Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Um milagre no dia de natal

Um milagre no dia de natal

 

Era uma vez um menino que era muito pobre e que não tinha família. Mas já era a quinta vez que ele pedia de prenda de natal e este ano ele pediu o mesmo presente que era ter uma família. No dia de natal o menino acordou de manhã e tinha um presente ao lado dele, e quando abriu o presente estava lá a dizer:

 

Do pai natal:Vai-te levar a uma associação de meninos que não tem família e vão-te levar para umas pessoas que querem adoptar um rapaz.

 

Quando a associação o levou para as pessoas que queriam ser seus pais, ele nunca mais esqueceu esse dia de natal e da sua prenda, uma bela família.

 

Nuno, 9 anos

publicado por Jorge Soares às 00:23
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Adopção:Como a justiça portuguesa pode ser surreal

 Adopção, há coisas na justiça portuguesa que são surreais

 

Há uns tempos escrevi um post que tinha por titulo: Adopção:Sou mãe adoptiva - preciso desabafar,  e que aconselho a irem ler aqui, entre outras coisas aquela mãe dizia o seguinte:

 

"Eu e o meu marido, fizemos o nosso processo de adopção correctamente, através da Seg. social e estivemos quase cinco anos à espera que o telefone tocasse. Temos a viver connosco duas  irmãs já fez um ano. Quando vieram viver connosco, tinham sete e quatro anos. Recentemente, fomos à audiência para a adopção plena e qual não é o nosso espanto, quando o juiz nos diz que por ele estava tudo muito bem, mas que no nosso processo falta um documento - o da autorização dos pais biológicos - e que portanto tinha de pedir ao tribunal onde foi decretado que as crianças iam para adopção, que verificasse se se tinha extraviado, senão teria de mandar a GNR ir à procura dos pais biológicos para obter o seu consentimento!!!! (nesta altura do campeonato!)."

 

Recebi um mail da mesma mãe, que para além de me deixar muito feliz por ela e por aquelas duas crianças, me deixou perplexo, a forma como as coisas se terminaram por resolver é no mínimo surreal e mostra o quanto a nossa justiça mais que depender das leis, depende das pessoas e da forma como estas olham para os assuntos.. vejam lá se isto não é surreal?

 

 

Está tudo resolvido, a sentença já saiu e as alterações de nomes das meninas já seguiram para a conservatória!! 2ª feira já vou pedir as novas certidões de nascimento e fazer a marcação para emissão dos cartões únicos!!! Agora já ninguém mos tira!!!

Agora, quer saber como se resolveu tudo?? Depois daquele inferno para o qual nos vimos violentamente atirados, tivemos a felicidade da juíza ir de licença de parto e o Juiz que ficou com o nosso caso decidir logo que a adopção plena estava decretada!! Já viu?? É óbvio que nós ficámos felicíssimos, mas não deixo de pensar como é incrível poder haver duas decisões tão diferentes, como pode ser uma questão de sorte ou azar, cair nas mãos de um juiz ou de outro!!! Se a senhora não tem ido de licença, nós ficávamos numa situação inacreditável, porque, para cúmulo, como se já não bastasse o medo de qual seria a reacção da mãe biológica, não nos era facultada qualquer informação!! 

 

Eu sei a angustia porque passaram estes pais, nós passamos por algo muito parecido no nosso primeiro processo de adopção, e sei o que pode doer a incerteza do que poderá acontecer... este tipo de coisas não deveria acontecer, é evidente que as leis devem ser cumpridas, mas será que há algum motivo para fazer sofrer as pessoas desta forma?

 

Jorge Soares

Post Publicado no blog:O que é o jantar?

 

publicado por Jorge Soares às 23:31
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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

5 anos de espera no Algarve

 

Chamo-me Ana e sou do Algarve, onde dizem que a adopção é muito mais rápida…
Depois de 2 abortos espontâneos, provocados por fibromiomas no útero e ao fim de muitos anos a sofrer, perdi o útero numa cirurgia. Antes da cirurgia decidimos seguir o espinhoso caminho da adopção.
 
Em finais de 2004, tinha eu 37 anos e o meu marido 29, ficamos com o nosso processo concluído, na altura ficou estabelecido que dávamos preferência a uma criança até 3 anos, caucasiana, sem problemas de saúde e do sexo feminino.
Passado pouco tempo, alteramos o critério do sexo, que seria irrelevante!
 
Neste espaço de tempo, tive alturas em que liguei várias vezes para a equipa de adopção e enviei cartas, sem ter sido dadas quaisquer respostas e tive um período de 2 anos em que não tivemos qualquer contacto com a mesma equipa.
 
Quando telefonamos, o leque de respostas é pouco variado:
“- Não temos tido crianças com esses critérios!” ou “- As características da vossa família não correspondem às necessidades das crianças que têm aparecido!”
 
Em Maio deste ano, alteramos o critério da idade, passou a ser até 5 anos, até à data continuamos à espera que o telefone toque, para entrega de criança.

Quase todos os dias tenho conhecimento de casais mais novos que têm adoptado aqui no Algarve e pelo país fora, crianças com as características pretendidas por nós e sinto-me tratado como cidadã de 2ª, discriminada pela minha idade, se assim é, porque é que não dizem logo nas entrevistas, antes do processo estar concluído, que nunca nos irão entregar uma criança com essas características?
 
Seria muito mais honesto para com estes casais que já sofreram tanto na vida!
 
Ana Dias
 
publicado por Mara_Liza às 12:51
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

As listas Nacionais de Adopção não são Rankings…

adopção

Imagem da internet

 

A história das listas nacionais de adopção, tem dado muito que falar desde a sua constituição…Por um lado, os candidatos ouvem das suas equipas de adopção que não as utilizam, mas apenas utilizam as listas distritais, depois existe o poder politico, que jura a pés juntos que as listas nacionais funcionam (ver aqui) e que são umas das responsáveis pelo aumento das adopções em Portugal.

 

Mas deixo aqui sobre o assunto um testemunho encontrados no fórum da www.apfertelidade.org 

 

RESPOSTA DA SS AO PEDIDO DE INFORMAÇÃO SOBRE O nº NA LISTA NACIONAL.

Encontram-se registados na Lista de Candidatos à Adopção Nacional Residentes em Portugal (CANRP) com o nº xxxxxxxxxxxx, criado em 17/04/2006 e no estado de "aguarda proposta".

" Relativamente à informação solicitada sobre o "lugar que ocupa" na CANRP, informamos que não é possível a este serviço dar uma resposta concreta, uma vez que a base de dados para a adopção, não foi  concebida para a elaboração de um "ranking" dos candidatos à adopção em lista de espera, antes tem a finalidade prevista no artº 11º-B do DI nº 185/93, 22 de Maio, ou seja:

a)Identificar o candidato com as condições mais adequadas ao perfil da criança.
b) Identificar as crianças em situação de adaptabilidade.
c)Garantir uma maior equidade e transparência no processo de confiança do adoptado ao candidato a adoptante
d) Aumentar as possibilidades de adopção da criança, introduzindo maior celeridade nesse procedimento".

 

Patricia

publicado por Missão Criança às 21:05
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Sábado, 18 de Julho de 2009

adopção:Pais do coração

Adopção;Pais do coração

 

Recebi as perguntas por mail há bastante tempo, a publicação foi sendo adiada,  saiu este Sábado na Revista Ns do DN e Jornal de Noticias, o link está aqui para quem quiser ler, como há sempre muito mais a dizer e eu disse muito mais, deixo aqui as perguntas que me foram enviadas pela jornalista e as minhas respostas.

 

Não gostei do titulo... mas também não tenho nada de gostar.

 

 - No seu caso específico, que razões o levaram a abraçar esta problemática das adopções e do direito de todas as crianças a um lar de amor?

 

Sou pai adoptivo e biológico e neste momento candidato à adopção, o meu primeiro processo foi à mais de 10 anos e na altura sentimos muita falta de informação e de apoio. Um processo de adopção é sempre doloroso, a maior parte do tempo existe um enorme vazio e sentimos a  falta de podermos partilhar com outras pessoas. Após a adopção o sentimento mudou, mas o vazio continuava ali, a necessidade de sentir apoio e de partilhar com outras pessoas que estivessem ou tivessem passado pelo mesmo que nós mantinha-se. Com o tempo criamos um grupo de discussão, o grupo nós adoptamos e foi como uma bola de neve que foi crescendo, fiz parte do grupo que organizou os dois primeiros encontros nacionais de adopção, ambos em Setúbal, e a proximidade com pais e candidatos fez com que interiorizasse a problemática da adopção nas suas várias vertentes.

 

- Sendo o acolhimento familiar de crianças uma medida que pressupõe o seu bem-estar e a vontade de ajudá-las em primeiro lugar, como se explica que haja tantos casos (e tão fortemente mediáticos) de disputas com os pais biológicos?

 

Na verdade não há assim tantos casos, não faço ideia quantas crianças existirão em acolhimento, mas dois ou três casos não são muitos casos, para mais que os dois mais mediáticos, o da Esmeralda e o da Alexandra, são casos que passaram ao lado da segurança social e não são casos de acolhimento.  Passaram  à margem da lei e por isso se tornaram casos judiciais e depois em casos mediáticos por força da cobertura jornalística a que foram sujeitos... e diga-se de passagem que eu acho que a comunicação social fez um péssimo trabalho em ambos os casos.

 

- O que funciona mal no sistema que permite que tais situações aconteçam?

 

Nestes casos o que funcionou mal foram as pessoas que subverteram todo o processo, se as crianças tivessem sido entregues à Protecção de Menores em lugar de a casais que não estavam habilitados para os receberem, nada disto tinha acontecido. O acolhimento familiar está legislado e funciona, o que acontece é que muitas vezes as pessoas utilizam esquemas para tentar abreviar os processos de adopção, e depois utilizam a comunicação social para chamarem a atenção para situações que nunca deveriam ter existido.

 

- Uma vez que os laços afectivos de quem acolhe pelas crianças são inevitáveis, faz sentido que a lei não abra caminho para a adopção por parte das famílias de acolhimento interessadas em ficar com a criança? Mesmo nos casos em que a alternativa é o regresso à instituição ou a uma família biológica que venha a revelar-se incapaz de tratar convenientemente d@ filh@?

 

É  preciso entender que as crianças que vão para acolhimento são as que não tem como projecto de vida a adopção, se o objectivo final fosse a adopção, elas não passariam por famílias de acolhimento, iriam directamente para a adopção e para uma família que as desejasse e que estivesse disposta a dar amor e carinho. Se vão para acolhimento é porque o tribunal entende que não serão adoptadas, se tivermos em conta este princípio, a pergunta nem faz sentido. Por outro lado, as famílias de acolhimento são informadas desde o inicio qual a situação da criança e do facto que não a vão poder adoptar, as pessoas vão para o acolhimento conhecendo todos os factos. O que acontece é que há muita gente que tenta utilizar o acolhimento como um método rápido para a adopção, acham que todas as crianças que vão para acolhimento são crianças que foram abandonadas e maltratadas, evidentemente isto não é verdade, há muita gente que passa por dificuldades e prefere entregar os seus filhos ao estado a que estes passem necessidades.. e há quem refaça a sua vida.

