e pouco através deste blog fui-me apercebendo das dificuldades por que passam as pessoas que se candidatam a uma adopção e todo o processo burocrático a que estão sujeitas.

Neste mundo conturbado é bom saber que ainda se encontram pessoas de coragem, com um enorme altruísmo e de entrega total a uma causa nem sempre fácil.

 

 

"A força não provém de uma capacidade física e sim de uma vontade indomável." (Mahatma Gandhi)

Manu

Retirado do Blog Cantinho da Manu
publicado por Jorge Soares às 00:46
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Sexta-feira, 16 de Abril de 2010

Adopção: Relatórios, números e os culpados do costume.

Adopção em Portugal

 

Imagem da Internet

 

Confesso, eu não gosto da Idália Moniz, é muito difícil para mim gostar de pessoas que só olham para os números que lhes aparecem à frente, para o que está escrito e que se negam a acreditar que exista uma realidade para além das letras e dos números.

 

Tudo começou com a lista nacional de adopção, uma coisa que apareceu com a alteração da lei em 2003 e que hoje, 7 anos depois, continua a ser ignorada pelos centros distritais da segurança social que continuam a falar dos seus candidatos e das suas crianças.. e isto foi reconhecido por mais que um responsável de centros distritais em Outubro passado no Encontro nacional de adopção que se realizou em Lisboa. Durante anos, as assistentes sociais diziam aos candidatos, a mim disseram-me em 2008, que não existia uma lista nacional, ou que esta não é utilizada, e a senhora insistia em que esta existia e era utilizada...

 

Ontem foi entregue na assembleia da república o relatório sobre a situação das crianças em acolhimento, hoje ouvi mais que uma vez as declarações da senhora secretária de estado às televisões e confesso, deixou-me irritado... ela e a imprensa. O relatório falava das crianças em acolhimento, mas para não variar,  os títulos das noticias focavam a adopção... e os candidatos que só querem as crianças perfeitas..e as crianças que ninguém quer..e as crianças que são devolvidas...

 

Curiosamente, não vi ninguém perguntar porque é que há quase 300 crianças sem projecto de vida definidos, crianças estas que vivem no Limbo, porque é que das quase 10000 crianças entregues ao estado só  2776 podem ser adoptados, o que acontecerá às restantes?. Ninguém pergunta quem fiscaliza as instituições?, quem fiscaliza os tribunais?,  quem avalia as equipas de adopção? Porque é que há crianças que entram com meses para as instituições e só seguem para adopção quando já estão numa idade em que  será muito difícil serem adoptadas?

 

Depois temos as 500 crianças que supostamente ninguém quer, porque tem mais de 3 anos, porque não são brancas, porque tem doenças...  Vamos lá ver,  é verdade que há muitíssimos candidatos que só querem crianças brancas e menores de 3 anos, mas também é verdade que nós não colocávamos restrições de raça, queríamos uma criança até à idade escolar e aceitávamos doenças que não fossem impeditivas do desenvolvimento...  estavamos há espera há mais de ano e meio e as ultimas estimativas eram de quase 5 anos de espera.... então, e essas 500 crianças que ninguém quer? não havia nenhuma com menos de 7 anos, que não fosse branca e com algumas doenças?

 

Eu conheço muitíssimos candidatos à adopção, a R. e o P. são uns desses candidatos, eles aceitam irmãos.. a ultima estimativa era que tinham mais de 50 pessoas só no seu distrito à sua frente, que também aceitavam irmãos... mais de 5 anos de espera... então, entre essas 500 crianças não há irmãos?... podia continuar... tenho mais exemplos....

 

Das duas uma, ou esse número é um disparate para deitar a culpa aos candidatos, ou então, a informação sobre a existência dessas crianças à espera não circula e os candidatos de um distrito não são válidos para as crianças dos outros..e cada distrito vai acumulando as suas crianças até que aparece, no mesmo distrito,  um candidato que as leve. Só isso explica que em lugar dos poucos meses de que falou a Senhora secretária de estado, a mim  as assistentes sociais da segurança social de Setúbal, me falassem de anos, quase 5 anos.

 

É verdade que há muita gente que só aceita crianças até 3 anos, e brancas, e perfeitinhas... não concordo, já discuti várias vezes com pessoas destas. A minha opinião é que não se deveria poder escolher a idade, ou a raça... mas respeito quem tem uma opinião diferente... e a verdade, é que quem não coloca estas restrições tem que esperar na mesma... e ninguém resolve a vida das 7000 crianças que nunca irão para adopção.... vá-se lá saber porquê.

 

Noticias sobre este tema:

 

TVI 24: Há mais de 500 crianças que ninguém quer adoptar

 

Público : Oitenta por cento dos candidatos querem um filho adoptivo branco

 

Público: Há cada vez mais adolescentes internados nas instituições

 

Ionline : Há 574 crianças que ninguém quer adoptar

 

Post publicado inicialmente no O que é o Jantar

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 10:26
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Quinta-feira, 8 de Abril de 2010

Sobre a adopção em Cabo Verde

 

Nós por cá tudo bem, a D. continua uma menina comilona e bem disposta mas esta semana entrou na fase das birras, não gosta de ser contrariada e quando o é, lá mostra o seu mau feitiozinho... há por aí quem diga que é do nome, que há por aí outras D. que também são assim... não, não são teimosas, são persistentes... pontos de vista.

 

Uma das coisas que mais me tem perguntado é se ela estava numa instituição... não, não estava, em Cabo Verde há muito poucas instituições, e que eu tenha conhecimento, nenhuma das crianças que foram adoptadas por portugueses veio de uma instituição. A D. estava com uma família amiga.... amiga da família dela que não tinha condições para a ter.

 

As adopções em Cabo Verde tem muito pouco a ver com o que estamos habituados por cá, cá por norma as crianças estão institucionalizadas e é decretado um projecto de vida que passa pela adopção. Em Cabo Verde são as famílias que ante a impossibilidade de criar os filhos com um mínimo de dignidade e condições, decidem entregar as crianças para adopção.

 

Para isto dirigem-se ao tribunal e dizem que as querem entregar. E as crianças continuam a viver com a família até que ocorre a audiência e o juiz decide entregar a confiança judicial aos candidatos a adoptar. E são os pais, ou em casos como o da D., as pessoas que tratam das crianças, quem as entrega a quem as vai adoptar.

 

No outro dia falava com uma amiga que adoptou uma criança cá, por sinal uma menina com a idade da D. e também mulata, e ela dizia-me que não seria capaz de passar por uma situação destas. Acredito que não. A nós a D. foi-nos entregue no escritório da advogada, mas muitas vezes a entrega é feita pelos pais e ocorre em casa das crianças, com os irmãos, os amigos, os vizinhos, a presenciarem.

 

Não é uma situação fácil e muito menos quando as crianças já tem 4 ou 5 anos e já sabem o que se está a passar. Imaginem o que é retirar uma criança do seu ambiente natural, da sua família.. é difícil de imaginar, e muito mais quando sabemos que as crianças não são vitimas de maus tratos, nem de abandono... No fundo, é um acto de amor, a maior parte destas crianças vem de famílias com 8, 9, 10... já soube de um caso de uma mãe que entregou o seu vigésimo filho... mas as pessoas tem dignidade...e amor pelos filhos, não tem é efectivamente condições para os criarem.. e decidem que elas estarão melhor com alguém que tenha condições a amor para lhes dar.

 

Jorge Soares

 

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Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2010

Perguntas e respostas sobre Adopção internacional

Adopção internacional

Imagem do Momentos e olhares

 

1. O que é um processo de adopção internacional?

A adopção internacional é um processo que corre entre dois Estados, o de origem e o receptor, no âmbito do qual um casal ou uma pessoa singular adopta uma criança.

 

II

Quem se pode candidatar?

 

2. Qualquer Português ou estrangeiro residente em Portugal pode candidatar-se à adopção internacional?

Sim, desde que cumpra os requisitos exigidos por lei.

 

3. Quais os requisitos?

a) Ter mais de 4 anos de casamento ou de união de facto, no caso de casais e ter 25 anos de idade,

b) Ter 30 anos de idade, no caso de adopção singular

 

Em ambos os casos, deverá ter menos de 60 anos de idade à data em que o menor lhe for confiado, sendo que a partir dos 50 anos de idade a diferença de idades entre o adoptante e o adoptando não pode ser superior a 50 anos, excepto nos casos em que o adoptando é filho do cônjuge. A diferença de idades também poderá ser superior a 50 anos, excepcionalmente, quando motivos ponderosos o justifiquem.

 

4. Os homossexuais podem candidatar-se à adopção internacional?

Sim, não há nada na lei portuguesa que impeça um homossexual de adoptar, de facto há muitos que o fazem, ainda que tudo depende da sensibilidade das assistentes sociais.

 

III

Como devo iniciar o processo?

 

5. Qual o primeiro passo?

Dirigir-se ao serviço da Segurança Social da sua área de residência, ou à Santa Casa da Misericórdia, caso resida na cidade de Lisboa.

 

IV

Qual a documentação necessária?

 

6. De que documentação necessito para iniciar um processo de adopção internacional?

A documentação é variável, consoante as exigências de cada país. No entanto, a documentação base é a seguinte:

a) Certidão de nascimento;

b) Certidão de casamento ou documento comprovativo de união de facto há mais de 4 anos;

c) Declaração médica;

d) Registo criminal;

e) Prova de rendimentos;

f) Fotocópia do B.I. ou cartão único de cidadão

  

V

Como funciona o processo de avaliação pela Segurança Social?

 

7. A avaliação efectuada pelo serviço da Segurança Social é mais prolongada do que para a adopção nacional?

Não, ambas têm de estar concluídas no prazo de 6 meses.

 

8. Em que consiste a avaliação?

Consiste numa avaliação psico-social e uma visita domiciliaria.

 

 

9. Recebo algum documento a comprovar que fui sujeito à avaliação por parte da Segurança Social?

Sim. No final da avaliação é entregue aos candidatos um certificado de idoneidade para adoptar.

 

10. A equipa que avalia é composta por profissionais de que área?

A equipa é multidisciplinar, sendo composta por técnicos das seguintes áreas: psicólogo, assistente social e por vezes, jurista e educador de infância.

 

VI

Candidatura e Países

 

11. Posso candidatar-me em simultâneo a vários países?

Sim, desde que estejam habilitados a adoptar nos respectivos Países.

 

12. Posso candidatar-me em simultâneo à adopção internacional e nacional?

Sim.

 

13. O que é a Convenção de Haia?

É um instrumento internacional criado em 1993 que, entre outras matérias, regula a cooperação entre os países de origem das crianças e o país de acolhimento no que diz respeito á protecção das crianças no âmbito de processos de adopção internacional.

