Domingo, 19 de Outubro de 2008

A espera:Oficialmente....à espera!

Adopção de crianças

 

Hoje foi finalmente o dia da primeira entrevista, na altura achamos um pouco estranho que em Julho marcassem a entrevista para Outubro,  agora não parece assim tão estranho, desta vez tinham feito mesmo o trabalho de casa, a psicóloga é a mesma do primeiro processo e lembrasse muito bem de nós. Para nosso espanto despacharam hoje todo o processo, as 3 ou 4 entrevistas habituais, ficaram resumidas a esta, duas horas de conversa franca e agradável encerraram o assunto. Teremos que esperar que chegue o bendito certificado de aprovação, mas segundo elas já estamos na lista....resta portanto esperar que algures apareça a nossa menina.

 
Evidentemente não vou contar aqui tudo o que se falou, na realidade falou-se mais de adopção, de candidatos e de crianças, que de nós e do nosso processo. Ficamos a saber que para as nossas condições o tempo de espera poderá ir até dois anos, evidentemente existem muitíssimos candidatos à nossa frente, só que segundo elas, 95% desses candidatos querem exclusivamente crianças brancas até 3 anos, não há candidatos que aceitem crianças de cor, o que nos coloca imediatamente no topo da lista, nós não colocamos restrição de raça.
 
Há sempre coisas que causam aflição quando se fala destes temas, o racismo das pessoas, a discriminação, as famosas listas nacionais que afinal não existem, mas sobretudo, as crianças devolvidas, sim, porque há quem devolva crianças..... haverá coisa mais cruel que abandonar novamente uma criança que iniciou  a sua vida sendo abandonada? mas disto, falarei outro dia... somos um país de gente racista e sem escrupulos....sem dúvida.
 
 
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
 
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
 
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
 
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
 
Alberto  Caeiro
In Guardador de rebanhos
 
Post publicado no dia 9 de Outubro no blog O que é o Jantar
 
Para assinar a petição pela instituição do dia nacional da adopção, por favor vão aqui: Assinar petição
 
Jorge Soares
Imagem retirada da internet
publicado por Missão Criança às 21:20
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Adopção de crianças mais velhas

Meninas

Imagem de Ná Nunes, retirada de aqui:

http://www.flickr.com/photos/98614529@N00/234528130/

 

Um  casal meu vizinho, com idades aproximadas de 45 anos, têm uma filha de 12 anos, cujo parto não correu muito bem e a mãe ficou impedida de ter mais filhos, mas também nunca se tinham importado muito sobre esse facto, para eles o mais importante é que a filha tinha saúde e era muito amada.

 
Aqui hà uns 2 anos atrás, em visita a um centro de acolhimento, encantaram-se por uma menina da idade da filha, orfã de mãe e pai. E a partir daí pelo Natal, Páscoa e férias começaram a ir buscá-la para passar uns dias com eles, nunca pensando na adopção, mas sim em proporcionar uns dias por ano em família a esta menina. Até que a filha deles, biológica, à uns meses para cá, começou a pedir aos pais para que adoptassem a menina porque ouviu a responsável do centro dizer que aquela criança era uma das que estavam prontas para adopção porque não tinha nenhum parente vivo.
Lá se resolveram e a menina já vive em permanente com eles, apesar do processo de adopção ainda estar a decorrer.
 
Estou a escrever esta história porque ontem fiquei emocionada ao passar pela família. Parei e troquei dois dedos de conversa e na maior das naturalidades, ouvi a menina adoptada chamar ao meu vizinho pai com uma felicidade tão grande, porque não foi um simples pai que mal se tenha ouvido, mas sim pai, com as letras todas e alto e bom som, sem qualquer constrangimento.
Saí dalí com uma lagrimazita ao canto do olha de felicidade por ela
 
Pepita
 
Post publicado originalmente no blog Pepita
publicado por Missão Criança às 14:43
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Os dados estão lançados. Resta-nos aguardar...