 

Nos casos em que a família não consegue refazer a sua vida, as crianças vão para adopção e há muitíssimos candidatos disponíveis, pessoas que foram avaliadas e aprovadas como aptas, o que não aconteceu com as famílias de acolhimento.

 

- A legislação portuguesa relativa ao acolhimento familiar temporário está ao nível da de outros países com realidades semelhantes?

 

Eu não conheço a legislação dos outros países, mas não acho que a legislação portuguesa esteja errada, o que está errado é muitas vezes a mentalidade das pessoas, que tentam a todo custo subverter as leis em seu favor.

 

- O que precisava de mudar para garantir uma maior prática de acolhimento familiar (e por conseguinte uma menor institucionalização), uma preparação suficiente das famílias que recebem as crianças e um acompanhamento adequado de todos os casos?

 

Há muitas coisas a mudar, mas eu nem acho que o problema esteja no acolhimento familiar, em primeiro lugar haveria que mudar os juízes, a maioria dá uma clara primazia ao biológico, a tendência é dar oportunidades aos pais, espera-se sempre que estes recuperem, dão-se todas as oportunidades aos pais e à família biológica e nenhuma às crianças, entretanto estas esperam anos, vão crescendo em centros de acolhimento sem conhecer o carinho de uma família, sem amor.  Quando finalmente alguém decide que não vai haver recuperação, a criança perdeu uma parte da sua vida e já tem 7 ou 8 anos,  com essa idade já não há quem a queira. Por outro lado muitos centros de acolhimento não tem equipas capazes para encaminhar os processos, mesmo que as famílias não apareçam, as crianças não são sinalizadas, há centros de acolhimento em Portugal de onde nunca saiu uma criança para adopção, as crianças representam um rendimento mensal muito alto e nem sempre se pensa primeiro no bem estar delas.

Sou presidente e um dos fundadores da Missão Criança, uma associação que tem por objectivo precisamente a defesa destas crianças.

 

- E em relação à adopção: porque é que a maioria dos processos acaba por se revelar tão complicada em Portugal?

 

Na verdade os processos não são complicados, um processo de adopção é muito simples, basicamente respondemos a um questionário e participamos me 3 entrevistas, o problema é que em Portugal há muitos mais candidatos que crianças para adoptar, das 11000 crianças entregues ao estado só perto de mil tem como projecto de vida a adopção, logo, existem tempos de espera muito longos, porque há poucas crianças e muitos candidatos.

 

- Conhece algum caso específico em que a família de acolhimento temporário se dê bem com a biológica em nome do bem-estar primeiro da criança?

 

Não, conheço muitos famílias que adoptaram ou que pensam adoptar, mas não conheço famílias de acolhimento.

 

- Como é que se poderia, de forma efectiva e célere, garantir o delinear de um projecto de vida adequado para cada criança?

 

Teria que se pensar sempre em primeiro lugar na criança, e não na família biológica.

 

- No caso da Esmeralda a decisão do tribunal foi a mais acertada, tendo em conta o equilíbrio da menina e o facto de ter sido a família de acolhimento a criá-la nos primeiros cinco anos de vida (uma idade decisiva)? E no caso da pequena Alexandra, a menina russa?

 

No caso Esmeralda existiram muitas decisões dos tribunais, a primeira foi quando a criança tinha 8 meses, se em lugar de criar uma guerra na justiça, tivessem entregue a criança nessa altura, a sua pergunta nem se colocava. O problema é que aquela família tentou por todos os meios contrariar a lei e os tribunais, só eles são culpados de que a situação se tenha arrastado. Eles só ficaram com a criança até aos cinco anos porque nunca cumpriram a lei e as ordens do tribunal. É evidente que com 5 anos a criança sofreu, mas de quem foi a culpa?

 

No caso da Alexandra nunca existiu abandono, eu vi a entrevista que a família deu à RTP e o que foi dito ali mostrou que a mãe esteve sempre presente, as leis existem para defender as crianças.

 

Estes casos constituem precedentes que podem ser muito graves, porque podem dar a ideia de que basta arranjarmos alguém que nos dê uma criança para ela ser nossa e isto pode abrir caminho a muitos esquemas, inclusivamente ao tráfico de crianças, eu sou candidato à adopção, no primeiro processo esperei 3 anos, neste estou à espera há um ano, se alguém me disser que um caso como o da Esmeralda passa a ser legal, vou ali à esquina, levo um maço de notas e arranjo alguém que me dê uma criança, ou mando vir uma de uma favela do Brasil, ou arranjo uma prostituta Russa que tenha uma para mim... é muito mais fácil e mais rápido que aturar assistentes sociais e estar anos à espera que o telefone toque... é preciso ver que estes casos são muito perigosos para o futuro da adopção em Portugal... por isso sim, eu acho que em ambos os casos a justiça esteve bem.

 

Jorge Soares

Publicado inicialmente no Blog:O que é o jantar

publicado por Jorge Soares às 23:38
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Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Meninos do Mundo

 Meninos do mundo

 

Olá Amigos,


Porque o Mundo que temos hoje depende em muito de todos nós e da coragem e força que alguns de nós tem para arregaçar as mangas e defender certas causas, venho primeiro que tudo partilhar a existência de uma nova associação – Associação Meninos do Mundo, criada no fim de 2008.

O lema desta Associação é :

Uma criança é uma criança em qualquer parte do mundo!

O que quer esta associação é que todas as crianças tenham o direito a uma família e para isso ajudam na Adopção Internacional.
Neste momento a Associação Meninos do Mundo, com o objectivo de obter fundos para a construção de um Centro de Apoio para crianças na ilha de Santo Antão em Cabo Verde, lançou a Campanha “De mãos dadas pelo Mundo”.
Esta Campanha consiste na venda de T-Shirts cujos fundos angariados reverterão para a construção da infraestrutura acima mencionada.
As T-Shirts em causa, cujo custo é de €10, serão produzidas nos tamanhos abaixo indicados sendo que, em anexo, junto uma fotografia das mesmas.

Referência Tamanho (*) Idade Criança
1 138 cm / 28 cm 2/3 anos
2 41 cm / 32 cm 3/4 anos
3 46 cm / 35 cm 5/6 anos
4-5 50 cm / 41 cm 7/8 anos
6-8 54 cm / 43 cm 9/10 anos
10-12 60 cm / 46 cm 12/14 anos
(*) Altura / Largura

Tamanho Adulto
Small , Medium , Large , XL

Esta iniciativa resulta de uma parceria com a empresa “Grão de Bico” (http://www.graodebico.pt/) que concebeu as T-Shirts.
A mensagem que se pretende fazer passar com a mesma é a de que UMA CRIANÇA É UMA CRIANÇA EM QUALQUER PARTE DO MUNDO.

Para este efeito, não só contribui a imagem criada especialmente para a Campanha como o facto da frase estar reproduzida em diversas línguas (Português, Mandarim, Inglês, Hindi, Espanhol, Árabe, Francês e Zulu).
Para mais informações acerca da Campanha “De mãos dadas pelo Mundo” bem como do mencionado Centro de Apoio, poderão consultar o site em http://www.meninosdomundo.org/.

Considerando a proximidade do Dia Mundial da Criança, aqui fica esta mensagem para o caso de estarem interessados em adquirir as T-Shirts, pedindo ainda a vossa colaboração no sentido de divulgarem esta Campanha pelo maior número de pessoas possível.

São só 10 euros para nós, mas muitos 10 euros juntos são de grande importância para estas instituições tão necessitadas.

publicado por Missão Criança às 00:12
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Terça-feira, 14 de Abril de 2009

Adopção:Crianças devolvidas, porquê?

Crianças devolvidas
 
Não me lembro quando foi a primeira vez que ouvi falar de crianças devolvidas por pais adoptivos, mas como devem imaginar é um assunto que me choca, se já é mau que uma criança seja abandonada, imaginem o que sentirá quando é abandonada uma segunda vez.  É difícil sequer imaginar o que possa sentir uma criança que por vezes está anos à espera, uma criança que muitas vezes anseia por uns pais que lhe dêem amor e carinho e que quando finalmente acha que os encontrou, é posta de lado como se de um brinquedo defeituoso se tratasse, conseguem imaginar o que se possa sentir?
 
Já ouvi umas 4 ou 5 histórias de devoluções de crianças, ontem um dos jornais falava de um casal que devolveu uma criança porque ela não se conseguiu entender com o cão da família. Acreditem ou não, este não foi o caso que mais me chocou. O caso de devolução que mais me chocou foi um em que o motivo para a devolução era... que a criança era carinhosa demais. A candidata a mãe (ia dizer mãe, mas há pessoas que não merecem esse nome) dizia que a criança se tinha apegado demais a ela, que só queria beijinhos e abraços e que nem no centro comercial desgrudava. Quando me contaram isto eu simplesmente não consegui acreditar.... 
 
Segundo  o mesmo jornal, no últimos 4 anos 80 crianças foram devolvidas aos centros de acolhimento, há uns meses o número era de 70, agora passou para 80, não faço ideia de onde tiraram a informação, mas eu entendo que mais que o número, o que interessa aqui é  perceber o que falhou, sim, porque é muito fácil deitar as culpas para quem devolve a criança, mas falta o resto, e o resto está evidentemente em quem avaliou e aprovou essas pessoas como candidatos a adoptar.
 
Os processos de adopção demoram pelo menos 6 meses, é necessário responder a questionários com muitas e complicadas questões, são necessárias entrevistas sociais e psicológicas.... o que falha?
 
Do meu ponto de vista falham muitas coisas, evidentemente que em primeiro lugar falham os candidatos, para a adopção é necessário ir com o coração, há muita gente que só vai para a adopção em ultimo recurso, quando já esgotaram todos os restantes recursos, pessoas que sonham e anseiam com um bebé, sangue do seu sangue...e que depois quando recebem uma criança que de bebé já não tem nada, quando lhes entra pela casa dentro um estranho com vontade própria e que muitas vezes tem uma historia de vida que não se recomenda a ninguém, simplesmente concluem que não são capazes.
 
Mas será que estas situações não deveriam ser detectadas pelas equipas de avaliação? Do meu ponto de vista é claro que sim, se a maioria dos processos até leva mais que os seis meses de lei, porque é que estas coisas acontecem, como é que uma psicóloga não detecta algo estranho numa mãe que depois devolve uma criança porque é carinhosa demais? 
 
Este é um tema muito complicado, mas termino como comecei, no meio de tudo isto quem sofre são as crianças, ser abandonado uma vez, ser colocado num centro de acolhimento onde muitas vezes não se passa de mais um numero, ser esquecido pela família e pelo estado e quando finalmente se pensa que se encontrou uma vida...ser abandonado de novo como se de uma peça defeituosa se tratasse..deve ser algo que marca para toda a vida...e nenhuma criança deveria ter de passar por isso.
 