 

14. Todos os países do mundo são membros da Convenção de Haia?

Não.

 

15. Posso candidatar-me a um país que não seja membro da Convenção de Haia?

Sim, desde que o outro país aceite a candidatura remetida por Portugal.

 

16. É obrigatória a adesão à Convenção de Haia?

Não.

 

17. Um país que tenha assinado a Convenção de Haia está vinculado aos seus procedimentos?

Não. Para que isso aconteça é necessário que para além de a ter assinado, a tenha igualmente ratificado.

 

18. Quem remete a candidatura para o país escolhido?

A autoridade central em matéria de adopção internacional.

 

19. É um serviço da Segurança Social?

Sim, embora distinto da equipa de adopção que procedeu à avaliação.

 

20. Onde se situa e qual o contacto?

Situa-se na Rua Castilho, nº5, Lisboa (tel: 213184900)

 

21. Posso escolher entre qualquer País do mundo?

Não. É necessário atender aos requisitos legais do outro país e terá aquele de aceitar a candidatura.

 

22. A adopção é reconhecida em todo o mundo?

Não, há países que não reconhecem a adopção.

 

23. Ao voltar do estrangeiro com a criança qual o primeiro passo a dar?

O primeiro passo é dirigir-se à equipa que procedeu à avaliação, dando conhecimento de que a criança se encontra em território português.

 

24. As crianças vêm já adoptadas?

Depende dos Países.

 

25. O que se segue quando as crianças não vêm já adoptadas?

A criança será acompanhada pela equipa de adopção durante o período máximo de 6 meses (período de pré-adopção).

 

26. Quando a criança já vem adoptada, o que devo fazer em Portugal?

Se a criança é oriunda de um Estado-Membro da Convenção de Haia, está dispensada a revisão de sentença estrangeira. Caso contrário deverá serrequerida a revisão e confirmação da sentença junto do Tribunal da Relação

 

 

27. Não se tratando de um Estado-Membro da Convenção de Haia, tenho sempre que proceder à revisão e confirmação da sentença estrangeira?

Não. Existem países que não aderiram à Convenção de Haia; no entanto, porque celebraram um acordo judiciário com Portugal, fica dispensada a revisão de sentença.

 

 

28. Com que países existe o acordo judiciário?

Com Cabo Verde e S. Tomé.

 

 

29. Quando é que a criança passa a ser Portuguesa?

A criança passa a ser Portuguesa após a nacionalidade ser requerida e atribuída (de acordo com o artigo 5.º da Lei da Nacionalidade).

 

 

30. Um processo de adopção internacional tem custos?

Sim, a fase da avaliação é gratuita mas o resto do processo tem custos que variam consoante o país de origem da criança, nomeadamente, legalização e tradução de documentos, recurso a advogados e outras formalidades, eventualmente exigidas.

 

 

31. É obrigatório constituir advogado?

Depende dos países.

 

 

32. Existem entidades mediadoras de adopção internacional em Portugal?

Sim, três organismos estrangeiros acreditados para o exercício da actividade mediadora, sendo Portugal país de origem, nomeadamente a AFA, DanAdopt e BrasKind.

 

 

33. E organismos acreditados para o exercício da actividade mediadora tendo Portugal como país de acolhimento?

Por enquanto, A Associação Emergência Social.

 

 

34. Quanto tempo deverei permanecer no País de origem da criança?

É bastante variável, havendo países que exigem determinado período de permanência consoante a idade da criança.

 

Retirado de Meninos do Mundo

 

Jorge Soares

 

 

publicado por Jorge Soares às 15:13
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Domingo, 1 de Novembro de 2009

Adopção em Portugal?, ou adopção no meu quintal?

 

A Adopção em Portugal é a adopção dos pequenos quintais

 

"Porque é que alguém que mora em Oeiras, se mora do lado da rua que pertence ao conselho de  Oeiras tem que esperar em média 7 anos para que lhe seja atribuída uma criança, mas se viver do lado da rua que está no concelho de Lisboa tem que esperar só um ou dois anos para uma criança com as mesmas características?"

 

Esta pergunta foi feita já ao final do dia por um dos assistentes sociais que faz parte das equipas de adopção de Lisboa e que na passada Segunda feira estava, tal como eu, a participar no Encontro nacional de Adopção que aconteceu em Lisboa.

 

É uma pergunta pertinente, estou inscrito como candidato à adopção vai fazer um ano e meio, desde então já soube de pelo menos dois casais que se inscreveram depois de mim e que receberam uma criança com as características que nós colocamos, ambos os casos em Lisboa. Como se explica isto?

 

Quem assistiu ao encontro na segunda feira consegue perceber, a verdade é que cada serviço de adopção trabalha para si e nas costas dos restantes. Existe um manual de procedimentos que supostamente é seguido, mas que depois cada um adapta à sua maneira e da forma que entende. E isto é válido para todo o processo, desde a forma como se avalia até à forma como se atribuem as crianças. 

 

É claro que isto cria enormes assimetrias, se em Lisboa há muitas crianças, há distritos onde há muito poucas, e os candidatos desses distritos tem que esperar muitos anos, mesmo quando no distrito ao lado há crianças para as que supostamente não há pais.

 

Evidentemente a pergunta com que inicio o post ficou sem resposta, a verdade é que cada serviço de adopção olha para o seu quintal, as suas crianças,  os seus candidatos e é incapaz de fazer um esforço por olhar para o lado, para ver se no quintal do lado há uns pais para aquela criança que está à espera há anos, ou uma criança para aqueles pais que desesperam há anos.

 

A sensação com que fiquei ao fim do dia na passada segunda feira, é que por muita vontade que se tenha, por muitas ideias, por muitos sonhos, a segurança social é uma montanha enorme, há muita gente, muitos quintais, e por muito que se olhe para os problemas, não há na montanha quem tenha vontade de a mover.

 

Dizem que a fé move montanhas, infelizmente neste caso não me parece que exista fé que faça mudar o que quer que seja.. a segurança social, as muitas equipas de adopção são uma montanha grande demais e nem toda a fé do mundo irá mudar esta montanha.

 

 Jorge Soares

 

Publicado inicialmente no blog:O que é o jantar?

 

 

 

publicado por Jorge Soares às 19:04
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Domingo, 18 de Outubro de 2009

Livro:A criança que não queria falar

A criança que não queria falar

 

Sheila é uma menina de seis anos que rapta um menino de três, o ata a uma árvore e lhe prende fogo. É praticamente assim que começa o livro, uma criança que comete um acto irracional e que é condenada a ser internada num hospital psiquiátrico, como não há vagas no hospital, é colocada temporariamente numa escola onde há uma turma de crianças especiais.

 

Nesta turma há uma professora que se interessa realmente pelos seus alunos e que descobre que por detrás de toda a raiva e rebeldia há uma mente brilhante e uma criança como as outras, que simplesmente necessita de carinho e de atenção.

 

Sheila foi abandonada pela mãe que a atirou de um carro em andamento numa auto-estrada, vive com o pai, um homem  alcoólico e toxicodependente mas orgulhoso, num campo miserável e sem condições. Só tem uma muda de roupa que utiliza dia trás dia, mas o pai nega-se a que lhe ofereçam outra, eles não precisam.

 

Este foi um livro que me tocou, porque fala de abandono, de crianças difíceis e dos desafios que se colocam na educação de crianças que foram abandonadas.

 

O abandono é algo que marca uma criança para toda a sua vida, e essas marcas vão surgindo nas diversas fases do seu crescimento, eu sei, porque há coisas ali, poucas felizmente, que vi no meu filho.

 

O livro fala sobre a Sheila, sobre a sua professora, sobre o como ensinar e tratar crianças diferentes, mas fala também sobre o trauma do abandono, sobre as marcas que este deixa nas crianças, sobre as suas fragilidades e sobre como algumas coisas se devem tratar.

 

Há livros que nos marcam pela história, outros pela forma como estão escritos, outros porque os lemos na altura e circunstancias certas das nossas vidas, este livro marcou-me porque sou pai. Um livro que todos os pais adoptivos ou não deveríamos ler e  que todos os professores deveriam ler.

 

Post publicado inicialmente no blog O que é o jantar?

Jorge

PS:imagem retirada da internet

 

 

publicado por Jorge Soares às 20:08
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Adopção:Como a justiça portuguesa pode ser surreal

 Adopção, há coisas na justiça portuguesa que são surreais

 

Há uns tempos escrevi um post que tinha por titulo: Adopção:Sou mãe adoptiva - preciso desabafar,  e que aconselho a irem ler aqui, entre outras coisas aquela mãe dizia o seguinte:

 

"Eu e o meu marido, fizemos o nosso processo de adopção correctamente, através da Seg. social e estivemos quase cinco anos à espera que o telefone tocasse. Temos a viver connosco duas  irmãs já fez um ano. Quando vieram viver connosco, tinham sete e quatro anos. Recentemente, fomos à audiência para a adopção plena e qual não é o nosso espanto, quando o juiz nos diz que por ele estava tudo muito bem, mas que no nosso processo falta um documento - o da autorização dos pais biológicos - e que portanto tinha de pedir ao tribunal onde foi decretado que as crianças iam para adopção, que verificasse se se tinha extraviado, senão teria de mandar a GNR ir à procura dos pais biológicos para obter o seu consentimento!!!! (nesta altura do campeonato!)."

 

Recebi um mail da mesma mãe, que para além de me deixar muito feliz por ela e por aquelas duas crianças, me deixou perplexo, a forma como as coisas se terminaram por resolver é no mínimo surreal e mostra o quanto a nossa justiça mais que depender das leis, depende das pessoas e da forma como estas olham para os assuntos.. vejam lá se isto não é surreal?

 

 

Está tudo resolvido, a sentença já saiu e as alterações de nomes das meninas já seguiram para a conservatória!! 2ª feira já vou pedir as novas certidões de nascimento e fazer a marcação para emissão dos cartões únicos!!! Agora já ninguém mos tira!!!

Agora, quer saber como se resolveu tudo?? Depois daquele inferno para o qual nos vimos violentamente atirados, tivemos a felicidade da juíza ir de licença de parto e o Juiz que ficou com o nosso caso decidir logo que a adopção plena estava decretada!! Já viu?? É óbvio que nós ficámos felicíssimos, mas não deixo de pensar como é incrível poder haver duas decisões tão diferentes, como pode ser uma questão de sorte ou azar, cair nas mãos de um juiz ou de outro!!! Se a senhora não tem ido de licença, nós ficávamos numa situação inacreditável, porque, para cúmulo, como se já não bastasse o medo de qual seria a reacção da mãe biológica, não nos era facultada qualquer informação!! 