Mãos
 

Imagem retirada da internet

 

Sempre sonhei com a adopção, mas pensava nisso como um projecto para mais tarde. A Infertilidade bateu-nos à porta e foi assim que no dia 20 de Maio de 2008 que tivemos a primeira entrevista na segurança social, para dar início ao processo de adopção! A Educadora que nos entrevistou foi muito simpática mas também muito fria e crua, disse que os processos podem ser muito longos, mas podem também ser muito rápidos. Que são crianças que requerem atenção especial pelo que já passaram e que é raro crianças para adopção com menos de 1 ano, pela morosidade dos processos. Ficou muito admirada por sermos muito novos, especialmente o meu marido, diz que somos um caso raro (Eu tenho 28 e ele 26). Mas disse que isso é uma vantagem, pois preferem entregar as crianças mais novas a casais mais novos.


Ela teve também algum receio que não tivéssemos pensado bem no assunto, por sermos muito novos, e falou na possibilidade de ter um filho biológico e se isso alteraria a minha vontade e disponibilidade para adoptar. Não vejo nisso um problema, penso que as relações entre irmãos são sempre positivas e uma coisa não invalida a outra.  Acabou por ser uma conversa agradável de esclarecimento da realidade da adopção. Saímos de lá hilariantes, com um sorriso contagiante, como duas crianças.


Surpreende-nos bastante a reacção das pessoas, que até aqui tem reagido muito bem mesmo. Pensei que houvessem alguns mais reticentes que outros, mas nem por isso.


Aguardamos por um filho que espera por nós assim como esperamos por ele. Ainda não o conhecemos, mas ele tem já um lugar especial nos nossos corações. Temos a espera em comum, uma espera que não é fácil, mas mais cedo ou mais tarde iremos de encontro a ele.


Ana Filipa H.

publicado por Missão Criança às 11:20
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Domingo, 3 de Agosto de 2008

Espera em família

 

Abraço

Imagem retirada da internet
 
 
Ontem o meu filho dizia-me:
-Disse à minha professora do ATL que vou adoptar uma mana. Ela ficou muito contente!
 
Eu também fiquei contente por ele ter querido partilhar a novidade com a professora…mas por outro lado fiquei a pensar…se a espera não irá ser demasiado longa…E há 10 anos atrás eu esperei sozinha com o meu marido. Foi uma espera silenciosa…Hoje é uma espera partilhada com os meus dois filhos e com o resto da família alargada…Mas, enquanto eu como pessoa aprendi a gerir muito melhor a espera…sinto que a ansiedade que eu vivi na 1ª vez está de alguma forma a ser vivida hoje pelos meus dois filhos…E a ilusão inicial de que talvez a espera não fosse muito longa…existe agora a percepção que talvez esta espera se estenda por vários anos…
 
Se por um lado não faria qualquer sentido partir para uma 2ª adopção sem envolver no processo os meus dois filhos, por outro preocupo-me se vou conseguir ajuda-los a gerir a expectativa e a frustração da espera.
 
 
Patricia Macedo
publicado por Missão Criança às 01:02
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Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

O MELHOR DO MUNDO SÃO AS CRIANÇAS (JÁ DIZIA O POETA) MAS…

Imagem retirada da intrnet

 
De acordo com o Plano de Intervenção Imediata da Segurança Social de 2006, encontravam-se institucionalizadas no final daquele ano 12.245 crianças/jovens.
 
Sendo que:
a)      10.134 tiveram início de acolhimento anterior a 2006;
b)      2.084 com início de acolhimento em 2006;
c)      27 com integração em acolhimento em 2006.
 
Há, ainda, a acrescentar:
a)      2.771 crianças/jovens cessaram o acolhimento em 2006;
b)      2.361 com início de acolhimento anterior a 2006 e que cessaram em 2006;
c)      410 iniciaram e cessaram em 2006.
 