Adoptar uma criança não é fácil, não tem nada a ver com passar-se 9 meses a ver crescer uma barriga, pensar nos nomes que iremos escolher, ver as fotografias das eco grafias, sonhar com a cor dos olhos, adoptar não é nada disso. Adoptar é receber nos nossos braços um ser humano que existe, um ser humano que já viveu e que muitas vezes tem opinião e maus hábitos. Adoptar  é receber em nossa casa um estranho que não nos diz nada e que de um dia para o outro veio para ficar.
 
A maioria dos candidatos cria expectativas, sonha com esse filho que tanto deseja, idealiza pessoas e situações, acreditem em mim, a probabilidade de que as coisas sejam como as idealizaram.. é muito pequena... mesmo muito pequena... e na maior parte dos casos, não é nada fácil, porque não podemos esquecer que estamos a falar de crianças que já foram marcadas pela vida muito antes de nos conhecerem. Por isso, adoptar tem que vir do coração.
 
Jorge
Publicado inicialmente no blog O que é o jantar?

  

publicado por Missão Criança às 14:19
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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

Adopção:Então e os genes?

Adopção

 

 

Não sei se alguém se lembra do post em que falava dos genes e das duas mulheres cá de casa?... certo certo é que desde então o clima de guerra está instalado, e os dois homens já estamos a pensar pedir asilo algures... mas disso já falarei outro dia 

 

Estes dias recebi um email em que alguém dizia o seguinte:

 

Acho que a maior dificuldade é não sermos um casal infértil e ninguém perceber porque é que podendo ter filhos biológicos alguém se propõe adoptar uma ou mais crianças. è recorrente a questão mas não queres ver os teus traços na criança, mas e os genes perdem-se e blá blá blá...

 

Não é uma conversa que não tenha escutado antes, eu e todas as pessoas que optaram por adoptar mesmo podendo ter os seus filhos biológicos. Não consigo perceber porque é que as pessoas acham que os genes do meu filho adoptado não são melhores que os meus, ou porque é que eu haveria de preferir os meus genes a outros qualquer... mas deve haver alguma razão lógica..... aliás, atendendo ao post que referi no inicio... bem que tínhamos dispensado alguns dos genes da R... que o N.  é bem menos reivindicativo.

 

Mas voltando ao mail, vou de novo socorrer-me da resposta da Sandra:

 

tal como vocês também nós não somos inférteis (que saibamos, porque nunca tentámos engravidar nem queremos!). A recepção por parte da nossa família e amigos até foi bastante boa, mas a verdade é que já estavam preparados para tal. A mim desde sempre me ouviram dizer que não queria ter filhos (por uma multitude de razões que vão muito além das questões da adopção, da protecção à infância e que se prendem com formas específicas de '"ver" o mundo). Todas essas razões, levaram a que a adopção de uma criança (quando a vontade de sermos pais surgiu) fosse a escolha mais óbvia e lógica.

 

Apesar da desilusão da mãe do meu companheiro e também da minha, a aceitação foi muito boa e a minha filha hoje (e desde o início) está perfeitamente integrada na família. 

 

Mas é claro que também tivemos de responder a algumas questões como as que indicaste. Essa dos genes então tira-me do sério. Normalmente, a minha resposta é "quem lhes disse a eles que os seus (e meus) genes eram melhores do que os de outra pessoa qualquer no mundo?!". Tentei sempre explicar também porque é que os genes, a biologia, o sangue e a carne não significam nada para mim. O que me importa são os afectos. E exemplos de como isto é verdade não faltam à nossa volta. Na sociedade, no nosso círculo de amigos, no seio da nossa própria família! 

 

Esses impulsos de transmitir os genes, deixar descendência biológica, etc..., funcionava em tempos muito, muito remotos, em que o objectivo humano era, como o de qualquer outra espécie a sobrevivência e a evolução. Não quer dizer que hoje, esses impulsos não existam, mas existem também uma série de outros factores com um peso enorme e o facto de, enquanto seres racionais que somos, podermos e termos o dever de ponderar todos os condicionantes.

 

No seguimento disto e em relação às dúvidas das pessoas, sobre o porquê de não querer ter filhos biológicos, a resposta é também, para mim, óbvia:

 

- O planeta está sobrelotado.

- Os recursos, por mais que as pessoas teimem em ignorar esse facto, são finitos.

- Toda a ideologia política, económica e social na qual se baseiam as sociedades actuais, aniquila-me qualquer ponta de optimismo em relação a «esta» humanidade. 

 

Considerando tudo isto (e muito mais, mas se começo nunca mais paro!), porque razão é que eu quereria pôr mais um ser humano cá?! Para mim isso simplesmente não faz sentido.

 

- Depois, também acresce a questão da prioridade: já cá estão crianças sem família. Neste mundo. Já existem. Estão primeiro do que as que ainda não existem! Parece-me lógico, não? Então primeiro há que tratar destas. É tão simples quanto isso. 

 

Esgotados todos os argumento lógicos, resta-nos o inestimável direito de decidirmos sobre a nossa própria vida: "É assim que vai ser porque eu quero. É a minha/nossa vida e eu/nós é que decidimos. Se querem apoiar, muito bem. Se não querem, olhem, vão dar banho ao cão!"

 

Sandra..... tu és demais!

 

Post publicado inicialmente no blog:O que é o jantar

 

Jorge

 

PS:imagem retirdada da internet

 

publicado por Jorge Soares às 23:27
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Porque este blog também pretende prestar algum serviço público..

 

SU


Aqui a vai a entrevista que me foi feita por uma estudante de Comunicação social da Universidade de Coimbra:


Sabe porque razão foi para a adopção?
Fui para Adopção porque passei por um abandono e rejeição por parte da minha progenitora.

Com quatro anos sabia o que se passava, com todo o processo, mudança de casa e tudo o resto?
A forma como uma criança aos 4 anos vê e percebe a vida é um pouco menos simplista do que se possa pensar. Recordo-me de um dia em que ia de mão dada com a minha ama ao chegar à escola, olha para uma das meninas com que costumava brincar durante o dia que vinha de mão dada com a avó. E lembro-me de pensar porque não tinha eu uma avó e muito menos uma mãe. Tinha a noção que estava ali porque não tinha família, sentia-me triste com isso mas não percebia claramente os condicionalismos de tal vivência. 

Quando lhe contaram que era adoptada?
Permita-me a (im)pertinência de a corrigir. Eu não era adoptada. Eu tinha sido adoptada. Hoje, eu Fui adoptada. Os tempos verbais e os conceitos fazem grande diferença no modo como vemos e catalogamos as coisas. O termo adoptado, é um momento, depois desse momento vem todo um processo, mais ou menos longo depende das particularidades de cada um.
Eu sempre soube que tinha uma vivência distinta. Talvez nos primeiros tempos tudo surgisse de forma meio enevoada e desconstruida ao nível da minha consciência, mas foi algo que tinha presente. Os meus pais sempre tiveram a inteligência de o abordar de forma clara e sem qualquer tipo de inibições. Não houve, por si só, uma revelação ou o dia D. Foi um processo de questionamento liberal sobre os Porquês? os Comos? e os Quandos?. Um processo adaptado à minha realidade etária.

Qual foi a sua reacção?
Não houve uma reacção, existiu sim uma crescimento pessoal que culminou na aceitação da rejeição como um fenómeno de responsabilidade não partilhada. Esse processo de maturação passou por fases de revolta, frustração, raiva, falta de amor próprio. Momentos esses necessários e plenos de normalidade. Foram-se intercruzando com os típicos momentos de desenvolvimento, com as minhas características pessoais e com as normas societais que regem o meu dia-a-dia. Não foi um momento de descoberta, foi um processo de descoberta e de busca interior. Intenso, por vezes perturbador mas muito enriquecedor e que dita a pessoa que gosto de ser hoje. 

Por ser de origem africana alguma vez se sentiu discriminada?
Em nenhum momento senti alguma discriminação por ser de origem africana. Sublinho que os meus pais são os tipicos caucasianos aportuguesados e que há vinte anos eram pioneiros. em todo esta realidade. A discriminação vai acontecendo todos os dias em que me dizem " e os teus verdadeiros pais? Não os queres conhecer". Está implícita naquilo que socialmente está normatizado para o que é, de facto, uma familia e especialmente para aquilo que não é. Hoje em dia começa a ser até bem visto a tipica familia benetton, o problema é quando se fala de crianças das crianças ditas pretas retintas. Arrepia-me a espinha quando oiço dizer " Ai como eu adorava ter um filhinho chinesinho"... é a familia como o espelho da consciência estética societal. Uma criança é uma criança em qualquer parte do mundo. Amarelo, branco, vermelho, assim-assim ou preto retinto.

Conhece a sua família biológica? Ou gostaria de conhecer por curiosidade? Porquê?
Nunca tive qualquer contacto com a minha familia biológica. Com a excepção do meu irmão, com quem partilho o tal principio de consanguinidade. O desejo de conhecer a minha familia biologica centrou-se apenas nos meus irmãos e não por uma questão de identificação mas sim de um sentimento de co-responsabilidade perante o desfasamento entre o que eles mereciam ter e as oportunidades das quais eu usufruia. Sentia-me simultaneamente responsavel e culpada pelo que não lhes acontecera e vivia a debater-me com esse sentimento misto de impotência. Foi algo que consegui resolver internamente quando me consegui libertar do contracenso de acreditar no valor pleno dos laços de amor e no valor imposto pela superioridade genética defendida pela sociedade em que habito.

Adoptaria um dia uma criança?
Eu desejo com todo o coração ser mãe. Como me assumo defensora dos laços de amor e tenho os braços abertos para quem neles procurar colo e um simples " amo-te de coração" é claro que pretendo um dia recorrer à adopção. Espero que nesse dia à espera não seja tão longa como hoje em dia. 

Como psicóloga acha que o meio envolvente e o modo como é criada uma criança pode "apagar" os vestígios dos maus tratos passados, se for o caso?
O contexto é uma fonte de dor mas é também uma fonte de cicatrização. O principio é o de que nada há para apagar. Tudo faz parte de nós, porque somos individuos inteiros, e o tempo é um processo continuo que não deve ser refractado em presente, passado e futuro. Somos unos, e nesse unidade devemos compreender, integrar e viver em paz como o que Somos. A educação é uma forma de amor e o amor que se encontra após o temporal da rejeição e do abandono no seio de uma familia intencional e conscientemente vocacionada para o amor são fundamentais. Eu não tenho a pretensão de apagar seja o que for na minha história porque ela faz demim a pessoa em que me transformei hoje e faz-me transbordar de amor de cada vez que olha para familias que passaram como eu por este processo e que são como um espelho demim e da minha familia. Também elas não têm a pretensão de apagar nada. Porque não há nada para apagar, tudo há para amar.