 

Eu sei a angustia porque passaram estes pais, nós passamos por algo muito parecido no nosso primeiro processo de adopção, e sei o que pode doer a incerteza do que poderá acontecer... este tipo de coisas não deveria acontecer, é evidente que as leis devem ser cumpridas, mas será que há algum motivo para fazer sofrer as pessoas desta forma?

 

Jorge Soares

Post Publicado no blog:O que é o jantar?

 

publicado por Jorge Soares às 23:31
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Adoptar em Portugal.. como as injustiças matam os sonhos

Adoptar em Portugal..e o sonho vai morrendo

Imagem retirada da internet

 

 

Ando há uns tempos a adiar o meu post mensal sobre a nossa espera, durante o verão a nossa esperança por um rápido desenrolar do nosso processo foi crescendo, as noticias eram animadoras.... até ao fim do verão... O verão passou, e nós esperamos. Esta semana a P. ligou para a segurança social de Setúbal, há um ano as perspectivas eram dois anos de espera, agora passou para três.. seria um balde de água fria... não fosse nós já estarmos habituados a este tipo de coisas.

 

Há pouco estava a ler este texto da Susana e fiquei a pensar, em como se matam os sonhos. Porque a verdade é que à medida que o tempo vai passando, o sonho vai morrendo... os sonhos não morrem????!!!!... mas pouco a pouco vamos deixando de acreditar.... vamos tendo menos capacidade para sonhar.

 

O caso da Susana é muito especifico, ela quer uma criança até um ano, e todos sabemos que há muito poucas crianças com essas características, mas nós queremos uma criança até à idade escolar, sem descriminação de raça e deixamos claro que poderíamos aceitar uma criança com alguns problemas de saúde....

 

Entretanto a raiva vai crescendo dentro de mim cada vez que sei de mais um caso de alguém que se inscreveu depois de nós e recebeu uma criança com as características que colocamos.... é uma raiva que vai crescendo devagarinho... é claro que todos estes casos são em Lisboa, mas será justo que as pessoas de Lisboa passem à frente de todo o resto do país?

 

Não me vou estender... só deixo aqui um comentário da mesma Susana

 

"Mais uma vez, ontem vi na SIC no novo programa da Fátima Lopes 2 mulheres que adoptaram crianças uma com 19 mêses e outra com 15 dias. Como é possivel adoptar uma criança com 15 dias? Então não nos dizem que até a criança ter o processo resolvido leva cerca de um ano? A Srª que adoptou a criança de 19 mêses esteve 4 anos à espera, a outra não sei porque não ouvi a reportagem desde o inicio. Ao ver estes testemunhos ainda me sinto mais revoltada e desmotivada."

 

Não há maneira absolutamente nenhuma de que alguém receba pela via legal, uma criança de 14 dias..... será que não há quem investigue estas coisas?

 

 

Porque

não vens agora, que te quero

E adias esta urgencia?

Prometes-me o futuro e eu desespero

O futuro é o disfarce da impotência....

 

Hoje, aqui, já, neste momento,

Ou nunca mais.

A sombra do alento é o desalento

O desejo o imite dos mortais.

 

Miguel Torga

 

Jorge Soares

 

Texto publicado inicialmente no Blog O que é o jantar?

publicado por Jorge Soares às 22:48
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

As listas Nacionais de Adopção não são Rankings…

adopção

Imagem da internet

 

A história das listas nacionais de adopção, tem dado muito que falar desde a sua constituição…Por um lado, os candidatos ouvem das suas equipas de adopção que não as utilizam, mas apenas utilizam as listas distritais, depois existe o poder politico, que jura a pés juntos que as listas nacionais funcionam (ver aqui) e que são umas das responsáveis pelo aumento das adopções em Portugal.

 

Mas deixo aqui sobre o assunto um testemunho encontrados no fórum da www.apfertelidade.org 

 

RESPOSTA DA SS AO PEDIDO DE INFORMAÇÃO SOBRE O nº NA LISTA NACIONAL.

Encontram-se registados na Lista de Candidatos à Adopção Nacional Residentes em Portugal (CANRP) com o nº xxxxxxxxxxxx, criado em 17/04/2006 e no estado de "aguarda proposta".

" Relativamente à informação solicitada sobre o "lugar que ocupa" na CANRP, informamos que não é possível a este serviço dar uma resposta concreta, uma vez que a base de dados para a adopção, não foi  concebida para a elaboração de um "ranking" dos candidatos à adopção em lista de espera, antes tem a finalidade prevista no artº 11º-B do DI nº 185/93, 22 de Maio, ou seja:

a)Identificar o candidato com as condições mais adequadas ao perfil da criança.
b) Identificar as crianças em situação de adaptabilidade.
c)Garantir uma maior equidade e transparência no processo de confiança do adoptado ao candidato a adoptante
d) Aumentar as possibilidades de adopção da criança, introduzindo maior celeridade nesse procedimento".

 

Patricia

publicado por Missão Criança às 21:05
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Sábado, 18 de Julho de 2009

adopção:Pais do coração

Adopção;Pais do coração

 

Recebi as perguntas por mail há bastante tempo, a publicação foi sendo adiada,  saiu este Sábado na Revista Ns do DN e Jornal de Noticias, o link está aqui para quem quiser ler, como há sempre muito mais a dizer e eu disse muito mais, deixo aqui as perguntas que me foram enviadas pela jornalista e as minhas respostas.

 

Não gostei do titulo... mas também não tenho nada de gostar.

 

 - No seu caso específico, que razões o levaram a abraçar esta problemática das adopções e do direito de todas as crianças a um lar de amor?

 

Sou pai adoptivo e biológico e neste momento candidato à adopção, o meu primeiro processo foi à mais de 10 anos e na altura sentimos muita falta de informação e de apoio. Um processo de adopção é sempre doloroso, a maior parte do tempo existe um enorme vazio e sentimos a  falta de podermos partilhar com outras pessoas. Após a adopção o sentimento mudou, mas o vazio continuava ali, a necessidade de sentir apoio e de partilhar com outras pessoas que estivessem ou tivessem passado pelo mesmo que nós mantinha-se. Com o tempo criamos um grupo de discussão, o grupo nós adoptamos e foi como uma bola de neve que foi crescendo, fiz parte do grupo que organizou os dois primeiros encontros nacionais de adopção, ambos em Setúbal, e a proximidade com pais e candidatos fez com que interiorizasse a problemática da adopção nas suas várias vertentes.

 

- Sendo o acolhimento familiar de crianças uma medida que pressupõe o seu bem-estar e a vontade de ajudá-las em primeiro lugar, como se explica que haja tantos casos (e tão fortemente mediáticos) de disputas com os pais biológicos?

 

Na verdade não há assim tantos casos, não faço ideia quantas crianças existirão em acolhimento, mas dois ou três casos não são muitos casos, para mais que os dois mais mediáticos, o da Esmeralda e o da Alexandra, são casos que passaram ao lado da segurança social e não são casos de acolhimento.  Passaram  à margem da lei e por isso se tornaram casos judiciais e depois em casos mediáticos por força da cobertura jornalística a que foram sujeitos... e diga-se de passagem que eu acho que a comunicação social fez um péssimo trabalho em ambos os casos.

 

- O que funciona mal no sistema que permite que tais situações aconteçam?

 

Nestes casos o que funcionou mal foram as pessoas que subverteram todo o processo, se as crianças tivessem sido entregues à Protecção de Menores em lugar de a casais que não estavam habilitados para os receberem, nada disto tinha acontecido. O acolhimento familiar está legislado e funciona, o que acontece é que muitas vezes as pessoas utilizam esquemas para tentar abreviar os processos de adopção, e depois utilizam a comunicação social para chamarem a atenção para situações que nunca deveriam ter existido.

 

- Uma vez que os laços afectivos de quem acolhe pelas crianças são inevitáveis, faz sentido que a lei não abra caminho para a adopção por parte das famílias de acolhimento interessadas em ficar com a criança? Mesmo nos casos em que a alternativa é o regresso à instituição ou a uma família biológica que venha a revelar-se incapaz de tratar convenientemente d@ filh@?

 

É  preciso entender que as crianças que vão para acolhimento são as que não tem como projecto de vida a adopção, se o objectivo final fosse a adopção, elas não passariam por famílias de acolhimento, iriam directamente para a adopção e para uma família que as desejasse e que estivesse disposta a dar amor e carinho. Se vão para acolhimento é porque o tribunal entende que não serão adoptadas, se tivermos em conta este princípio, a pergunta nem faz sentido. Por outro lado, as famílias de acolhimento são informadas desde o inicio qual a situação da criança e do facto que não a vão poder adoptar, as pessoas vão para o acolhimento conhecendo todos os factos. O que acontece é que há muita gente que tenta utilizar o acolhimento como um método rápido para a adopção, acham que todas as crianças que vão para acolhimento são crianças que foram abandonadas e maltratadas, evidentemente isto não é verdade, há muita gente que passa por dificuldades e prefere entregar os seus filhos ao estado a que estes passem necessidades.. e há quem refaça a sua vida.

 

Nos casos em que a família não consegue refazer a sua vida, as crianças vão para adopção e há muitíssimos candidatos disponíveis, pessoas que foram avaliadas e aprovadas como aptas, o que não aconteceu com as famílias de acolhimento.

 

- A legislação portuguesa relativa ao acolhimento familiar temporário está ao nível da de outros países com realidades semelhantes?

 

Eu não conheço a legislação dos outros países, mas não acho que a legislação portuguesa esteja errada, o que está errado é muitas vezes a mentalidade das pessoas, que tentam a todo custo subverter as leis em seu favor.

 

- O que precisava de mudar para garantir uma maior prática de acolhimento familiar (e por conseguinte uma menor institucionalização), uma preparação suficiente das famílias que recebem as crianças e um acompanhamento adequado de todos os casos?

 

Há muitas coisas a mudar, mas eu nem acho que o problema esteja no acolhimento familiar, em primeiro lugar haveria que mudar os juízes, a maioria dá uma clara primazia ao biológico, a tendência é dar oportunidades aos pais, espera-se sempre que estes recuperem, dão-se todas as oportunidades aos pais e à família biológica e nenhuma às crianças, entretanto estas esperam anos, vão crescendo em centros de acolhimento sem conhecer o carinho de uma família, sem amor.  Quando finalmente alguém decide que não vai haver recuperação, a criança perdeu uma parte da sua vida e já tem 7 ou 8 anos,  com essa idade já não há quem a queira. Por outro lado muitos centros de acolhimento não tem equipas capazes para encaminhar os processos, mesmo que as famílias não apareçam, as crianças não são sinalizadas, há centros de acolhimento em Portugal de onde nunca saiu uma criança para adopção, as crianças representam um rendimento mensal muito alto e nem sempre se pensa primeiro no bem estar delas.

