Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

Saudades de quem ainda não conhecemos...

Criança

 Imagem retirada da internet

 

Poucas vezes me recordo do que sonho. Esta noite no entanto, foi diferente.
“Esta noite sonhei com o meu filho. Sonhei que tinha recebido aquela tão aguardada chamada da Segurança Social, e que nos tinha sido proposto um menino de 4 anos. Aceitámos logo, e nesse mesmo dia poderíamos ir buscá-lo ao centro de acolhimento onde ele estava.


Chegámos a casa e contámos à F. e ao A. Ficaram radiantes... Arrumámos o quarto para os rapazes, pusemos lá uma cama nova, passámos na loja para comprar uma cadeira nova para o carro, numa outra comprámos um carrinho de brincar, que embrulhámos com um grande laço azul. Os 4 fomos então buscar o nosso novo mano.


Lá tudo foi muito rápido. O nosso “mano” aguardava-nos sentado num sofá. Sorriu com um sorriso do tamanho do mundo e chamou-me imediatamente de “Mãe”. Abraçámo-nos e viemos todos para casa. Ele nada quis trazer de lá. Queria vir para a casa nova sem nada que lhe recordasse o passado. Lembro-me de pensar que era uma ideia muito avançada para os seus tenros 4 anos.


À saída, vários meninos ficaram com ar choroso a olhar-nos do portão... Fiquei devastada. Apeteceu-me trazê-los todos para casa. Mas não podia...”


Acordei a chorar convulsivamente.
Este sonho foi em tudo diferente dos outros que costumo ter, principalmente pelos pormenores que recordo tão bem.


Acordei com o som do meu próprio choro, as lágrimas a escorrer pela cara, estava angustiada, triste, com tantas e tantas saudades daquele que ainda nem conheço. Nem sei explicar ao certo porque chorava. Ainda só tenho 2 meses de espera, e sei que este é um tempo de incertezas. Pode durar mais uns dias, uns meses, uns anos. Mas no meio desta incerteza, o que me faz doer muito mais o espírito, a alma, o coração de mãe, é o saber que o meu filho ou a minha filha já nasceu, já está por aí, poderá ser uma daquelas crianças de lágrimas nos olhos que eu vi ao portão, observando-me suplicantes. Ansiosas por uma família.


Não sei se tem olhos ou cabelos castanhos ou pretos. Se será menino ou menina. Alto ou baixo. Tímido ou reguila. Não sei se me vai adoptar logo no primeiro olhar ou se nos iremos conquistar pouco a pouco. Não sei se gosta mais de bifes com batatas fritas ou salsichas com esparguete.


Sei que o amo já muito, e que já choro por ele. Sei que já gerimos o espaço em casa a contar com a sua chegada. Sei que o carro novo foi comprado porque este modelo tem mais espaço para as 3 cadeiras no banco de trás. Sei que não sei entender como amo tanto alguém que não conheço...


É esta a dor da espera. É esta a ansiedade que os pais grávidos de coração têm de gerir. A gravidez que não se vê, que não se consegue medir.
 

Sofia

publicado por Missão Criança às 10:33
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3 comentários:
De P. a 2 de Outubro de 2008 às 16:31
Como te percebo bem Sofia. Eu estou a passar pelo processo da espera pela segunda vez...Acho que estou a gerir um bocadinho melhor a ansiedade e a saudade do que da primeira vez...mas tambem a mim os sonhos por vezes me traiem.
E o que mais me custa a gerir desta vez é o não saber a dimensão da espera...é como se a vida andasse um pouco suspensa. Até os planos de ferias se fazem a medo...
Patricia
De era1xeu a 3 de Outubro de 2008 às 23:11
No fundo é uma gravidez que nunca se sabe quando vai terminar e depois é tudo muito rápido, um telefonema, uma ida ao local onde a criança está e entra um novo membro na nossa familia

Boa sorte e que a espera seja curta

Maria Pereira
De francielli lima a 9 de Fevereiro de 2014 às 14:40
eu tenho 20a moro cm meu primo fui casada durando quase dois anos e meio,depois de 9meses de namoramos resolvemos morar juntos.
compramos os moveis alugamos uma casa,efomos tentar uma vida juntos,lado a lado dia apos dias.
depois de 1a mais o menos resolvemos ter um bebe,onde as tentativas nunca deram certo. procurava meios medicamentos lia sobre o assunto na internet,mas nada dava certo,comecei a me desesperar pois tds as tentativas estaom me fazendo um mal de alguma forma que eu sentia muitas dores,passava mal e td. resolvir ir a um medico,tdas as veses que eu ia no medico ele me passava medicamentos para infeccao de urina dores ali a cu lá e nada de resolver o tempo foi passando e eu ficando cada ves mis pior,e aquilo foi afetando a nossa relacao pq pra mim eu achava que era ele que nao queria afinal ele ja tinha dois filhos né?
a nossa relaçao de tanto carinho desejo aquele gostar de fazer td um pelo outro foi esfriando deixando de lado,,comecei a querer este filho mais do que nunca,.
ao passsar de algum tempo comecaram as brigas e mais brigas enfim chegamos a um ponto que nao dava mais.
largamos...
foi horrivel o modo em que largamos afinal eu ainda o amava mais q td meu primeiro amor,sabe é dificil.hj se passou 1 anos e alguns dias fui a um medico particular antes fui a um postinho e pedi um encaminhamento pra fazer um exame que nem eu sabia que existia rssrs hj tbm faz 3meses e 16dias que descubri que tenho cisto nos ovarios me desesperei fki cm medo,afinal nem sabia oq o causoummas enfim eu jamais podeia engravidar tendo cisto pois cisto mata o bebe ele nao permite que um bebe gere no ventre entao fiquei masi pra baixo ainda fiquei quase 4meses sem mestruar, e hj estou tomando medicamentos quase um tratamento,tenho medo de nao poder ter um bebe pois quero muito sei que ainda sou um pk nova q JESUS me dara este prazer de ser mae. eu ainda vou conseguir se DEUS quizer.. tenho fé DEUS diz confia-te em mim que tera resposta para tds tuas perguntas... e eu digo JESUS eu acredito e confio em ti.

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