Como pode o amor disciplinar uma criança?
O amor disciplina na sua incondicionalidade. Na aceitação das intempéries, das virtudes e das particularidades de cada um. Disciplina na aceitação da imperfeição. E ama-se assim. É assim que estes pais amam todos os dias. Incondicionalmente. Nos momentos mais devastadores, nos momentos de maior ternura. É assim que se disciplina. Com amor. E estes pais, estas familias estão especialmente vocacionadas para a cura através do amor. Porque é ele a sua maior ferramenta. Porque tudo o que fazem, as decisões, os momentos de espera e de aflição, as gravidezes que se prolongam durante anos, os processos de avaliação a que se sujeitam só o fazem porque têm amor para disciplinar, para crescerem e ajudarem a crescer.

Qual o momento adequado para contar a uma criança que é adoptada?
Desde sempre. A camuflagem devirtua a verdade e a vivência que cada um faz dela. Negativiza, cria gaps de comunicação. E mais uma vez chamo a atenção para a utilização do tempo verbal. O processo de adopção termina quando se atinge um estado de vinculação. Estas crianças são filhas no coração desde sempre. Antes de ser já eram. O tabus, as meias-verdades envenenam a relação. Retiram-lhe a base de segurança que devem ostentar. Claro que deverá sempre existir um cuidado quanto à forma como se vai gerindo e respondendo às questões, devendo existir um ajustamento à particularidade da criança em causa. À idade, ao momento de maturação, às suas fragilidades. A informação deve ser indo gerida com cuidado mas sempre, sempre com verdade.

Como é que um adoptante deve encarar todo o processo?
Com persistência, com resiliência. E esse principio de resiliência aprende-a todos os dias com estas crianças, que são o maior exemplo de resiliência que a sociedade conhece. É um processo adaptado à realidade cada um e às particularidades de cada familia. O amor trabalha-se. O amor vive-se dia-a-dia. Nem sempre se vive um amor à primeira vista. Não romantizemos as coisas. E nada nisso há de errado. O amor constrói-se na vivência partilhada. Por isso vivam com paciência, com paz de espírito e com amor. Munam-se de informação, criem uma boa rede de apoio social e combatam o isolamento.

Concorda que o período de acolhimento é a fase mais importante de todo o processo? Porquê?
Todas as fases do processo têm a sua relevância. E todas elas devem ser bem conseguidas porque só aumentam a probabilidade de obtenção de um processo de adopção de sucesso. E o que sucede é que se continuam a ter bases de apoio deficitárias e a passarem-se muitas vezes por processos ansiosos e de alguma escuridão. Isso também dita o processo de acolhimento. O processo de acolhimento não pode ser visto como determinista. Os passos dados por ambos os lados - os adultos e a criança - são ainda artificiais no seu cuidado e no estudo da natureza do outro. Não considero que hajam momentos mais importantes que outros, tudo faz parte do processo, embora seja esta fase talvez a de maior proximidade e mais preditiva ao nível da concretização da adopção. Mas há que ter cuidado aquando da análise deste periodo e não cair em reducionismos limitadores.

 

SU

 

Publicado originalmente no blog: Wake up Little Susie

publicado por Missão Criança às 22:08
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Domingo, 18 de Janeiro de 2009

Crianças mais velhas?... claro que sim!

Adopção de crianças mais velhas
 
Esta semana recebi no meu email uma mensagem que chegou do grupo Nos Adoptamos
 e que entre outras coisas dizia o seguinte:
 
"Estamos a pensar adoptar uma criança entre os 5 e os 7 anos porque há  muitas crianças dessa faixa etária por adoptar e porque, pelo menos em  teoria, será um processo mais rápido. No entanto, uma pessoa conhecida aconselhou-nos a adoptar uma criança com 5 anos no máximo, porque após  essa idade já começam a ter uma personalidade bem vincada e mais  dificilmente moldável. Partilham desta opinião? O que é que a vossa  experiência vos diz?"
 
Há pessoas que ainda acreditam que as crianças são moldáveis, está-se mesmo a ver que não conhecem os meus filhos. O meu filho foi-me entregue com 1 ano, tenho uma filha biológica e pelos vistos devemos ser uns péssimos pais, porque cada um tem a sua personalidade..... que por certo são a antítese um do outro, e acreditem em mim, se eu pudesse mudava ambos. No outro dia e ante as queixas das professoras de um e de outro, a P. virou-se para uma das professoras e disse:
 
- Deus fez um péssimo trabalho com os meus filhos, conseguiu dar a mais a um exactamente o que deu de menos ao outro.
 
Uma criança é uma criança, não há duas iguais, conheço casos de adopção de bebés que à medida que crescem são uns autênticos terroristas e casos de crianças que foram adoptadas com 6 e 7 anos que são os filhos que todos sonhamos ter. 
 
A Sandra, na sua resposta ao email dizia o seguinte:
 
"Acho que as pessoas confundem a necessidade de 'impor regras' ou de ' estabelecer alguma disciplina ou organização' com o 'moldar a personalidade' ou 'obrigar a criança a obedecer cegamente'. A imposição de regras, de disciplina ou organização, mesmo com crianças teimosas como a minha ou desorganizadas ou qualquer outra coisa, acontecem naturalmente se lhes explicarmos o porquê dessas regras e disciplina, a função delas, o que acontece se não forem observadas. Não é necessário 'moldar' coisa nenhuma. Nem é necessário, nem sequer é possível. Daí essa observação não fazer sentido.

As crianças com cerca de 5, 6 ou 7 anos, começam é a desenvolver mais e melhor outras capacidades - de expressão, de pensamento abstracto, etc... Agora a personalidade não está em stand by e não se começa a desenvolver com mais afinco a partir de determinada idade! 

Outra grande vantagem das crianças mais velhas é que já têm uma compreensão da realidade muito mais profunda e concreta do que as crianças mais novas (resultante do desenvolvimento de competências e não do desenvolvimento da personalidade) que, no meu caso, tornaram toda a integração e adaptação muito, mas muito mais fácil."
 
Normalmente estou de acordo com a Sandra, desta vez faço minhas as palavras dela...  literalmente.
 
Qualquer criança adoptada passou por um abandono, e isso vai viver com ela para o resto da sua vida. Podemos pensar que as crianças mais pequenas sofrem menos com isso, ou que são menos marcadas, a minha experiencia diz-me que isso não é verdade, o meu filho cresceu com o facto de ser adoptado, e à medida que ia crescendo e tomando consciência do que isso significa, ia reagindo... umas vezes melhor, outras pior, mas é algo que todos tem de enfrentar. Se pensarmos bem, uma criança mais velha já interiorizou o facto, na maioria das vezes já o aceitou e está tão desejosa de uma família, de amor e carinho, que se vai entregar de alma e coração aos novos pais.
 
Post publicado inicialmente no blog:O que é o jantar 
 
Jorge
PS:Sandra, eu sei que plagiar é feio... obrigado
PS:O grupo de mail Nós adoptamos é um grupo de discussão onde participam, pais, candidatos e adoptados.

  

publicado por Jorge Soares às 19:19
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Domingo, 4 de Janeiro de 2009

Adopção:A lei diz seis meses....

Imagem retirada da internet

 

Em Setúbal o tempo não está a ser cumprido e no resto do país ?

A minha própria experiencia, leva-me a afirmar que em Setúbal o tempo de 6 meses estipulado por lei para se avaliar os candidatos à adopção não está a ser cumprido.

E no resto do País como estamos?

Deixe aqui o seu testemunho!

  

publicado por Missão Criança às 21:38
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Domingo, 21 de Dezembro de 2008

Hoje é dia....

 

 

 

 

 

 

 

Hoje é dia em que se cumpre um sonho antigo.
Hoje é dia em que a minha família vai ficar completa.
Hoje é dia de alegria e felicidade.
Hoje é dia do G. vir morar connosco.

O amor que eu sinto por este menino é muito, muito grande.

Não consigo escrever muito mais hoje.

O meu filho vem morar connosco!!!

 

Mara

 

P.S o sonho antigo...descrito em: http://nosadoptamos.blogs.sapo.pt/1023.html

publicado por Missão Criança às 23:27
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Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

ADOPÇÃO EM PORTUGAL: Uma História de Terror

Adopção em Portugal, Nós adoptamos

Imagem retirada da internet

 

Imagine que um dia é acometido de um forte e incontrolável desejo de ser pai ou mãe em Portugal, por processos que nada têm a ver com os biológicos. Nada mais perigoso. Esse ímpeto, normalmente entendido como um sinal de generosidade e afectividade, é no nosso país convertido numa força maligna que se vira contra a vida dos sujeitos donde parte, os quais rapidamente se transformam num número de ordem numa lista secreta e macabra que parece ter por fim retirar anos de existência a um conjunto de seres que dela depende. O número do ano em que tomou essa decisão é ele mesmo negro. Pode ser 2001, 1998 e até 1996. Sim, há mais de onze anos que potenciais candidatos a exercerem a sua paternidade aguardam ainda pelo facto extraordinário de se tornarem pais, que no nosso país é quase um fenómeno sobrenatural. Para que este aconteça, os profissionais envolvidos no processo aconselham os candidatos a terem muita fé e crença, como se estes dependessem dos poderes especiais de alguma entidade divina. Embora muitos deles não percam o seu fervor religioso, todos os potenciais candidatos perdem algo muito importante e real: anos de vida. Numa inexplicável espera, desperdiçam-se anos de afecto, partilha e convivência que provocam danos físicos e psíquicos irreparáveis. Para não os provocar, necessário seria que tanto crianças como pais não fossem humanas. Só assim seria possível resistir a um processo de adopção que ainda não entendeu que o melhor método de o tornar eficaz é simplesmente não criar problemas onde eles não existem e confrontar-se com as gravidades que ignora. Algumas delas encontram-se nas estatísticas assustadoras que referem os milhares de crianças que resistem encarceradas nas várias instituições, à espera de adopção. Segundo fontes oficiais, apenas 305 crianças portuguesas das 15 mil a viver em instituições estão aptas para serem adoptadas. Em 2006, 1.933 candidatos a pais adoptivos tinham já sido avaliados pelos serviços da Segurança Social e estavam em condições de adoptar, contudo mais de 400 continua ainda em lista de espera desde 2003. No entanto, estes dados não são suficientes. Há sempre aqueles que não acreditam em estatísticas, ou se as reconhecem, assumem que afinal quem tem parte da culpa são exactamente os candidatos a pais que se recusam a adoptar crianças com mais de três anos de idade, pois nas histórias de terror há sempre reversões de papéis em que muitas vítimas se transformam em vilões. A verdade é que tal não pareceria uma opção malévola, se o sistema tivesse a seu tempo resolvido, com a celeridade devida, todos os processos, impedindo que qualquer criança ficasse nas instituições de acolhimento para além dos três anos de idade.