Sou presidente e um dos fundadores da Missão Criança, uma associação que tem por objectivo precisamente a defesa destas crianças.

 

- E em relação à adopção: porque é que a maioria dos processos acaba por se revelar tão complicada em Portugal?

 

Na verdade os processos não são complicados, um processo de adopção é muito simples, basicamente respondemos a um questionário e participamos me 3 entrevistas, o problema é que em Portugal há muitos mais candidatos que crianças para adoptar, das 11000 crianças entregues ao estado só perto de mil tem como projecto de vida a adopção, logo, existem tempos de espera muito longos, porque há poucas crianças e muitos candidatos.

 

- Conhece algum caso específico em que a família de acolhimento temporário se dê bem com a biológica em nome do bem-estar primeiro da criança?

 

Não, conheço muitos famílias que adoptaram ou que pensam adoptar, mas não conheço famílias de acolhimento.

 

- Como é que se poderia, de forma efectiva e célere, garantir o delinear de um projecto de vida adequado para cada criança?

 

Teria que se pensar sempre em primeiro lugar na criança, e não na família biológica.

 

- No caso da Esmeralda a decisão do tribunal foi a mais acertada, tendo em conta o equilíbrio da menina e o facto de ter sido a família de acolhimento a criá-la nos primeiros cinco anos de vida (uma idade decisiva)? E no caso da pequena Alexandra, a menina russa?

 

No caso Esmeralda existiram muitas decisões dos tribunais, a primeira foi quando a criança tinha 8 meses, se em lugar de criar uma guerra na justiça, tivessem entregue a criança nessa altura, a sua pergunta nem se colocava. O problema é que aquela família tentou por todos os meios contrariar a lei e os tribunais, só eles são culpados de que a situação se tenha arrastado. Eles só ficaram com a criança até aos cinco anos porque nunca cumpriram a lei e as ordens do tribunal. É evidente que com 5 anos a criança sofreu, mas de quem foi a culpa?

 

No caso da Alexandra nunca existiu abandono, eu vi a entrevista que a família deu à RTP e o que foi dito ali mostrou que a mãe esteve sempre presente, as leis existem para defender as crianças.

 

Estes casos constituem precedentes que podem ser muito graves, porque podem dar a ideia de que basta arranjarmos alguém que nos dê uma criança para ela ser nossa e isto pode abrir caminho a muitos esquemas, inclusivamente ao tráfico de crianças, eu sou candidato à adopção, no primeiro processo esperei 3 anos, neste estou à espera há um ano, se alguém me disser que um caso como o da Esmeralda passa a ser legal, vou ali à esquina, levo um maço de notas e arranjo alguém que me dê uma criança, ou mando vir uma de uma favela do Brasil, ou arranjo uma prostituta Russa que tenha uma para mim... é muito mais fácil e mais rápido que aturar assistentes sociais e estar anos à espera que o telefone toque... é preciso ver que estes casos são muito perigosos para o futuro da adopção em Portugal... por isso sim, eu acho que em ambos os casos a justiça esteve bem.

 

Jorge Soares

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Terça-feira, 14 de Abril de 2009

Adopção:Crianças devolvidas, porquê?

Crianças devolvidas
 
Não me lembro quando foi a primeira vez que ouvi falar de crianças devolvidas por pais adoptivos, mas como devem imaginar é um assunto que me choca, se já é mau que uma criança seja abandonada, imaginem o que sentirá quando é abandonada uma segunda vez.  É difícil sequer imaginar o que possa sentir uma criança que por vezes está anos à espera, uma criança que muitas vezes anseia por uns pais que lhe dêem amor e carinho e que quando finalmente acha que os encontrou, é posta de lado como se de um brinquedo defeituoso se tratasse, conseguem imaginar o que se possa sentir?
 
Já ouvi umas 4 ou 5 histórias de devoluções de crianças, ontem um dos jornais falava de um casal que devolveu uma criança porque ela não se conseguiu entender com o cão da família. Acreditem ou não, este não foi o caso que mais me chocou. O caso de devolução que mais me chocou foi um em que o motivo para a devolução era... que a criança era carinhosa demais. A candidata a mãe (ia dizer mãe, mas há pessoas que não merecem esse nome) dizia que a criança se tinha apegado demais a ela, que só queria beijinhos e abraços e que nem no centro comercial desgrudava. Quando me contaram isto eu simplesmente não consegui acreditar.... 
 
Segundo  o mesmo jornal, no últimos 4 anos 80 crianças foram devolvidas aos centros de acolhimento, há uns meses o número era de 70, agora passou para 80, não faço ideia de onde tiraram a informação, mas eu entendo que mais que o número, o que interessa aqui é  perceber o que falhou, sim, porque é muito fácil deitar as culpas para quem devolve a criança, mas falta o resto, e o resto está evidentemente em quem avaliou e aprovou essas pessoas como candidatos a adoptar.
 
Os processos de adopção demoram pelo menos 6 meses, é necessário responder a questionários com muitas e complicadas questões, são necessárias entrevistas sociais e psicológicas.... o que falha?
 
Do meu ponto de vista falham muitas coisas, evidentemente que em primeiro lugar falham os candidatos, para a adopção é necessário ir com o coração, há muita gente que só vai para a adopção em ultimo recurso, quando já esgotaram todos os restantes recursos, pessoas que sonham e anseiam com um bebé, sangue do seu sangue...e que depois quando recebem uma criança que de bebé já não tem nada, quando lhes entra pela casa dentro um estranho com vontade própria e que muitas vezes tem uma historia de vida que não se recomenda a ninguém, simplesmente concluem que não são capazes.
 
Mas será que estas situações não deveriam ser detectadas pelas equipas de avaliação? Do meu ponto de vista é claro que sim, se a maioria dos processos até leva mais que os seis meses de lei, porque é que estas coisas acontecem, como é que uma psicóloga não detecta algo estranho numa mãe que depois devolve uma criança porque é carinhosa demais? 
 
Este é um tema muito complicado, mas termino como comecei, no meio de tudo isto quem sofre são as crianças, ser abandonado uma vez, ser colocado num centro de acolhimento onde muitas vezes não se passa de mais um numero, ser esquecido pela família e pelo estado e quando finalmente se pensa que se encontrou uma vida...ser abandonado de novo como se de uma peça defeituosa se tratasse..deve ser algo que marca para toda a vida...e nenhuma criança deveria ter de passar por isso.
 
Adoptar uma criança não é fácil, não tem nada a ver com passar-se 9 meses a ver crescer uma barriga, pensar nos nomes que iremos escolher, ver as fotografias das eco grafias, sonhar com a cor dos olhos, adoptar não é nada disso. Adoptar é receber nos nossos braços um ser humano que existe, um ser humano que já viveu e que muitas vezes tem opinião e maus hábitos. Adoptar  é receber em nossa casa um estranho que não nos diz nada e que de um dia para o outro veio para ficar.
 
A maioria dos candidatos cria expectativas, sonha com esse filho que tanto deseja, idealiza pessoas e situações, acreditem em mim, a probabilidade de que as coisas sejam como as idealizaram.. é muito pequena... mesmo muito pequena... e na maior parte dos casos, não é nada fácil, porque não podemos esquecer que estamos a falar de crianças que já foram marcadas pela vida muito antes de nos conhecerem. Por isso, adoptar tem que vir do coração.
 
Jorge
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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Testemunho de uma familia diferente

Bruno

 

"Dia Mundial da Criança - Testemunho de uma familia diferente


Desde sempre tive o desejo de adoptar uma criança. Sempre abominei a  ideia de crianças a serem maltratadas, sem um lar, sem comida, sem  carinho de qualquer espécie… enfim… sem AMOR.

 

Cedo me tentei informar de como fazê-lo… Bati a algumas portas, mas  rapidamente percebi a triste realidade de que para adoptar sozinha  teria de esperar pelos 30 anos.

 

Pouco depois de fazer 30 anos inscrevi-me numa lista de espera de  adopção, na SS da minha área de residência. Nesta altura, pela  primeira vez tive duvidas. Eu ia aceitar uma criança diferente… Será  que eu era capaz? Desisti do processo…

 

Uns anos mais tarde, e depois de ter a certeza absoluta de que  conseguiria ter um filho diferente, no dia 7 de Outubro de 2005,  enviei a minha candidatura para a SS da área da minha residência.


O que é que eu pedia? Eu pedia uma criança até 3 anos, não  interessava se menino ou menina, não importava etnia. Podia ter  problemas, desde que não fosse deficiente profundo, não andasse em  cadeira de rodas (moro num terceiro andar sem elevador) e não fosse 
autista… no meu processo disse explicitamente que aceitava uma  criança com Trissomia 21.


Em quatro meses fui considerada candidata individual apta e em menos  de um ano apresentaram-me o processo do meu Tesourinho.


Do processo constava toda a história do Bruno: nasceu em 2003,  tem cardiopatia (foi operado ao coração com 2 meses – meu pobre  bebé), é portador de Trissomia 21 e na avaliação de desenvolvimento,  realizada aos 31 meses, tinha apenas 19 meses de idade mental.


O processo não tinha fotos… o que eu dava para ver uma foto deste  menino… juntar uma cara a tudo o que tinha lido…


As assistentes sociais perguntaram-me se eu queria ver fotos do  menino. Eu disse que sim… se já me tinha apaixonado pela história  dele, neste momento, interiormente, decidi que ele ia ser o meu  filhote. No entanto, pedi um tempo para pensar em todo o processo do 
menino e também para ver as reacções da família e amigos  relativamente ao facto de o menino ter Trissomia 21.


As reacções da família não podiam ter sido piores… Foi talvez a  semana mais difícil da minha vida… Com o apoio apenas de uma pessoa  (que é hoje a Madrinha do meu menino).

 

Face a estas reacções pedi autorização para ver o menino antes de  tomar a minha decisão definitiva. A autorização foi concedida e a  visita agendada para o dia 03 de Outubro. Pedi à minha amiga que  fosse comigo, para eu me sentir mais apoiada. Ela acedeu (obrigada  Sandrinha)… A minha Mãe também fez questão de me acompanhar e eu não  me opus…

 

Este foi talvez o meu maior erro… Fez e disse de tudo para  que eu não quisesse o menino. Chegou finalmente a hora de conhecer o Bruno… Ele era tão lindo!!!

 

Tinha Trissomia 21, é verdade… Isso tornava-o especial… Adorei aquele  menino…


No dia seguinte liguei para a SS a confirmar que este ia ser o meu FILHO. E pedi autorização para estar com ele no dia dos 3 aninhos  dele (as visitas oficiais só começavam no dia 09 de Outubro).