Por outro lado, de acordo com o ISS (Instituto da Segurança Social), no final do mês de Maio de 2008, a nível nacional os dados eram os seguintes:
 
Crianças em situação de adoptabilidade: 1654  
a)      a aguardar família candidata à adopção: 528
b)      Em vias de integração no seio familiar do candidato: 118
c)      Em período de pré-adopção: 580
d)     Com adopção decretada: 428
 
Candidatos seleccionados a aguardar proposta: 2346
 
Que mais poderá ser dito?
Que as crianças são esquecidas todos os dias?
Que somos um país que contínua a privilegiar o biologismo ao afecto?
Que estas crianças vivem no silêncio de quatro paredes, enquanto todos os dias continuamos a viver a nossa vida?
Que somos um país em que os recursos falham, as famílias não são acompanhadas e cada dia que passa é mais um dia perdido?
 
Que fazer? Só nos resta continuar a denunciar e a chamar atenção…até que a voz nos doa.
 
Maria João

Fonte: II, IP-Listas Nacionais de adopção, em 30.05.2008, Departamento de Desenvolvimento Social do ISS
 
publicado por Missão Criança às 10:55
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Adoptar, porquê?

Meninos

 

Estou teórica e oficialmente a 26 dias do prazo legal para dar por terminada a primeira fase do meu processo de adopção. Já fizemos as entrevistas, já recebemos a visita domiciliária, e pelas “restrições” que colocámos na adopção, todos nos dizem que o nosso processo não deverá ser muito longo. Assim o esperamos.

Porquê adoptar? É curiosa esta pergunta. Sempre tive este sonho, mas nunca o contei a ninguém. O meu marido a mesma coisa. Depois de 2 filhos biológicos, e com o sonho de termos no mínimo 3, surgiu esta opção, para nós natural, que se está a tornar dia a dia cada vez mais uma realidade.

Quando começámos a contar à família, aos amigos mais chegados, NUNCA ninguém nos perguntou isso. Têm feito as mais variadas perguntas: então e quando vem, queres menino ou menina, idade, a escola, a arrumação dos quartos dos miúdos, etc etc, mas ninguém me perguntou o porquê.

Daí que ache curioso…

No entanto, e porque entendo que essa opção possa causar estranheza a algumas pessoas, vou explicar um pouquinho as nossas razões, para nós mais do que óbvias e “inexplicáveis”.

Tenho apenas um irmão, mas em compensação tenho 8 primos direitos, e sempre fomos criados juntos, sempre juntávamos a família toda nos aniversários, Natal, Páscoa, etc. Agora, com quase todos casados e pais de filhos, continuamos a fazer isso, com maior ou menor regularidade. Estou pois, muito habituada a ter a casa sempre cheia de crianças, de família. Estamos juntos nos bons e nos maus momentos. Somos muitos, e gostamos de nos reunir e saber que contamos uns com os outros.

A história do Z. é quase a oposta. Filho único, pouco habituado a conviver com os poucos primos que tem. Por isso, hoje com 44 anos sente a falta de outro apoio, agora que começa a caber-nos a tarefa de retribuir aos nossos pais todo o apoio que nos deram no crescimento. Ao conhecer a minha família, sempre disse que gostava de proporcionar aos filhos este convívio.

A nossa história enquanto casal sempre teve como ponto assente os filhos. Sempre quisemos ter pelo menos 3, mais se for possível. Nasceu a F., nasceu o A.. Começámos a falar do seguinte. Começámos a falar da adopção. Começou a ser óbvio que esse era o caminho a seguir. Já passámos pela felicidade de 2 gravidezes. Porque não agora sermos família para uma criança que está por aí, numa instituição, sem pai nem mãe, sem família para lhe dar amor e carinho? Assim foi tomada a nossa opção.

Não pedimos nenhum bebé. Achamos que essa oportunidade pode ser dada a casais que não possam ter filhos biológicos. Optámos por uma criança até aos 6/7 anos, para poder ser o “irmão do meio”, ou o mais novo. Achamos que assim é uma opção justa para todas as pessoas envolvidas nestes processos.

Já só anseio por o/a ver, a correr no quintal. Anseio por ouvir as suas gargalhadas na piscina, anseio pelas brigas deles todos no banco de trás do carro.

Adoptar porquê? Naaaaaaaaa

Eu pergunto: Adoptar, porque não?

Sofia

publicado por Missão Criança às 21:20
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