 

A esta evidência de erro processual juntam-se outras, como é o caso da resposta à questão nº 32 do formulário do questionário individual à adopção, que requer resposta à seguinte pergunta: “Quando pensa na adopção idealiza uma criança com que idade, sexo e etnia?”. Se o candidato for totalmente sincero para com os seus ideais, arrisca-se a permanecer em lista de espera eternamente, como alguém que joga num jogo de sorte e nunca vê contemplado o número em que apostou.  Se tiver idealizado uma menina até 4 anos e mais tarde surgir um rapaz de 5, ninguém o contactará, pois o técnico responsável passará para o candidato seguinte, alegando que essa criança não fazia parte do seu projecto de vida, e como tal não lhe seria adequada. E assim se arrastam infinitamente muitas candidaturas a pais que dependem de um processo rígido e formatado para parecer objectivo e rigoroso, mas que acaba por ser profundamente cruel e obtuso nos seus métodos, sendo totalmente desprovido de flexibilidade mental, inteligência emocional e sentido de urgência que as situações exigem. Tanto quanto sei, a existência de filhos de pais biológicos nunca dependeu deste tipo de questões, pois se o dependesse depressa baixariam drasticamente as taxas de natalidade. Este facto deveria ser mais considerado no sistema de adopção, sobretudo quando se detém excessivamente nesse conceito de “ideal” aplicando-o também à selecção de pais para as crianças, pois essa mesma fixação numa utopia, desactualizada e desajustada da realidade, é responsável por se continuar a preferir casais a candidatos singulares, ignorando completamente certos estudos sérios sobre a matérias (1) que, atentos às reais disfuncionalidades das famílias tradicionais, vêm comprovar o sucesso da adopção por esta espécie de candidatos detentores de uma maior resistência e confiança em enfrentar dificuldades, sendo igualmente possuidores de uma qualidade da componente afectiva preservada pela serenidade do clima familiar que proporcionam, o que permitiu afirmar a Eduardo de Sá, em “ A Família por dentro e por fora”, que “uma família onde só a mãe ou só o pai desempenham uma função educativa pode ser, e é-o em muitas circunstâncias, uma família melhor que muitas ditas tradicionais.”(p.13 Xis, 2003).  Tudo isto para dizer que, se existe uma lista ordenada de candidaturas, essa ordenação deveria ser respeitada independentemente das características dos candidatos e de algumas das suas preferências de maior pormenor, as quais só deveriam servir para traçar um perfil dos seus desejos, útil em certos casos, mas não para vinculação definitiva a uma opção que poderá nunca concretizar-se na prática, pois como sabemos a realidade nem sempre corresponde aos nossos sonhos e não será por isso que alguém se tornará num mau pai ou mãe, já que neste, como noutros aspectos, os pais adoptivos não são menos humanos do que os pais biológicos, sendo bom não esquecer que ambos pertencem à mesma espécie.

 

Deste facto se esquecem muitas vezes os técnicos responsáveis, eles próprios também sujeitos a um inoperante mecanismo burocrático que os impede muitas vezes de se lembrarem da sua humanidade. Com imensos casos para darem resposta, detêm em seu poder uma lista ordenada de candidaturas que os próprios candidatos desconhecem ignorando a sua posição e evolução da mesma, assim como os critérios de selecção a que obedecem. Presos em difíceis decisões em que imperam critérios subjectivos e estereotipados, que os fazem preferir casais a candidatos singulares, indivíduos do sexo feminino aos do sexo masculino, candidatos mais jovens a outros mais velhos, etc, certos profissionais responsáveis pela adopção, não assumem, na maior parte das vezes, esta responsabilidade, atribuindo aos tribunais a razão da lentidão dos processos e às instituições de acolhimento o motivo de certas preferências de selecção. Se questionarmos o outro lado, dir-nos-ão exactamente o inverso e assim se mantêm ad eternum muitos candidatos, cuja única culpa que sentem possuírem é a de necessitarem candidatar-se a tão absurdo e injusto impasse. Para minorar este compasso de espera, é-lhes agora sugerido alguns momentos de paciente e pedagógica leitura, pois será lançado, até ao final do ano, um manual de formação para quem queira adoptar uma criança. Com todo o devido respeito pela intenção de esclarecimento e futura utilidade desta obra, lembro que nenhum pai ou mãe biológicos são obrigados a ler um livro de instruções para assumirem a sua paternidade, podendo-se até concordar que em muitos casos tal devesse ser obrigatório, devendo todos os casais receber no acto matrimonial uma lista bibliográfica de leituras extensivas. Mas a verdadeira razão de ser desta obra prende-se não só com o desconhecimento do lado negro processual do sistema de adopção, mas essencialmente com a sua ineficácia. Sendo eficaz, o sistema não necessitaria de uma publicação que deverá alertar os candidatos para alguns dos seus erros mais comuns, não se assumindo que esses erros são eles próprios decorrentes de processos mal orientados e da falta de verificação e fiscalização na aplicação de novas leis e medidas. Como exemplo, poderá dar-se a renitência à utilização de uma rede nacional de dados (concebida em 2003), mas a que a maior parte das delegações da Segurança Social pouco recorrem, por afirmarem provocar trocas de crianças de zonas onde as técnicas melhor as conhecem para poderem proceder a esse acompanhamento. Assim, um menino que esteja numa instituição de acolhimento na Guarda, não pode ser adoptado por um candidato de Azambuja, porque os seus dados biográficos são demasiadamente preciosos para serem enviados por correio e as informações sobre o seu comportamento demasiado secretas para serem transmitidas via fax, telefone, correio electrónico ou vídeo-conferência. E mais uma vez se verifica que o excesso de zelo e o medo de acusações, por falta de rigor ou competência, conduz a um efeito ainda mais negativo que a falta dessas mesmas qualidades éticas e profissionais.         

 

Até que todo o sistema se regule de acordo com novas decisões que foram legisladas, mas que dificilmente têm sido postas em prática, as escolhas dos próprios candidatos serão também usadas como um álibi, que justifica a incapacidade de regulação de processos cujos efeitos perversos parecem ter escapado totalmente ao controlo dos profissionais envolvidos, qual monstro incapaz de obedecer ao seu próprio criador. Até se atingir uma gestão mais eficaz do sistema, que se acredita desejada por todos os responsáveis, ter-se-á de conviver ainda com mentalidades fechadas, lentidão judicial, falta de dinamismo dos serviços, leis que não zelam pela sua aplicação, e outros demais obstáculos que se têm transformado em instrumentos de tortura destinados a impedir a felicidade de muitas crianças e de seus possíveis pais, que dificilmente vêm essa possibilidade realizar-se numa fase da vida em que ainda mantenham todas as suas capacidades físicas e psíquicas, que possuíam na sua data de candidatura. É que para se ser candidato a pai em Portugal, melhor seria não pertencer à espécie humana. As crianças também teriam vantagem em serem de outro mundo, como nos filmes de John Carpenter. Todas teriam cabelo branco, não envelheceriam e seriam de uma perversidade tão genuína que as tornaria imunes a qualquer tipo de maldade que sobre elas recaísse. Só este elevado grau de inumanidade poderá resistir a um sistema profundamente inumano, onde a vontade e a exigência de mudança não tem sido suficientemente forte para impedir que a maior parte dos seres nele envolvidos não continuem a viver uma história de perigo e perseguição por forças difíceis de nomear, como muito desse mal que a autora de Harry Potter viu personificado em Valdemor, e cuja presença é demasiado real e não imaginada, para muitas crianças presas num sistema gótico de adopção, embora todas elas tenham direito a acreditar que a vida não está somente repleta de factos e seres inomináveis. Os candidatos a pais também gostariam de acreditar nisso, mas para tal será necessário combater a magia negra na qual se encontram presos, de uma forma mais eficaz que certas leis, aparentemente tão mágicas como varinhas de condão, mas que, se não contarem com a inteligência, sensibilidade, coragem, sentido de responsabilidade e bom senso, apenas contribuirão para os manter petrificados como mudas estátuas que o tempo se encarregará de desgastar.    

 

 

Maria Antónia Lima

Professora Universitária

(Universidade de Évora)

 


1 - Ver Sá, E.; Cunha, M. J. (1996) Abandono e Adopção – O Nascimento da Família, Coimbra, Almedina.  

publicado por Missão Criança às 09:05
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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

Reflexões sobre ter-se sido adoptado

Há algo que sempre causa grande ansiedade quando se fala de adopção: a relação emocional da criança que FOI adoptada com aquilo a - muitas vezes fantasiada - familia biológica. Parece-me até que que é uma fonte de ansiedade generalizada a todos os que ponderam avançar para este processo, ou que já s embrenharam nesta aventura de ser pais. Portanto e porque considero importante diversificar a partilha das experiências e vivências do outro lado do espelho - da criança - hoje insurge-se-me palrar sobr este tema.

 
Começo por afirmar que nunca me pareceu exequível privar com aquilo que -à falta de melhores termos - se apelida de mãe biológica. Na verdade a minha relação emocional com a imagem que construi dela foi desde a revolta a uma postura de não julgamento perante a sua escolha de vida, que foi efectivamente não ficar comigo.
 
Há uns anitos via um filme com o grande Denzel Washington, o "Antoine Fisher" em que a personagem se debatia com a necessidade de confrontar a mãe biológica, procurando perceber o porquê das suas escolhas. Eu acredito que nenhuma resposta que ela me desse poderia apaziguar a minha incompreensão. A paz que sinto em relação à escolha dela e àquilo que ela personifica encontrei-a e encontro todos os dias em que aprendo a gostar demim.
 
Para mim as respostas estão dentro de nós. Acredito que muitos decidem procurar a familia biologica porque nessa busca esperam encontrar um pedaço de si mesmos, do amor próprio que nunca conseguiram construir. É como sempre assumissem aquele papel de criança abandonada, de criança enclausurada no seu mundo estéril de amor e de emoções. E por isso procuram fora aquilo que não conseguem encontrar dentro.
 
Não estou a tecer nenhuma crítica e sublinho que cada caso é um caso. Cada um segue o caminho que consegue para chegar a si mesmo, dispondo das ferramentas que possui.
 
Eu acredito que quando nos sentimos unos e aceitamos verdadeiramente o que somos essa busca deixa de ser necessária. Os laços consolidam-se nos afectos. Mas tudo é um processo. O que, no meu ponto de vista, vocês pais e candidatos a pais podem fazer é munirem os vossos filhos das ferramentas necessárias em vista a estes se tornarem em seres capazes de se amarem a si mesmos. Se estiveram realmente bem e felizes com o que têm, onde estão e com o que são o abraço para onde quererão correr será sempre para o vosso.

 

 

 

Susana

Publicado originalmente no blog http://wakeuplittlesusy.blogs.sapo.pt/

(Susana..e que tal dares um nome ao blog?) :-)

publicado por Missão Criança às 00:44
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Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

Nota de imprensa:Entrega da petição na assembleia da República

Pelo direito a uma Família "

 

 

"A Bem Me Queres - Associação de Apoio à Adopção - em parceria com o Grupo Nós-Adoptamos, irá amanhã entregar à Assembleia da República uma Petição para instituir o Dia Nacional da Adopção de Crianças.