No dia 6 fui convidada de honra da Ajuda de Berço para assistir à  festinha de aniversário do meu filhote. Não me vou esquecer nunca do  olhar desconfiado daquele menino para mim… O que é que esta estranha  está aqui a fazer? Porque é que ela não para de olhar para mim?  Porque é que ela me tira fotos? O que é que ela trás na mão? Uma  prenda? Para mim? Imagino o que terá passado na cabecinha dele… As  visitas duraram apenas três dias!!!


E ainda há quem diga que eles são diferentes… Nada disso… O meu  menino (com Trissomia 21) apenas precisa do mesmo que todos os outros  meninos: UM COLO, AMOR, CARINHO, MIMO, REGRAS, enfim… uma FAMILIA.


Era isto que eu me proponha a dar-lhe… E numa quinta-feira, no quarto  dia de visitas, o Bruno veio para a sua casa.


Agora ele já não era só um menino com Trissomia 21. Era um menino com  Trissomia 21 com uma família. Com uma família que o adora… Que o  escolheu diferente dos outros por saber que embora diferente, o  Tesourinho vai conseguir alcançar tudo o que quiser.


Por ter a certeza que ele vai conseguir ir longe, e com isto apenas  quero dizer o mais longe que ele algum dia conseguir chegar. Vou  adorá-lo sempre… independentemente de tudo…


Devo dizer-vos que, aos três anos de idade o Bruno ainda andava muito  pouco, não sabia dar um beijo, mal dizia uma ou duas palavras que se  entendessem, usava fraldas de dia e de noite, não demonstrava  interesse por quase nada…


Hoje, com quatro anos e meio e há ano e meio com Mãe e Madrinha  constantemente presentes e a ser constantemente estimulado, o Bruno  dá os melhores beijinhos do mundo, corre, dá pontapés numa bola a  correr, pula, dança, canta, já diz algumas palavras que qualquer  comum mortal entende, à maneira dele, mas já começa a fazer frases  (as preferidas dele são "bom dia Mamã / Madrinha"; "quero batatas e  pão" e "quero pão com manteiga"), não usa fralda durante o dia desde  Setembro do ano passado, já demonstra preferências por alguns  desenhos animados, já pede alguns brinquedos na loja, já tem dois  amigos preferidos (o Leandro e o Pedro), já pega num lápis sem ser  obrigado e faz círculos, …


Claro que passei por todos os preconceitos que passa qualquer pessoa  que tem um filho com Trissomia 21. A mim chegaram-me a dizer (alguém  que tem um filho com Trissomia 21): "Nós não os queríamos ter e você  vai buscar um… Porquê?"


Claro que já tive muitos problemas com escolas… Inclusive a escola  onde o Bruno esteve no ano lectivo passado chegou a dizer à SS que eu  era demasiado exigente com o menino e que o estimulava em demasia  (elas tinham o menino numa sala com crianças de dois anos… claro que  ele tinha de trabalhar em casa… o modelo dele eram crianças de 2 anos 
e ele tinha 3…)


Nos dias 12 e 14 de Maio deste, o Bruno fez a avaliação (anual) de  desenvolvimento. Fiquei tão orgulhosa do meu menino…Tal como diz a  Mãe da Sara, para os nossos meninos, "o céu é o limite".

 

Maria João Pereira, mãe do Bruno"

http://otesourinho.blogspot.com

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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

Adopção:Então e os genes?

Adopção

 

 

Não sei se alguém se lembra do post em que falava dos genes e das duas mulheres cá de casa?... certo certo é que desde então o clima de guerra está instalado, e os dois homens já estamos a pensar pedir asilo algures... mas disso já falarei outro dia 

 

Estes dias recebi um email em que alguém dizia o seguinte:

 

Acho que a maior dificuldade é não sermos um casal infértil e ninguém perceber porque é que podendo ter filhos biológicos alguém se propõe adoptar uma ou mais crianças. è recorrente a questão mas não queres ver os teus traços na criança, mas e os genes perdem-se e blá blá blá...

 

Não é uma conversa que não tenha escutado antes, eu e todas as pessoas que optaram por adoptar mesmo podendo ter os seus filhos biológicos. Não consigo perceber porque é que as pessoas acham que os genes do meu filho adoptado não são melhores que os meus, ou porque é que eu haveria de preferir os meus genes a outros qualquer... mas deve haver alguma razão lógica..... aliás, atendendo ao post que referi no inicio... bem que tínhamos dispensado alguns dos genes da R... que o N.  é bem menos reivindicativo.

 

Mas voltando ao mail, vou de novo socorrer-me da resposta da Sandra:

 

tal como vocês também nós não somos inférteis (que saibamos, porque nunca tentámos engravidar nem queremos!). A recepção por parte da nossa família e amigos até foi bastante boa, mas a verdade é que já estavam preparados para tal. A mim desde sempre me ouviram dizer que não queria ter filhos (por uma multitude de razões que vão muito além das questões da adopção, da protecção à infância e que se prendem com formas específicas de '"ver" o mundo). Todas essas razões, levaram a que a adopção de uma criança (quando a vontade de sermos pais surgiu) fosse a escolha mais óbvia e lógica.

 

Apesar da desilusão da mãe do meu companheiro e também da minha, a aceitação foi muito boa e a minha filha hoje (e desde o início) está perfeitamente integrada na família. 

 

Mas é claro que também tivemos de responder a algumas questões como as que indicaste. Essa dos genes então tira-me do sério. Normalmente, a minha resposta é "quem lhes disse a eles que os seus (e meus) genes eram melhores do que os de outra pessoa qualquer no mundo?!". Tentei sempre explicar também porque é que os genes, a biologia, o sangue e a carne não significam nada para mim. O que me importa são os afectos. E exemplos de como isto é verdade não faltam à nossa volta. Na sociedade, no nosso círculo de amigos, no seio da nossa própria família! 

 

Esses impulsos de transmitir os genes, deixar descendência biológica, etc..., funcionava em tempos muito, muito remotos, em que o objectivo humano era, como o de qualquer outra espécie a sobrevivência e a evolução. Não quer dizer que hoje, esses impulsos não existam, mas existem também uma série de outros factores com um peso enorme e o facto de, enquanto seres racionais que somos, podermos e termos o dever de ponderar todos os condicionantes.

 

No seguimento disto e em relação às dúvidas das pessoas, sobre o porquê de não querer ter filhos biológicos, a resposta é também, para mim, óbvia:

 

- O planeta está sobrelotado.

- Os recursos, por mais que as pessoas teimem em ignorar esse facto, são finitos.

- Toda a ideologia política, económica e social na qual se baseiam as sociedades actuais, aniquila-me qualquer ponta de optimismo em relação a «esta» humanidade. 

 

Considerando tudo isto (e muito mais, mas se começo nunca mais paro!), porque razão é que eu quereria pôr mais um ser humano cá?! Para mim isso simplesmente não faz sentido.

 

- Depois, também acresce a questão da prioridade: já cá estão crianças sem família. Neste mundo. Já existem. Estão primeiro do que as que ainda não existem! Parece-me lógico, não? Então primeiro há que tratar destas. É tão simples quanto isso. 

 

Esgotados todos os argumento lógicos, resta-nos o inestimável direito de decidirmos sobre a nossa própria vida: "É assim que vai ser porque eu quero. É a minha/nossa vida e eu/nós é que decidimos. Se querem apoiar, muito bem. Se não querem, olhem, vão dar banho ao cão!"

 

Sandra..... tu és demais!

 

Post publicado inicialmente no blog:O que é o jantar

 

Jorge

 

PS:imagem retirdada da internet

 

publicado por Jorge Soares às 23:27
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Porque este blog também pretende prestar algum serviço público..

 

SU


Aqui a vai a entrevista que me foi feita por uma estudante de Comunicação social da Universidade de Coimbra:


Sabe porque razão foi para a adopção?
Fui para Adopção porque passei por um abandono e rejeição por parte da minha progenitora.

Com quatro anos sabia o que se passava, com todo o processo, mudança de casa e tudo o resto?
A forma como uma criança aos 4 anos vê e percebe a vida é um pouco menos simplista do que se possa pensar. Recordo-me de um dia em que ia de mão dada com a minha ama ao chegar à escola, olha para uma das meninas com que costumava brincar durante o dia que vinha de mão dada com a avó. E lembro-me de pensar porque não tinha eu uma avó e muito menos uma mãe. Tinha a noção que estava ali porque não tinha família, sentia-me triste com isso mas não percebia claramente os condicionalismos de tal vivência. 

Quando lhe contaram que era adoptada?
Permita-me a (im)pertinência de a corrigir. Eu não era adoptada. Eu tinha sido adoptada. Hoje, eu Fui adoptada. Os tempos verbais e os conceitos fazem grande diferença no modo como vemos e catalogamos as coisas. O termo adoptado, é um momento, depois desse momento vem todo um processo, mais ou menos longo depende das particularidades de cada um.
Eu sempre soube que tinha uma vivência distinta. Talvez nos primeiros tempos tudo surgisse de forma meio enevoada e desconstruida ao nível da minha consciência, mas foi algo que tinha presente. Os meus pais sempre tiveram a inteligência de o abordar de forma clara e sem qualquer tipo de inibições. Não houve, por si só, uma revelação ou o dia D. Foi um processo de questionamento liberal sobre os Porquês? os Comos? e os Quandos?. Um processo adaptado à minha realidade etária.

Qual foi a sua reacção?
Não houve uma reacção, existiu sim uma crescimento pessoal que culminou na aceitação da rejeição como um fenómeno de responsabilidade não partilhada. Esse processo de maturação passou por fases de revolta, frustração, raiva, falta de amor próprio. Momentos esses necessários e plenos de normalidade. Foram-se intercruzando com os típicos momentos de desenvolvimento, com as minhas características pessoais e com as normas societais que regem o meu dia-a-dia. Não foi um momento de descoberta, foi um processo de descoberta e de busca interior. Intenso, por vezes perturbador mas muito enriquecedor e que dita a pessoa que gosto de ser hoje. 

Por ser de origem africana alguma vez se sentiu discriminada?
Em nenhum momento senti alguma discriminação por ser de origem africana. Sublinho que os meus pais são os tipicos caucasianos aportuguesados e que há vinte anos eram pioneiros. em todo esta realidade. A discriminação vai acontecendo todos os dias em que me dizem " e os teus verdadeiros pais? Não os queres conhecer". Está implícita naquilo que socialmente está normatizado para o que é, de facto, uma familia e especialmente para aquilo que não é. Hoje em dia começa a ser até bem visto a tipica familia benetton, o problema é quando se fala de crianças das crianças ditas pretas retintas. Arrepia-me a espinha quando oiço dizer " Ai como eu adorava ter um filhinho chinesinho"... é a familia como o espelho da consciência estética societal. Uma criança é uma criança em qualquer parte do mundo. Amarelo, branco, vermelho, assim-assim ou preto retinto.

Conhece a sua família biológica? Ou gostaria de conhecer por curiosidade? Porquê?
Nunca tive qualquer contacto com a minha familia biológica. Com a excepção do meu irmão, com quem partilho o tal principio de consanguinidade. O desejo de conhecer a minha familia biologica centrou-se apenas nos meus irmãos e não por uma questão de identificação mas sim de um sentimento de co-responsabilidade perante o desfasamento entre o que eles mereciam ter e as oportunidades das quais eu usufruia. Sentia-me simultaneamente responsavel e culpada pelo que não lhes acontecera e vivia a debater-me com esse sentimento misto de impotência. Foi algo que consegui resolver internamente quando me consegui libertar do contracenso de acreditar no valor pleno dos laços de amor e no valor imposto pela superioridade genética defendida pela sociedade em que habito.

Adoptaria um dia uma criança?
Eu desejo com todo o coração ser mãe. Como me assumo defensora dos laços de amor e tenho os braços abertos para quem neles procurar colo e um simples " amo-te de coração" é claro que pretendo um dia recorrer à adopção. Espero que nesse dia à espera não seja tão longa como hoje em dia. 

Como psicóloga acha que o meio envolvente e o modo como é criada uma criança pode "apagar" os vestígios dos maus tratos passados, se for o caso?
O contexto é uma fonte de dor mas é também uma fonte de cicatrização. O principio é o de que nada há para apagar. Tudo faz parte de nós, porque somos individuos inteiros, e o tempo é um processo continuo que não deve ser refractado em presente, passado e futuro. Somos unos, e nesse unidade devemos compreender, integrar e viver em paz como o que Somos. A educação é uma forma de amor e o amor que se encontra após o temporal da rejeição e do abandono no seio de uma familia intencional e conscientemente vocacionada para o amor são fundamentais. Eu não tenho a pretensão de apagar seja o que for na minha história porque ela faz demim a pessoa em que me transformei hoje e faz-me transbordar de amor de cada vez que olha para familias que passaram como eu por este processo e que são como um espelho demim e da minha familia. Também elas não têm a pretensão de apagar nada. Porque não há nada para apagar, tudo há para amar.

Como pode o amor disciplinar uma criança?
O amor disciplina na sua incondicionalidade. Na aceitação das intempéries, das virtudes e das particularidades de cada um. Disciplina na aceitação da imperfeição. E ama-se assim. É assim que estes pais amam todos os dias. Incondicionalmente. Nos momentos mais devastadores, nos momentos de maior ternura. É assim que se disciplina. Com amor. E estes pais, estas familias estão especialmente vocacionadas para a cura através do amor. Porque é ele a sua maior ferramenta. Porque tudo o que fazem, as decisões, os momentos de espera e de aflição, as gravidezes que se prolongam durante anos, os processos de avaliação a que se sujeitam só o fazem porque têm amor para disciplinar, para crescerem e ajudarem a crescer.

Qual o momento adequado para contar a uma criança que é adoptada?
Desde sempre. A camuflagem devirtua a verdade e a vivência que cada um faz dela. Negativiza, cria gaps de comunicação. E mais uma vez chamo a atenção para a utilização do tempo verbal. O processo de adopção termina quando se atinge um estado de vinculação. Estas crianças são filhas no coração desde sempre. Antes de ser já eram. O tabus, as meias-verdades envenenam a relação. Retiram-lhe a base de segurança que devem ostentar. Claro que deverá sempre existir um cuidado quanto à forma como se vai gerindo e respondendo às questões, devendo existir um ajustamento à particularidade da criança em causa. À idade, ao momento de maturação, às suas fragilidades. A informação deve ser indo gerida com cuidado mas sempre, sempre com verdade.

Como é que um adoptante deve encarar todo o processo?
Com persistência, com resiliência. E esse principio de resiliência aprende-a todos os dias com estas crianças, que são o maior exemplo de resiliência que a sociedade conhece. É um processo adaptado à realidade cada um e às particularidades de cada familia. O amor trabalha-se. O amor vive-se dia-a-dia. Nem sempre se vive um amor à primeira vista. Não romantizemos as coisas. E nada nisso há de errado. O amor constrói-se na vivência partilhada. Por isso vivam com paciência, com paz de espírito e com amor. Munam-se de informação, criem uma boa rede de apoio social e combatam o isolamento.

Concorda que o período de acolhimento é a fase mais importante de todo o processo? Porquê?
Todas as fases do processo têm a sua relevância. E todas elas devem ser bem conseguidas porque só aumentam a probabilidade de obtenção de um processo de adopção de sucesso. E o que sucede é que se continuam a ter bases de apoio deficitárias e a passarem-se muitas vezes por processos ansiosos e de alguma escuridão. Isso também dita o processo de acolhimento. O processo de acolhimento não pode ser visto como determinista. Os passos dados por ambos os lados - os adultos e a criança - são ainda artificiais no seu cuidado e no estudo da natureza do outro. Não considero que hajam momentos mais importantes que outros, tudo faz parte do processo, embora seja esta fase talvez a de maior proximidade e mais preditiva ao nível da concretização da adopção. Mas há que ter cuidado aquando da análise deste periodo e não cair em reducionismos limitadores.

 

SU

 

Publicado originalmente no blog: Wake up Little Susie

publicado por Missão Criança às 22:08
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Domingo, 18 de Janeiro de 2009

Crianças mais velhas?... claro que sim!

Adopção de crianças mais velhas
 
Esta semana recebi no meu email uma mensagem que chegou do grupo Nos Adoptamos
 e que entre outras coisas dizia o seguinte:
 
"Estamos a pensar adoptar uma criança entre os 5 e os 7 anos porque há  muitas crianças dessa faixa etária por adoptar e porque, pelo menos em  teoria, será um processo mais rápido. No entanto, uma pessoa conhecida aconselhou-nos a adoptar uma criança com 5 anos no máximo, porque após  essa idade já começam a ter uma personalidade bem vincada e mais  dificilmente moldável. Partilham desta opinião? O que é que a vossa  experiência vos diz?"
 
Há pessoas que ainda acreditam que as crianças são moldáveis, está-se mesmo a ver que não conhecem os meus filhos. O meu filho foi-me entregue com 1 ano, tenho uma filha biológica e pelos vistos devemos ser uns péssimos pais, porque cada um tem a sua personalidade..... que por certo são a antítese um do outro, e acreditem em mim, se eu pudesse mudava ambos. No outro dia e ante as queixas das professoras de um e de outro, a P. virou-se para uma das professoras e disse:
 
- Deus fez um péssimo trabalho com os meus filhos, conseguiu dar a mais a um exactamente o que deu de menos ao outro.
 
Uma criança é uma criança, não há duas iguais, conheço casos de adopção de bebés que à medida que crescem são uns autênticos terroristas e casos de crianças que foram adoptadas com 6 e 7 anos que são os filhos que todos sonhamos ter. 
 
A Sandra, na sua resposta ao email dizia o seguinte:
 
"Acho que as pessoas confundem a necessidade de 'impor regras' ou de ' estabelecer alguma disciplina ou organização' com o 'moldar a personalidade' ou 'obrigar a criança a obedecer cegamente'. A imposição de regras, de disciplina ou organização, mesmo com crianças teimosas como a minha ou desorganizadas ou qualquer outra coisa, acontecem naturalmente se lhes explicarmos o porquê dessas regras e disciplina, a função delas, o que acontece se não forem observadas. Não é necessário 'moldar' coisa nenhuma. Nem é necessário, nem sequer é possível. Daí essa observação não fazer sentido.

As crianças com cerca de 5, 6 ou 7 anos, começam é a desenvolver mais e melhor outras capacidades - de expressão, de pensamento abstracto, etc... Agora a personalidade não está em stand by e não se começa a desenvolver com mais afinco a partir de determinada idade! 

Outra grande vantagem das crianças mais velhas é que já têm uma compreensão da realidade muito mais profunda e concreta do que as crianças mais novas (resultante do desenvolvimento de competências e não do desenvolvimento da personalidade) que, no meu caso, tornaram toda a integração e adaptação muito, mas muito mais fácil."
 
Normalmente estou de acordo com a Sandra, desta vez faço minhas as palavras dela...  literalmente.
 
Qualquer criança adoptada passou por um abandono, e isso vai viver com ela para o resto da sua vida. Podemos pensar que as crianças mais pequenas sofrem menos com isso, ou que são menos marcadas, a minha experiencia diz-me que isso não é verdade, o meu filho cresceu com o facto de ser adoptado, e à medida que ia crescendo e tomando consciência do que isso significa, ia reagindo... umas vezes melhor, outras pior, mas é algo que todos tem de enfrentar. Se pensarmos bem, uma criança mais velha já interiorizou o facto, na maioria das vezes já o aceitou e está tão desejosa de uma família, de amor e carinho, que se vai entregar de alma e coração aos novos pais.
 
Post publicado inicialmente no blog:O que é o jantar 
 
Jorge
PS:Sandra, eu sei que plagiar é feio... obrigado
PS:O grupo de mail Nós adoptamos é um grupo de discussão onde participam, pais, candidatos e adoptados.

  

publicado por Jorge Soares às 19:19
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Domingo, 4 de Janeiro de 2009

Adopção:A lei diz seis meses....

Imagem retirada da internet

 

Em Setúbal o tempo não está a ser cumprido e no resto do país ?

A minha própria experiencia, leva-me a afirmar que em Setúbal o tempo de 6 meses estipulado por lei para se avaliar os candidatos à adopção não está a ser cumprido.

E no resto do País como estamos?

Deixe aqui o seu testemunho!