 
Amanhã, dia 26 de Novembro de 2008 pelas 11h30, em audiência com o Presidente da Assembleia da República Dr. Jaime Gama, a Associação Bem Me Queres irá efectuar a entrega de uma Petição para instituir o Dia Nacional da Adopção de Crianças em 10 de Maio.
 
Com o objectivo de promover o debate na sociedade civil, e em simultâneo sensibilizar as autoridades competentes para a situação dramática de incerteza em que vivem as mais de 11.000 crianças institucionalizadas, a Bem Me Queres, em parceria com o grupo de cidadãos Nós-Adoptamos, promoveu a assinatura de uma Petição para requerer à Assembleia da República a instauração do dia 10 de Maio como o Dia Nacional da Adopção de Crianças.
 
Esta Petição excedeu todas as expectativas, já que num curto espaço de um mês atingiu cerca de 5.000 assinaturas, mais 1.000 do que as necessárias para que a Assembleia da República leve este assunto a discussão."
 
 
publicado por Jorge Soares às 16:41
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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Mais uma vez se falta à verdade…ou se distorce a realidade…

crianças

 

Está a decorrer o 1º Congresso internacional sobre a adopção…e este evento deu origem a um conjunto de noticias sobre o estado da adopção em Portugal nos vários meios de comunicação….E tantas poucas verdades se contam…

   

   Vejamos a noticia que saiu no publico e que podem ler na integra aqui

   

   “O Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social garantiu hoje que as Listas Nacionais de Adopção, em vigor desde Junho de 2006, tornam processo mais rápido.”

   

   COMO ?

   

   - Se são as próprias técnicas que admitem que não usam a lista. Que entregam as “suas crianças” aos “seus candidatos”.

   - Conhecem alguma técnica das equipas de adopção que afirme que usa a lista nacional como ferramenta de trabalho?

   - Se existem crianças que o seu projecto de vida foi alterado e tal alteração não foi reflectida na lista nacional.

   - Se aos candidato não lhes é dado a conhecer o seu numero de registo na lista nacional, nem o conteúdo do seu registo.

   

   

   “Apesar das Listas Nacionais não serem uma fórmula milagrosa, o ministro Vieira da Silva defende que permitem reforçar as possibilidades de se encontrar candidatos adequados para todas as crianças, e promovem a rapidez das adopções.”

   

   - Então como é que existem crianças que estão há espera um ano ou mais, quando existem candidatos aprovados que estão dispostos a receber estas crianças ? 

 

   - Mas se na lista não consta a etnia da criança e este é um elemento que afasta muito candidatos…Como é que através da lista conseguimos saber se aquela criança A, satisfaz os requisitos dos candidatos B. Mais uma hipocrisia! Ou aceitamos que os candidatos façam restrições à raça/etnia da crianças que querem como filho e colocamos essa informação na base de dados, ou se viola a nossa constituição colocar essa informação numa base de dados, então também viola a nossa constituição permitir que os candidatos façam  essa distinção. 

   

   “Segundo o ministro, as listas nacionais de adopção revelam que a grande maioria dos candidatos (2176 de um total de 2227) pretendem crianças até aos três anos de idade e apenas 407 crianças adoptáveis se encontram nesta faixa etária.”

   

   

   - Bem, alguém não sabe ler os números! O que acontece é que existem 2227 candidatos que aceitam crianças até aos 3 anos. O que é bastante diferente de aceitarem  só até aos 3 anos.  O que acontece é que existem 51 candidatos que apenas aceitam crianças acima dos 3 anos!

   

   “Por outro lado, referiu, apenas 152 candidatos não se importariam de adoptar crianças com pequenos problemas de saúde, embora existam 292 menores com estas características”

   

   - Mas então se existem 152 candidatos que as aceitam…porque continuam 292 crianças por adoptar  e não estão já adoptadas?

 
Patricia Macedo

 

publicado por Missão Criança às 23:35
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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Em conversa com a adopção…

Porque o processo de avaliação está a chegar ao fim, e porque tenho lido certos posts e comentários que me desinquietam, vou expressar a minha opinião, pública e abertamente acerca da famosa questão da idade das crianças.


Não tenho por hábito envolver-me em discussões de certos assuntos online, especialmente quando percebo que são um tanto ou quanto polémicas, porque há por ai muito boa gente que como está a comentar sem dar a cara diz o que lhe apetece sem pensar que quem está do outro lado pode estar a falar a sério de um assunto sensível.


Eu penso que opiniões são exactamente isso, meras opiniões, pessoais, divergentes, mas se queremos que as oiçam e percebam, também devemos saber ouvir e respeitar as outras, antes de atirar pedras sem tentar perceber o outro lado. Não quero ser mal interpretada, pois por vezes o simples facto de ser um comentário escrito, pode também levar a falsas e diferentes interpretações, consoante quem lê, mas vou tentar ser o mais clara e sincera possivel.


Ora porque hei-de eu, nós, e muitos outros casais que decidem nobremente adoptar uma criança, ter que justificar ou ser intitulados de egoístas, quando decidimos adoptar uma criança até 3 anos?

Não sou hipócrita, penso que o simples facto de decidir adoptar é um acto de amor e as decisões que cada um faz quanto à criança “desejada” só dizem respeito ao casal em questão, e se assim o decidem é porque com toda a certeza, falaram e pensaram devidamente no assunto, nas consequências das várias opções e em todos ou quase todos os detalhes do processo. Não tenho que me explicar nem às minhas decisões, mas estou cansada de ver críticas em muitos comentários por ai espalhados, e vejo que há alguma falta de compreensão, por isso gostaria de explicar um pouco do meu lado.

 


Falo por mim, por nós casal, que incapacitados de gerar um filho biológico, vemos na adopção a nossa única alternativa. Devo ser recriminada por desejar uma criança mais nova para poder acompanhar o máximo possível do crescimento dela?

 

Obviamente que isto não significa que as crianças mais velhas não mereçam ou não nos dêem o mesmo amor que as outras, porém existem outros casais com características diferentes e objectivos diferentes que muitas vezes até já tem filhos e escolhem crianças com idades acima destas. Devo dizer que as assistentes sociais ou psicólogas tiveram um papel fundamental e foram deveras esclarecedoras, porque nos explicaram exactamente isso, tudo tem a ver com expectativas, e é importante perceber quais são as expectativas do casal, e garantir que estas vão de encontro ao melhor interesse da criança. Nós enquanto casal, ficamos a saber que estamos entre os mais novos, senão os mais novos do distrito. A maior parte dos casais inscritos estão na faixa dos 35 aos 45 anos. E que, quando o casal já tem filhos, muitas vezes já não sente necessidade de experienciar os primeiros passos da criança e desejam crianças mais velhinhas. Mas que no nosso caso e dos casais na nossa faixa etária, que ainda não tem filhos, normalmente são atribuídas crianças mais novas. O facto da maior parte dos casais terem preferência por crianças mais novas, deve-se também ao facto da infertilidade ser a causa número 1 da decisão de inicio do processo de adopção, estes casais que se sentem mutilados pela infertilidade já sofreram que baste e também tem direito de sonhar, vendo na adopção muitas vezes a única “solução”.

O mesmo digo em relação à adopção de crianças de outra raça (que por acaso não colocamos qualquer restrição nesse sentido), mas no entanto fomos aconselhados pelas responsáveis do processo a repensar e ponderar de modo a ter a certeza acerca do assunto. Foram-nos expostas várias questões e situações que surgem com a adopção de uma criança de outra raça, e que apesar de para nós não ser problema, outros casais podem não lidar tão bem com isso. E não podemos tomar uma decisão importante, como é a vida de uma criança de ânimo leve sem pensar nos desafios do futuro. Um casal que não se sinta preparado para isso não é necessariamente racista, e não deixa de ser nobre a decisão de adoptar, só por essa escolha.


CriançaProvavelmente já falei demais, não quero parecer revoltada nem chateada com nada nem ninguém, porém penso que é importante falar destas escolhas e decisões, porque se pode existir uma minoria de pessoas que insensivelmente vêem a adopção como moda ou como uma escolha de prateleira, há outras como eu que vêem nisso um projecto para a vida, que como tal deve ser ponderado ao pormenor.

 


E já que o destino me incapacitou de gerar um filho, porque não hei-de encontrar o meu sonho noutro caminho?

 

Post da Ana, publicado inicialmente no blog Sonhando Acordada

 

PS:Ana, desculpa, mas o SAPO nãp gostou das imagens que tinhas no post e tive de improvisar.

publicado por Missão Criança às 18:56
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Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

Pelo direito a uma família

 Pelo direito a uma família

 

 

A campanha "Pelo direito a uma família" vai estar no Colombo este fim de semana e no norte shopping no Domingo, venha visitar-nos.

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 19:54
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Sábado, 8 de Novembro de 2008

Desfazendo mitos 2

criança

 

Uma das questões que me colocam muitas vezes, e que já vi colocada por alguém que já tinha sido aprovado para adopção, é a questão da entrega da criança. A maioria das pessoas acha que um processo de adopção é muito demorado devido às burocracias, na verdade actualmente a maioria dos processos fica concluído dentro do prazo legal de seis meses.  Como já disse aqui, o que faz demorar os processos de adopção é o facto de haver muito mais candidatos para adoptar que crianças em condição de ser adoptadas.

 
Muita gente tem a imagem das crianças que estão num centro de acolhimento, o mito dos coitadinhos sem família, à espera que chegue alguém e os escolha, na realidade isso não acontece, ninguém vai escolher uma criança, as crianças não são mercadorias que estão em exposição.  
 
Quando nos candidatamos colocamos alguns limites: sexo, idade, raça, doenças, quando aparece uma criança que está dentro destes limites, a segurança social fala dessa criança aos candidatos e estes só a conhecem fisicamente após a terem aceite. A forma como é feita a entrega varia de caso para caso, em alguns casos existe um período de alguns dias até que a criança vai viver definitivamente com os pais, noutros nem isso.
 
No nosso primeiro processo ligaram-nos numa terça feira a dizer que queriam falar connosco, vieram cá a casa, falaram do N., após dizermos que sim que o aceitávamos, mostraram-nos uma fotografia e perguntaram se o podiam ir buscar, sem preparação, sem nada, se quiséssemos ficava já connosco.  
 
Como vêem, não há escolhas, estamos a falar de crianças, não de carros, de roupa ou de algo que esteja em exposição,
 
Esta semana soube que entregaram uma criança que estava há três anos à espera de uns pais a uma família que estava há quase três anos à espera de um filho, há algo de muito errado nisto tudo, porquê é que a criança teve que esperar 3 anos se aqueles pais já lá estavam? E como aqueles muitos outros. Para que serve uma base de dados nacional? ela existe mesmo?
 