  

publicado por Missão Criança às 21:38
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Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

ADOPÇÃO EM PORTUGAL: Uma História de Terror

Adopção em Portugal, Nós adoptamos

Imagem retirada da internet

 

Imagine que um dia é acometido de um forte e incontrolável desejo de ser pai ou mãe em Portugal, por processos que nada têm a ver com os biológicos. Nada mais perigoso. Esse ímpeto, normalmente entendido como um sinal de generosidade e afectividade, é no nosso país convertido numa força maligna que se vira contra a vida dos sujeitos donde parte, os quais rapidamente se transformam num número de ordem numa lista secreta e macabra que parece ter por fim retirar anos de existência a um conjunto de seres que dela depende. O número do ano em que tomou essa decisão é ele mesmo negro. Pode ser 2001, 1998 e até 1996. Sim, há mais de onze anos que potenciais candidatos a exercerem a sua paternidade aguardam ainda pelo facto extraordinário de se tornarem pais, que no nosso país é quase um fenómeno sobrenatural. Para que este aconteça, os profissionais envolvidos no processo aconselham os candidatos a terem muita fé e crença, como se estes dependessem dos poderes especiais de alguma entidade divina. Embora muitos deles não percam o seu fervor religioso, todos os potenciais candidatos perdem algo muito importante e real: anos de vida. Numa inexplicável espera, desperdiçam-se anos de afecto, partilha e convivência que provocam danos físicos e psíquicos irreparáveis. Para não os provocar, necessário seria que tanto crianças como pais não fossem humanas. Só assim seria possível resistir a um processo de adopção que ainda não entendeu que o melhor método de o tornar eficaz é simplesmente não criar problemas onde eles não existem e confrontar-se com as gravidades que ignora. Algumas delas encontram-se nas estatísticas assustadoras que referem os milhares de crianças que resistem encarceradas nas várias instituições, à espera de adopção. Segundo fontes oficiais, apenas 305 crianças portuguesas das 15 mil a viver em instituições estão aptas para serem adoptadas. Em 2006, 1.933 candidatos a pais adoptivos tinham já sido avaliados pelos serviços da Segurança Social e estavam em condições de adoptar, contudo mais de 400 continua ainda em lista de espera desde 2003. No entanto, estes dados não são suficientes. Há sempre aqueles que não acreditam em estatísticas, ou se as reconhecem, assumem que afinal quem tem parte da culpa são exactamente os candidatos a pais que se recusam a adoptar crianças com mais de três anos de idade, pois nas histórias de terror há sempre reversões de papéis em que muitas vítimas se transformam em vilões. A verdade é que tal não pareceria uma opção malévola, se o sistema tivesse a seu tempo resolvido, com a celeridade devida, todos os processos, impedindo que qualquer criança ficasse nas instituições de acolhimento para além dos três anos de idade.

 

A esta evidência de erro processual juntam-se outras, como é o caso da resposta à questão nº 32 do formulário do questionário individual à adopção, que requer resposta à seguinte pergunta: “Quando pensa na adopção idealiza uma criança com que idade, sexo e etnia?”. Se o candidato for totalmente sincero para com os seus ideais, arrisca-se a permanecer em lista de espera eternamente, como alguém que joga num jogo de sorte e nunca vê contemplado o número em que apostou.  Se tiver idealizado uma menina até 4 anos e mais tarde surgir um rapaz de 5, ninguém o contactará, pois o técnico responsável passará para o candidato seguinte, alegando que essa criança não fazia parte do seu projecto de vida, e como tal não lhe seria adequada. E assim se arrastam infinitamente muitas candidaturas a pais que dependem de um processo rígido e formatado para parecer objectivo e rigoroso, mas que acaba por ser profundamente cruel e obtuso nos seus métodos, sendo totalmente desprovido de flexibilidade mental, inteligência emocional e sentido de urgência que as situações exigem. Tanto quanto sei, a existência de filhos de pais biológicos nunca dependeu deste tipo de questões, pois se o dependesse depressa baixariam drasticamente as taxas de natalidade. Este facto deveria ser mais considerado no sistema de adopção, sobretudo quando se detém excessivamente nesse conceito de “ideal” aplicando-o também à selecção de pais para as crianças, pois essa mesma fixação numa utopia, desactualizada e desajustada da realidade, é responsável por se continuar a preferir casais a candidatos singulares, ignorando completamente certos estudos sérios sobre a matérias (1) que, atentos às reais disfuncionalidades das famílias tradicionais, vêm comprovar o sucesso da adopção por esta espécie de candidatos detentores de uma maior resistência e confiança em enfrentar dificuldades, sendo igualmente possuidores de uma qualidade da componente afectiva preservada pela serenidade do clima familiar que proporcionam, o que permitiu afirmar a Eduardo de Sá, em “ A Família por dentro e por fora”, que “uma família onde só a mãe ou só o pai desempenham uma função educativa pode ser, e é-o em muitas circunstâncias, uma família melhor que muitas ditas tradicionais.”(p.13 Xis, 2003).  Tudo isto para dizer que, se existe uma lista ordenada de candidaturas, essa ordenação deveria ser respeitada independentemente das características dos candidatos e de algumas das suas preferências de maior pormenor, as quais só deveriam servir para traçar um perfil dos seus desejos, útil em certos casos, mas não para vinculação definitiva a uma opção que poderá nunca concretizar-se na prática, pois como sabemos a realidade nem sempre corresponde aos nossos sonhos e não será por isso que alguém se tornará num mau pai ou mãe, já que neste, como noutros aspectos, os pais adoptivos não são menos humanos do que os pais biológicos, sendo bom não esquecer que ambos pertencem à mesma espécie.

 

Deste facto se esquecem muitas vezes os técnicos responsáveis, eles próprios também sujeitos a um inoperante mecanismo burocrático que os impede muitas vezes de se lembrarem da sua humanidade. Com imensos casos para darem resposta, detêm em seu poder uma lista ordenada de candidaturas que os próprios candidatos desconhecem ignorando a sua posição e evolução da mesma, assim como os critérios de selecção a que obedecem. Presos em difíceis decisões em que imperam critérios subjectivos e estereotipados, que os fazem preferir casais a candidatos singulares, indivíduos do sexo feminino aos do sexo masculino, candidatos mais jovens a outros mais velhos, etc, certos profissionais responsáveis pela adopção, não assumem, na maior parte das vezes, esta responsabilidade, atribuindo aos tribunais a razão da lentidão dos processos e às instituições de acolhimento o motivo de certas preferências de selecção. Se questionarmos o outro lado, dir-nos-ão exactamente o inverso e assim se mantêm ad eternum muitos candidatos, cuja única culpa que sentem possuírem é a de necessitarem candidatar-se a tão absurdo e injusto impasse. Para minorar este compasso de espera, é-lhes agora sugerido alguns momentos de paciente e pedagógica leitura, pois será lançado, até ao final do ano, um manual de formação para quem queira adoptar uma criança. Com todo o devido respeito pela intenção de esclarecimento e futura utilidade desta obra, lembro que nenhum pai ou mãe biológicos são obrigados a ler um livro de instruções para assumirem a sua paternidade, podendo-se até concordar que em muitos casos tal devesse ser obrigatório, devendo todos os casais receber no acto matrimonial uma lista bibliográfica de leituras extensivas. Mas a verdadeira razão de ser desta obra prende-se não só com o desconhecimento do lado negro processual do sistema de adopção, mas essencialmente com a sua ineficácia. Sendo eficaz, o sistema não necessitaria de uma publicação que deverá alertar os candidatos para alguns dos seus erros mais comuns, não se assumindo que esses erros são eles próprios decorrentes de processos mal orientados e da falta de verificação e fiscalização na aplicação de novas leis e medidas. Como exemplo, poderá dar-se a renitência à utilização de uma rede nacional de dados (concebida em 2003), mas a que a maior parte das delegações da Segurança Social pouco recorrem, por afirmarem provocar trocas de crianças de zonas onde as técnicas melhor as conhecem para poderem proceder a esse acompanhamento. Assim, um menino que esteja numa instituição de acolhimento na Guarda, não pode ser adoptado por um candidato de Azambuja, porque os seus dados biográficos são demasiadamente preciosos para serem enviados por correio e as informações sobre o seu comportamento demasiado secretas para serem transmitidas via fax, telefone, correio electrónico ou vídeo-conferência. E mais uma vez se verifica que o excesso de zelo e o medo de acusações, por falta de rigor ou competência, conduz a um efeito ainda mais negativo que a falta dessas mesmas qualidades éticas e profissionais.         

 

Até que todo o sistema se regule de acordo com novas decisões que foram legisladas, mas que dificilmente têm sido postas em prática, as escolhas dos próprios candidatos serão também usadas como um álibi, que justifica a incapacidade de regulação de processos cujos efeitos perversos parecem ter escapado totalmente ao controlo dos profissionais envolvidos, qual monstro incapaz de obedecer ao seu próprio criador. Até se atingir uma gestão mais eficaz do sistema, que se acredita desejada por todos os responsáveis, ter-se-á de conviver ainda com mentalidades fechadas, lentidão judicial, falta de dinamismo dos serviços, leis que não zelam pela sua aplicação, e outros demais obstáculos que se têm transformado em instrumentos de tortura destinados a impedir a felicidade de muitas crianças e de seus possíveis pais, que dificilmente vêm essa possibilidade realizar-se numa fase da vida em que ainda mantenham todas as suas capacidades físicas e psíquicas, que possuíam na sua data de candidatura. É que para se ser candidato a pai em Portugal, melhor seria não pertencer à espécie humana. As crianças também teriam vantagem em serem de outro mundo, como nos filmes de John Carpenter. Todas teriam cabelo branco, não envelheceriam e seriam de uma perversidade tão genuína que as tornaria imunes a qualquer tipo de maldade que sobre elas recaísse. Só este elevado grau de inumanidade poderá resistir a um sistema profundamente inumano, onde a vontade e a exigência de mudança não tem sido suficientemente forte para impedir que a maior parte dos seres nele envolvidos não continuem a viver uma história de perigo e perseguição por forças difíceis de nomear, como muito desse mal que a autora de Harry Potter viu personificado em Valdemor, e cuja presença é demasiado real e não imaginada, para muitas crianças presas num sistema gótico de adopção, embora todas elas tenham direito a acreditar que a vida não está somente repleta de factos e seres inomináveis. Os candidatos a pais também gostariam de acreditar nisso, mas para tal será necessário combater a magia negra na qual se encontram presos, de uma forma mais eficaz que certas leis, aparentemente tão mágicas como varinhas de condão, mas que, se não contarem com a inteligência, sensibilidade, coragem, sentido de responsabilidade e bom senso, apenas contribuirão para os manter petrificados como mudas estátuas que o tempo se encarregará de desgastar.    

 

 

Maria Antónia Lima

Professora Universitária

(Universidade de Évora)

 


1 - Ver Sá, E.; Cunha, M. J. (1996) Abandono e Adopção – O Nascimento da Família, Coimbra, Almedina.  

publicado por Missão Criança às 09:05
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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

Reflexões sobre ter-se sido adoptado

Há algo que sempre causa grande ansiedade quando se fala de adopção: a relação emocional da criança que FOI adoptada com aquilo a - muitas vezes fantasiada - familia biológica. Parece-me até que que é uma fonte de ansiedade generalizada a todos os que ponderam avançar para este processo, ou que já s embrenharam nesta aventura de ser pais. Portanto e porque considero importante diversificar a partilha das experiências e vivências do outro lado do espelho - da criança - hoje insurge-se-me palrar sobr este tema.

 
Começo por afirmar que nunca me pareceu exequível privar com aquilo que -à falta de melhores termos - se apelida de mãe biológica. Na verdade a minha relação emocional com a imagem que construi dela foi desde a revolta a uma postura de não julgamento perante a sua escolha de vida, que foi efectivamente não ficar comigo.
 
Há uns anitos via um filme com o grande Denzel Washington, o "Antoine Fisher" em que a personagem se debatia com a necessidade de confrontar a mãe biológica, procurando perceber o porquê das suas escolhas. Eu acredito que nenhuma resposta que ela me desse poderia apaziguar a minha incompreensão. A paz que sinto em relação à escolha dela e àquilo que ela personifica encontrei-a e encontro todos os dias em que aprendo a gostar demim.
 
Para mim as respostas estão dentro de nós. Acredito que muitos decidem procurar a familia biologica porque nessa busca esperam encontrar um pedaço de si mesmos, do amor próprio que nunca conseguiram construir. É como sempre assumissem aquele papel de criança abandonada, de criança enclausurada no seu mundo estéril de amor e de emoções. E por isso procuram fora aquilo que não conseguem encontrar dentro.
 
Não estou a tecer nenhuma crítica e sublinho que cada caso é um caso. Cada um segue o caminho que consegue para chegar a si mesmo, dispondo das ferramentas que possui.
 
Eu acredito que quando nos sentimos unos e aceitamos verdadeiramente o que somos essa busca deixa de ser necessária. Os laços consolidam-se nos afectos. Mas tudo é um processo. O que, no meu ponto de vista, vocês pais e candidatos a pais podem fazer é munirem os vossos filhos das ferramentas necessárias em vista a estes se tornarem em seres capazes de se amarem a si mesmos. Se estiveram realmente bem e felizes com o que têm, onde estão e com o que são o abraço para onde quererão correr será sempre para o vosso.

 

 

 

Susana

Publicado originalmente no blog http://wakeuplittlesusy.blogs.sapo.pt/

(Susana..e que tal dares um nome ao blog?) :-)

publicado por Missão Criança às 00:44
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Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

Nota de imprensa:Entrega da petição na assembleia da República

Pelo direito a uma Família "

 

 

"A Bem Me Queres - Associação de Apoio à Adopção - em parceria com o Grupo Nós-Adoptamos, irá amanhã entregar à Assembleia da República uma Petição para instituir o Dia Nacional da Adopção de Crianças.

 
Amanhã, dia 26 de Novembro de 2008 pelas 11h30, em audiência com o Presidente da Assembleia da República Dr. Jaime Gama, a Associação Bem Me Queres irá efectuar a entrega de uma Petição para instituir o Dia Nacional da Adopção de Crianças em 10 de Maio.
 
Com o objectivo de promover o debate na sociedade civil, e em simultâneo sensibilizar as autoridades competentes para a situação dramática de incerteza em que vivem as mais de 11.000 crianças institucionalizadas, a Bem Me Queres, em parceria com o grupo de cidadãos Nós-Adoptamos, promoveu a assinatura de uma Petição para requerer à Assembleia da República a instauração do dia 10 de Maio como o Dia Nacional da Adopção de Crianças.
 
Esta Petição excedeu todas as expectativas, já que num curto espaço de um mês atingiu cerca de 5.000 assinaturas, mais 1.000 do que as necessárias para que a Assembleia da República leve este assunto a discussão."
 
 
publicado por Jorge Soares às 16:41
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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Mais uma vez se falta à verdade…ou se distorce a realidade…

crianças

 

Está a decorrer o 1º Congresso internacional sobre a adopção…e este evento deu origem a um conjunto de noticias sobre o estado da adopção em Portugal nos vários meios de comunicação….E tantas poucas verdades se contam…

   

   Vejamos a noticia que saiu no publico e que podem ler na integra aqui

   

   “O Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social garantiu hoje que as Listas Nacionais de Adopção, em vigor desde Junho de 2006, tornam processo mais rápido.”

   

   COMO ?

   

   - Se são as próprias técnicas que admitem que não usam a lista. Que entregam as “suas crianças” aos “seus candidatos”.

   - Conhecem alguma técnica das equipas de adopção que afirme que usa a lista nacional como ferramenta de trabalho?

   - Se existem crianças que o seu projecto de vida foi alterado e tal alteração não foi reflectida na lista nacional.

   - Se aos candidato não lhes é dado a conhecer o seu numero de registo na lista nacional, nem o conteúdo do seu registo.

   

   

   “Apesar das Listas Nacionais não serem uma fórmula milagrosa, o ministro Vieira da Silva defende que permitem reforçar as possibilidades de se encontrar candidatos adequados para todas as crianças, e promovem a rapidez das adopções.”

   

   - Então como é que existem crianças que estão há espera um ano ou mais, quando existem candidatos aprovados que estão dispostos a receber estas crianças ? 

 

   - Mas se na lista não consta a etnia da criança e este é um elemento que afasta muito candidatos…Como é que através da lista conseguimos saber se aquela criança A, satisfaz os requisitos dos candidatos B. Mais uma hipocrisia! Ou aceitamos que os candidatos façam restrições à raça/etnia da crianças que querem como filho e colocamos essa informação na base de dados, ou se viola a nossa constituição colocar essa informação numa base de dados, então também viola a nossa constituição permitir que os candidatos façam  essa distinção. 

   

   “Segundo o ministro, as listas nacionais de adopção revelam que a grande maioria dos candidatos (2176 de um total de 2227) pretendem crianças até aos três anos de idade e apenas 407 crianças adoptáveis se encontram nesta faixa etária.”

   

   

   - Bem, alguém não sabe ler os números! O que acontece é que existem 2227 candidatos que aceitam crianças até aos 3 anos. O que é bastante diferente de aceitarem  só até aos 3 anos.  O que acontece é que existem 51 candidatos que apenas aceitam crianças acima dos 3 anos!

   

   “Por outro lado, referiu, apenas 152 candidatos não se importariam de adoptar crianças com pequenos problemas de saúde, embora existam 292 menores com estas características”

   

   - Mas então se existem 152 candidatos que as aceitam…porque continuam 292 crianças por adoptar  e não estão já adoptadas?

 
Patricia Macedo

 

publicado por Missão Criança às 23:35
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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Em conversa com a adopção…

Porque o processo de avaliação está a chegar ao fim, e porque tenho lido certos posts e comentários que me desinquietam, vou expressar a minha opinião, pública e abertamente acerca da famosa questão da idade das crianças.


Não tenho por hábito envolver-me em discussões de certos assuntos online, especialmente quando percebo que são um tanto ou quanto polémicas, porque há por ai muito boa gente que como está a comentar sem dar a cara diz o que lhe apetece sem pensar que quem está do outro lado pode estar a falar a sério de um assunto sensível.


Eu penso que opiniões são exactamente isso, meras opiniões, pessoais, divergentes, mas se queremos que as oiçam e percebam, também devemos saber ouvir e respeitar as outras, antes de atirar pedras sem tentar perceber o outro lado. Não quero ser mal interpretada, pois por vezes o simples facto de ser um comentário escrito, pode também levar a falsas e diferentes interpretações, consoante quem lê, mas vou tentar ser o mais clara e sincera possivel.


Ora porque hei-de eu, nós, e muitos outros casais que decidem nobremente adoptar uma criança, ter que justificar ou ser intitulados de egoístas, quando decidimos adoptar uma criança até 3 anos?

Não sou hipócrita, penso que o simples facto de decidir adoptar é um acto de amor e as decisões que cada um faz quanto à criança “desejada” só dizem respeito ao casal em questão, e se assim o decidem é porque com toda a certeza, falaram e pensaram devidamente no assunto, nas consequências das várias opções e em todos ou quase todos os detalhes do processo. Não tenho que me explicar nem às minhas decisões, mas estou cansada de ver críticas em muitos comentários por ai espalhados, e vejo que há alguma falta de compreensão, por isso gostaria de explicar um pouco do meu lado.

 


Falo por mim, por nós casal, que incapacitados de gerar um filho biológico, vemos na adopção a nossa única alternativa. Devo ser recriminada por desejar uma criança mais nova para poder acompanhar o máximo possível do crescimento dela?

 

Obviamente que isto não significa que as crianças mais velhas não mereçam ou não nos dêem o mesmo amor que as outras, porém existem outros casais com características diferentes e objectivos diferentes que muitas vezes até já tem filhos e escolhem crianças com idades acima destas. Devo dizer que as assistentes sociais ou psicólogas tiveram um papel fundamental e foram deveras esclarecedoras, porque nos explicaram exactamente isso, tudo tem a ver com expectativas, e é importante perceber quais são as expectativas do casal, e garantir que estas vão de encontro ao melhor interesse da criança. Nós enquanto casal, ficamos a saber que estamos entre os mais novos, senão os mais novos do distrito. A maior parte dos casais inscritos estão na faixa dos 35 aos 45 anos. E que, quando o casal já tem filhos, muitas vezes já não sente necessidade de experienciar os primeiros passos da criança e desejam crianças mais velhinhas. Mas que no nosso caso e dos casais na nossa faixa etária, que ainda não tem filhos, normalmente são atribuídas crianças mais novas. O facto da maior parte dos casais terem preferência por crianças mais novas, deve-se também ao facto da infertilidade ser a causa número 1 da decisão de inicio do processo de adopção, estes casais que se sentem mutilados pela infertilidade já sofreram que baste e também tem direito de sonhar, vendo na adopção muitas vezes a única “solução”.

O mesmo digo em relação à adopção de crianças de outra raça (que por acaso não colocamos qualquer restrição nesse sentido), mas no entanto fomos aconselhados pelas responsáveis do processo a repensar e ponderar de modo a ter a certeza acerca do assunto. Foram-nos expostas várias questões e situações que surgem com a adopção de uma criança de outra raça, e que apesar de para nós não ser problema, outros casais podem não lidar tão bem com isso. E não podemos tomar uma decisão importante, como é a vida de uma criança de ânimo leve sem pensar nos desafios do futuro. Um casal que não se sinta preparado para isso não é necessariamente racista, e não deixa de ser nobre a decisão de adoptar, só por essa escolha.


CriançaProvavelmente já falei demais, não quero parecer revoltada nem chateada com nada nem ninguém, porém penso que é importante falar destas escolhas e decisões, porque se pode existir uma minoria de pessoas que insensivelmente vêem a adopção como moda ou como uma escolha de prateleira, há outras como eu que vêem nisso um projecto para a vida, que como tal deve ser ponderado ao pormenor.

 


E já que o destino me incapacitou de gerar um filho, porque não hei-de encontrar o meu sonho noutro caminho?

 

Post da Ana, publicado inicialmente no blog Sonhando Acordada

 

PS:Ana, desculpa, mas o SAPO nãp gostou das imagens que tinhas no post e tive de improvisar.

publicado por Missão Criança às 18:56
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