Post publicado inicialmente no blog : O que é o jantar
Jorge
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Sábado, 25 de Outubro de 2008

Desfazendo mitos

Crianças, adopção

 

Existem em Portugal uma serie de mitos relacionados com a adopção, sinto isso cada vez que falo com alguém sobre o assunto, cada vez que recebo um mail de alguém e mesmo de muitos dos comentários que me deixam aqui ou no nos adoptamos, o mais incrível é que mesmo muitas das pessoas que passam pelo processo de avaliação continuam a acreditar nesses mitos.... e a alimentá-los.

 
No outro dia recebi um mail de uns alunos de uma escola secundária do Porto a pedir ajuda para um trabalho sobre adopção, após uma troca de mails sobre a minha disponibilidade para os ajudar, enviaram-me uma serie de perguntas que eu tentei responder o melhor que sabia. A maior parte dessas perguntas reflecte isso mesmo, os mitos, aquilo que as pessoas acham sobre a adopção e os processos de adopção e que não tem nada a ver com a realidade. 
 
Eu não gosto de posts largos e o tema os mitos da adopção em Portugal  dá pano para muitas mangas, pelo que o assunto será tratado em vários posts, vamos lá à primeira pergunta:
 
1 - Porquê que há tantas crianças para adoptar?
 
Na verdade não há muitas crianças para adoptar, há poucas, durante o ano de 2007 foram adoptadas em Portugal pouco mais de 500 crianças, o numero de crianças em condição de ser adoptada anda à volta disto, 500 crianças por ano. Existem em Portugal mais de 11000 crianças em instituições, mas estas crianças não são para adopção, uma criança só vai para adopção quando o seu projecto de vida é definido para isso, e isto só acontece quando a família ou família alargada (avós, primos, tios) passa mais de seis meses sem aparecer na instituição ou mostrar interesse pela criança.
 
Reparem bem, basta que alguém faça um telefonema para a instituição cada seis meses para que a criança passe a vida inteira sem uma família. A ideia de que existem muitas crianças para adoptar é errada. Na verdade existem muitos mais candidatos, mais  de 3000, que crianças.
 
O principal motivo para que as pessoas tenham que esperar anos até poderem ter um filho, é porque na realidade não há crianças para adoptar, isso e o facto de 90% dos candidatos quererem crianças brancas até três anos de idade. Também é verdade que existem algumas crianças que estão em condições de serem adoptadas e não há candidatos para elas, principalmente quando se trata de dois ou mais irmãos e de crianças com mais de 7 anos, mas são uma pequena minoria.
 
Post Publicado inicialmente no blog O que é o jantar
Jorge
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Domingo, 19 de Outubro de 2008

A espera:Oficialmente....à espera!

Adopção de crianças

 

Hoje foi finalmente o dia da primeira entrevista, na altura achamos um pouco estranho que em Julho marcassem a entrevista para Outubro,  agora não parece assim tão estranho, desta vez tinham feito mesmo o trabalho de casa, a psicóloga é a mesma do primeiro processo e lembrasse muito bem de nós. Para nosso espanto despacharam hoje todo o processo, as 3 ou 4 entrevistas habituais, ficaram resumidas a esta, duas horas de conversa franca e agradável encerraram o assunto. Teremos que esperar que chegue o bendito certificado de aprovação, mas segundo elas já estamos na lista....resta portanto esperar que algures apareça a nossa menina.

 
Evidentemente não vou contar aqui tudo o que se falou, na realidade falou-se mais de adopção, de candidatos e de crianças, que de nós e do nosso processo. Ficamos a saber que para as nossas condições o tempo de espera poderá ir até dois anos, evidentemente existem muitíssimos candidatos à nossa frente, só que segundo elas, 95% desses candidatos querem exclusivamente crianças brancas até 3 anos, não há candidatos que aceitem crianças de cor, o que nos coloca imediatamente no topo da lista, nós não colocamos restrição de raça.
 
Há sempre coisas que causam aflição quando se fala destes temas, o racismo das pessoas, a discriminação, as famosas listas nacionais que afinal não existem, mas sobretudo, as crianças devolvidas, sim, porque há quem devolva crianças..... haverá coisa mais cruel que abandonar novamente uma criança que iniciou  a sua vida sendo abandonada? mas disto, falarei outro dia... somos um país de gente racista e sem escrupulos....sem dúvida.
 
 
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
 
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
 
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
 
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
 
Alberto  Caeiro
In Guardador de rebanhos
 
Post publicado no dia 9 de Outubro no blog O que é o Jantar
 
Para assinar a petição pela instituição do dia nacional da adopção, por favor vão aqui: Assinar petição
 
Jorge Soares
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Petição para instituir Dia Nacional da Adopção de Crianças

Pelo direito a uma família

 

Para assinar a petição por favor vão aqui: Assinar petição

 

 

Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia da República:

 

PETIÇÃO PARA INSTITUIR O DIA NACIONAL DA ADOPÇÃO DE CRIANÇAS EM 10 DE MAIO DE 2009

 

Considerando que:
• a adopção de crianças é uma realidade no nosso país;
• existem 11.362 crianças/jovens institucionalizados (dados referentes a 2007 explanados no Plano de Intervenção Imediata do Instituto da Segurança Social);
• é de extrema importância a promoção de um dos direitos fundamentais das crianças – direito a uma família;
• que foram adoptadas, no referido ano, apenas 417 crianças;
• é importante promover a consciencialização da sociedade para o facto de crianças que estão a crescer sem família estão a ser privadas daquilo que de mais importante existe para a sua formação, desenvolvimento e crescimento – o afecto, os laços, a conquista de um colo;
• a adopção pode representar um projecto de vida alternativo à institucionalização;
• que cada criança que seja adoptada é uma criança que, ainda, encontra o seu tempo de ser criança;

vem, desta forma, a Bem Me Queres - Associação de Apoio á Adopção de Crianças, NIPC 507705050, sediada na Rua Santa Justa 265, 2º 4200-479 Porto nos termos do artigo 52.º da Constituição da República Portuguesa, da Lei n.º 43/90, de 10.08, com as alterações introduzidas pelas Leis n.ºs 6/93, de 1.03, 15/2003, de 04.06 e 45/2007, de 24.08, conferir aos cidadãos a possibilidade de exercerem os seus direitos constitucionais de entrega de assinatura da presente petição a submeter à Assembleia da República para que seja instaurado em 10 de Maio de 2009 o DIA NACIONAL DA ADOPÇÃO DE CRIANÇAS, com os seguintes fundamentos:

 

a) Promover o debate na sociedade civil;
b) Consciencializar a sociedade para esta realidade;
c) Difundir junto das entidades competentes a dramática situação em que vivem as milhares de crianças institucionalizadas;
d) Sensibilizar o poder judicial para uma celeridade dos processos.

 

A presente petição vai assinada pelos cidadãos abaixo-assinados que aderiram à proposta apresentada pela Associação requerente.

Porto, 9 de Outubro de 2008

Os Peticionários

 

Para assinar a petição por favor vão aqui: Assinar petição

publicado por Jorge Soares às 14:43
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Queríamos tanto ter um Pai e uma Mãe

Criança
Imagem retirada da internet
 
 
Olá,

Resolvemos escrever-te porque sei que desejas muito ter um filho.

Não, nós não somos o bebé com que tu sonhas..

 Já não usamos fraldas, não comemos papas…mas ainda somos crianças …. e queríamos tanto ter um papá e uma mamã.

O homem com quem vivíamos era alcoólico e batia na mulher.

Já não nos lembramos bem, dizem que era a nossa mãe e que um dia se fartou e foi-se embora. Ficamos sós.. e ficar sozinhos no mundo, com a nossa idade, é muito triste.

Vivemos desde essa altura numa casa bonita, com muitos meninos e meninas e há muitas senhoras muito simpáticas que tomam conta de nós.

Mas continuamos a sentirmo-nos sós… não temos um papá nem uma mamã…. e  queríamos tanto…

Nós sabemos, não somos o bebé com que tu sonhas….

Mas sabes? Nós também somos como tu. Também sonhamos.

Sonhamos que um dia vamos ter uma mamã que nos vai ajudar a escolher a roupa que vamos vestir, que nos vai levar á escola, que nos vai contar histórias, aconchegar os cobertores e dar-nos um grande beijinho de boa noite…

Sonhamos que um dia vamos ter um papá que vai andar connosco de bicicleta e nos vai ver no torneio de futebol da escola… e… vamos ser tão felizes!!

Quando isso acontecer...

vamos deixar de chorar porque os nossos colegas vão deixar de nos gozar porque não temos papá nem mamã,

vamos deixar de chorar quando nos aleijamos porque a nossa mamã vai dar-nos um beijinho na ferida e vai passar logo,

vamos deixar de chorar quando um colega mais velho nos bater porque vamos ter um papá para nos proteger,

vamos deixar de chorar quando encontrarem papás para os meninos mais pequeninos..porque já não vamos estar aqui, porque…. vamos ter a nossa família…e vamos dizer eu tenho um papá e uma mamã.

Tenho 9 anos, e o meu irmão 7,  mas ainda somos crianças, não somos?

Nós sabemos, não somos o bebé com que tu sonhas…

Mas se conheceres alguém que queira ser a nossa mamã ou o nosso papá, escreve-nos.
 
Este texto chegou-me por email, é o pensamento de dois irmãos que estão numa instituição, é uma carta real. Acha que lhes pode dar uma resposta?, que tem amor para lhes dar?, o meu mail está no perfil, envie-me um mail, eles precisam de um pai ou uma mãe.
 
Não há palavras para algo assim.
 
Jorge Soares

 

publicado por Jorge Soares às 14:20
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Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

Meninos do Mundo

Meninos do Mundo 

Imagem retirada da internet

 

Sou um menino,

Cheguei a um Mundo, perdido,

Perdido de espaços ao meu sonho.

 

Descobri rostos, que me queriam, sem saber o meu rosto

Quando eu estava perdido, despido do calor da infância.

Encontrei braços de ternura,

Que me enlaçaram de Amor.

Que me conduziram às estrelas.

 

Eles, que me encontraram,

Que me sonharam, sonhando o meu sonho,

Que me procuraram, para nos realizar.

 

Eles, que me amaram sem eu saber

Quando eu era um menino, num Mundo perdido.

Eles, que me resgataram à vida,

Correndo um Mundo por mim.

 

Eles, meu Pai- Sol

Minha Mãe- Lua

Que do céu me guardaram,

Antes mesmo dos seus braços me envolverem.

 

Correram o Mundo por um filho

E eu ganhei o Mundo pelas suas mãos…

 

Quando eu era apenas…

Um MENINO DO MUNDO!

 

Francisca Chixaro

 

Uma criança é uma criança em qualquer parte do Mundo!

 

Retirado do blog Meninos do Mundo

Jorge

publicado por Jorge Soares às 11:18
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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

Queria ser escolhido ....

Criança

 

Acordo bem cedo, mas gosto de ficar ali na cama a olhar para aquele espaço cheio de pessoas, e vazio de memórias... "Será que é hoje?" Não sei quem me ensinou esta frase, esta pergunta, mas sei-a de cor, repito-a todas as manhãs. A verdade é que não sei ainda acredito que o "hoje" pode chegar. "Será?"


Vivo nesta casa há 11 anos, no total dos meus 12. Tenho os colegas, as pessoas que cuidam de mim, a minha escola, mas... Falta-me algumas coisas. Queria um quarto só meu com coisas compradas para mim... Queria alguém se preocupasse realmente comigo, com as minhas notas e que parasse com a sua labuta só para me ouvir contar o que se passou no meu dia. Queria uma festa de anos, com bolo e presentes, com amigos, e quem sabe até com um palhaço? Queria poder jantar à mesa onde se contavam as novidades, historias e ensinamentos. Queria que me ajudassem a fazer os trabalhos da escola, que me ensinassem a andar de bicicleta, a construir pequenas coisas e a jogar à bola... Queria aprender o significado de preocupação, e de carinho. Queria saber o significado da palavra família, e o poder de um abraço. Queria tanto uma historia contada ao deitar, um abraço e um beijo de boa noite...

Sonho acordado com tudo isto, vejo-me a correr, a brincar e a sorrir num jardim grande de um casa bonita. Mas cada vez que apresentam o meu processo a um casal  vem o comentário, "Ele não, que é grande demais, queremos uma criança pequenina..." Nunca a ouvi é verdade, mas imagino que acontece. Os meninos pequeninos vão entrando e saindo, e eu vou ficando vendo aquele transito. Já pensei que ser um bom menino ajudaria, mas fui percebendo que não influencia, sou apenas grande demais... Agora vou ficando aqui até que um dia decidam o meu futuro.

Cátia Azenha

Texto de ficção publicado inicialmente no blog Ticho


publicado por Missão Criança às 10:28
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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

Saudades de quem ainda não conhecemos...

Criança

 Imagem retirada da internet

 

Poucas vezes me recordo do que sonho. Esta noite no entanto, foi diferente.
“Esta noite sonhei com o meu filho. Sonhei que tinha recebido aquela tão aguardada chamada da Segurança Social, e que nos tinha sido proposto um menino de 4 anos. Aceitámos logo, e nesse mesmo dia poderíamos ir buscá-lo ao centro de acolhimento onde ele estava.


Chegámos a casa e contámos à F. e ao A. Ficaram radiantes... Arrumámos o quarto para os rapazes, pusemos lá uma cama nova, passámos na loja para comprar uma cadeira nova para o carro, numa outra comprámos um carrinho de brincar, que embrulhámos com um grande laço azul. Os 4 fomos então buscar o nosso novo mano.


Lá tudo foi muito rápido. O nosso “mano” aguardava-nos sentado num sofá. Sorriu com um sorriso do tamanho do mundo e chamou-me imediatamente de “Mãe”. Abraçámo-nos e viemos todos para casa. Ele nada quis trazer de lá. Queria vir para a casa nova sem nada que lhe recordasse o passado. Lembro-me de pensar que era uma ideia muito avançada para os seus tenros 4 anos.


À saída, vários meninos ficaram com ar choroso a olhar-nos do portão... Fiquei devastada. Apeteceu-me trazê-los todos para casa. Mas não podia...”


Acordei a chorar convulsivamente.
Este sonho foi em tudo diferente dos outros que costumo ter, principalmente pelos pormenores que recordo tão bem.


Acordei com o som do meu próprio choro, as lágrimas a escorrer pela cara, estava angustiada, triste, com tantas e tantas saudades daquele que ainda nem conheço. Nem sei explicar ao certo porque chorava. Ainda só tenho 2 meses de espera, e sei que este é um tempo de incertezas. Pode durar mais uns dias, uns meses, uns anos. Mas no meio desta incerteza, o que me faz doer muito mais o espírito, a alma, o coração de mãe, é o saber que o meu filho ou a minha filha já nasceu, já está por aí, poderá ser uma daquelas crianças de lágrimas nos olhos que eu vi ao portão, observando-me suplicantes. Ansiosas por uma família.


Não sei se tem olhos ou cabelos castanhos ou pretos. Se será menino ou menina. Alto ou baixo. Tímido ou reguila. Não sei se me vai adoptar logo no primeiro olhar ou se nos iremos conquistar pouco a pouco. Não sei se gosta mais de bifes com batatas fritas ou salsichas com esparguete.


Sei que o amo já muito, e que já choro por ele. Sei que já gerimos o espaço em casa a contar com a sua chegada. Sei que o carro novo foi comprado porque este modelo tem mais espaço para as 3 cadeiras no banco de trás. Sei que não sei entender como amo tanto alguém que não conheço...


É esta a dor da espera. É esta a ansiedade que os pais grávidos de coração têm de gerir. A gravidez que não se vê, que não se consegue medir.
 

Sofia

publicado por Missão Criança às 10:33
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Domingo, 28 de Setembro de 2008

Grande demais....

 

Criança

Imagem retirada de Ticho

 

Os risos ecoavam ainda pelos corredores largos, afastando-se. Nunca soube muito bem por ordem naquela correria desenfreada, nos atropelos à saída. Confesso mesmo, que em muitos dias, me apetecia simplesmente sair a correr com eles, esquecer tudo, e voltar a ter direito a brincar. Reconquistar os meus minutos de recreio!

Depois de todos terem saído, reparei na Sofia, ficara sentada, carita escondida pela cabeleira. Caminhei para ela, ouvindo apenas o som seco do tacão a bater na madeira velha do soalho e o frenesim distante que chegava da rua, para lá das velhas portas em arco.

“Posso sentar-me contigo?” – Perguntei com um sorriso, tentando adivinhar o motivo da sua tristeza. Limitou-se a acenar com a cabeça.

“Não queres brincar com os teus amiguinhos hoje?”

“Não! Já sou muito crescida!”

O seu tom era realmente o de um adulto triste, aprisionado no seu corpo e voz infantil. Avistei-lhe uma lágrima a despontar nos belos olhos negros. Senti o coração apertar-se face ao sofrimento daquela criança que aprendera com o tempo a amar.

“Sabes uma coisa Sofia, eu sou ainda mais crescida que tu e está a apetecer-me ir lá fora aos baloiços. Queres ir comigo?”

Fitou-me de frente, com os olhos arregalados de espanto.

“As duas? No baloiço?”

Sorri-lhe como resposta.

“Não!” - Disse peremptória e novamente cabisbaixa. – “Eu ontem ouvi que já sou grande demais...”

“Ouviste? Quem te disse?”

“Não foi a mim... Eu é que ouvi... Afinal já não vou ter uma mãe nova... Já sou muito grande...”

Apeteceu-me sair aos berros com quem o tivesse dito, mas em vez disso forcei um sorriso e tentei confortá-la.

“Pois eu não te acho muito crescida, acho que és uma menina linda e que quando tiveres uma mamã nova, ela será muito feliz contigo, terá muita sorte por te ter!”

“Achas?!”

“Tenho a certeza!”

O seu rosto abriu um sorriso rasgado e os bracitos magros atracaram-se no meu pescoço. Não lhe vi o rosto quando ela me fez a pergunta mais doce que algum dia escutei e eu tomei a decisão que me fez mais feliz.

“Isso quer dizer que gostavas de ser minha mãe?”

 

(Texto de ficção escrito por: Marta)

Obrigado Cátia e Marta

 

publicado por Missão Criança às 15:56
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Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Escritos precisam-se

Criança

Imagem retirada da internet

 

Criei este blog em resposta aos comentários e emails que fui recebendo cada vez que escrevo sobre adopção no meu O que é o jantar. A ideia é que este seja um espaço de partilha, de troca de experiências, troca de ansiedades, de medos, de alegrias e tristezas. Tenho tentado manter o blog activo, mas está claro que é uma tarefa árdua, por muito que eu queira não consigo ter tema todos os dias.

 

Bom, eu preciso de ajuda, imagino que muitas das pessoas que cá vem tem histórias para contar, experiências para partilhar, pontos de vista para discutir, que tal partilhar com todos?. Eu passei por um processo de adopção numa altura em que não havia informação em lado nenhum, em que não havia ajuda de ninguém nem ninguém com quem partilhar e discutir, agora as coisas são  um bocadinho diferentes, mas não muito, acho que há muito por fazer e muito por melhorar... mas sozinho não vou lá.

 

Deixo um apelo e um convite a todos para que participem no blog, enviem-me um email para jfreitas.soares@sapo.pt ou deixem um comentário com o vosso email de modo a acertarmos a melhor maneira.

 

De todo coração, obrigado por passarem por cá e se possível, por participarem

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 10:19
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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Conseguimos medir o amor?

Crianças

imagem retirada da internet

 

A semana passada recebi um email de alguém que é candidato à adopção, um casal com filhos biológicos que decidiu adoptar. Entre outras coisas havia a confissão de um receio, o receio de não se conseguir gostar da criança que irão adoptar da mesma forma que gostam dos filhos biológicos. Na verdade não é a primeira vez que ouço alguém confessar este medo, é uma questão comum a alguns dos emails que vou recebendo.

 

Curiosamente, a primeira vez que alguém me falou disso foi ao contrario, no primeiro encontro nacional de adopção que foi organizado em Setúbal, uma mãe adoptiva dizia-me que tinha medo de engravidar e ter um filho biológico, porque ela não sabia se alguma vez poderia amar outro filho tanto como amava aquele filho adoptivo.

 

Não há uma resposta fácil para estas questões, as pessoas sabem que tenho um filho adoptivo e uma filha biológica e tentam saber o que sinto. É claro que amo os meus dois filhos, são ambos meus filhos, mas gosto dos dois da mesma forma? Não, claro que não, eles são duas crianças completamente diferentes, com comportamentos diferentes, com atitudes diferentes, e nós como humanos gostamos de pessoas diferentes de forma diferente. Amo mais um que outro? Não, mas é claro que tenho mais afinidades com um que com outro. Mas isso não tem nada a ver com um ser adoptado e outro biológico, tem a ver com a minha capacidade de me relacionar mais facilmente com umas pessoas que com outras, e os meus filhos não são excepção.

 

Curiosamente cá em casa, a minha filha é mais apegada ao pai e o meu filho é mais apegado à mãe, pelo que as coisas estão equilibradas.

 

Resumindo, este é um receio comum à maioria dos pais adoptivos, um receio que de uma forma ou de outra todos superamos, pois basta ver o sorriso de uma criança, o sorriso dos nossos filhos, para percebermos que não há como não os amar.

 

Não, não conseguimos medir o amor!

 

Post publicado originalmente no blog O que é o jantar

 

Jorge

publicado por Jorge Soares às 12:13
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

Adopção trata sobretudo de dar e receber

Adopção 

Cartaz da Associação Indiana para a Promoção da Adopção e do Bem-estar Infantil

 

Jorge

PS:obrigado Sofia.... não queres escrever algo?

publicado por Jorge Soares às 10:33
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