Segunda-feira, 18 de Março de 2013

Mundos de Vida - Crianças invisiveis

Crianças invisiveis


Quantas famílias sabem que perto de sua casa existem crianças em instituições que podiam crescer melhor numa família, onde pudessem receber um beijo de bons-dias, ter quem lhes lesse uma história, junto à cama, ao deitar, ou lhes desse, simplesmente, um abraço quando lhes dói a barriga ou arranham o joelho?


Todos nós precisamos de assumir um compromisso claro e firme para uma progressiva diminuição do número de crianças que vivem em instituições. 


Desde há mais 20 anos que a situação no nosso país é anacrónica, comparada com a maioria dos países europeus.


Em Portugal, 95% das crianças vivem em instituições (são 8.500 em todo o país), realidade muito diferente do que acontece nos países europeus vizinhos. No nosso país, apenas 5% das crianças separadas temporariamente dos seus pais vivem com famílias de acolhimento, quando em Espanha são 32%, em França 61%, subindo para 72% em Inglaterra.


Este grave problema, em Portugal, até hoje parece não ter ainda roubado o sono a ninguém. 


Como escreveu Jesus Palácios, um grande perito internacional, nos centros de acolhimento, as crianças acabam por se tornar invisíveis. E neles acabam por passar muitos anos da sua infância e adolescência. E quanto mais tempo, as crianças passam nas instituições, mais difícil é encontrar-lhes uma alternativa familiar e mais danos acumulam. Infelizmente, ainda hoje muitos entram pequeninos e são logo institucionalizados, permanecendo nos centros boa parte da sua infância, senão toda. 


Ou será que, num país tão solidário como PORTUGAL, não existem famílias de acolhimento dispostas a que, já no próximo ano, seja possível que nenhuma criança menor de três anos tenha de passar uma única noite numa instituição, como já acontece em muitos países europeus e em comunidades da vizinha Espanha? 


Em Portugal, estas famílias existem, mas é preciso querer e saber procurá-las, cativá-las, prepará-las, apoiá-las e fazer com que a sua experiência seja satisfatória. Para as crianças implicadas, com certeza será. 


Então, porque é que há tantas e tantas crianças a viver em instituições?


Isto acontece – também ocorreu, no passado, noutros países - porque apesar da colocação de crianças em instituições ser a medida menos recomendável, ao mesmo tempo, é a mais fácil de gerir. É muito mais simples construir e contratar profissionais para centros de acolhimento do que procurar famílias adequadas e apoiá-las eficazmente. Mas o mais fácil para o Estado nem sempre é o mais conveniente. E quando falamos de crianças que tiveram experiências familiares muito adversas, e que necessitam de vivências reabilitadoras e terapêuticas, a institucionalização é sem dúvida a solução menos desejável. O risco vivido na família biológica é substituído pelos riscos inerentes à institucionalização, que são tantos e cientificamente documentados e que afetam sobretudo o desenvolvimento emocional e a saúde mental, mas também o rendimento escolar e a integração social presente e futura. As instituições não são as causadoras destes problemas, no entanto, também não servem para resolvê-los, contribuindo, não raras vezes, para o seu agravamento.


Haverá quem pense que a melhor solução (acolhimento familiar) é muito mais cara do que a situação menos desejável (institucionalização), para acolher a criança até que regresse para junto dos seus pais. Mas é justamente o contrário. Uma criança num centro de acolhimento é muito mais dispendiosa (mais do dobro do custo) para o Estado. Não se devem promover acolhimentos familiares apenas porque são mais baratos, mas a verdade é que colocar as crianças numa instituição é a alternativa menos desejável e é também a mais cara. Por isso, também não existem desculpas financeiras, para se mudar esta situação, em Portugal, de uma forma muito mais decidida, agora que estamos quase a chegar aos 25 anos da Convenção Internacional dos Direitos da Criança.


Nos últimos seis anos, provamos que é possível, em Portugal, encontrar alternativas familiares, para as crianças que têm de viver separadas temporariamente dos seus pais, por decisão da Comissão de Proteção ou do Tribunal.


A experiência na MUNDOS DE VIDA tem sido extraordinariamente positiva, já encontramos e formamos mais de 90 famílias de acolhimento.


A Beatriz e mais 8.500 crianças, que vivem em instituições, podem ter esperança. Os portugueses são um dos povos mais solidários do mundo. Vamos continuar a trabalhar para que as crianças em Portugal tenham "direito a crescer numa família".


Neste momento, decorre a Campanha Procuram-se Abraços 2013 que visa encontrar mais Famílias de Acolhimento para Crianças, em 10 concelhos dos distritos de Braga e do Porto.

 

Se gostava de ser família de acolhimento ou de saber mais sobre este tema, visite o site www.mundosdevida.pt, envie um simples email para mundosdevida@mundosdevida.pt ou telefone para 252499018.


OBRIGADO.


Retirado do Facebook

publicado por Jorge Soares às 08:30
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6 comentários:
De Bruna a 22 de Março de 2013 às 15:31
Baixar o Documentário - Crianças Invisíveis - Dublado - http://mcaf.ee/12reh
De Anónimo a 27 de Março de 2013 às 15:07
Boa tarde,

Sou estudante do 2º ano de Jornalismo (em Lisboa) e estou a fazer uma reportagem sobre adopção. No entanto, escolhi um ângulo um pouco diferente para a reportagem e decidi não me centrar tanto no processo de adopção em si (instituições, burocracia...), mas nos pais que dão as suas crianças para adopção. O objectivo não será julgar de nenhuma forma quem o faz, apenas elaborar um trabalho que mostrará um outro lado da adopção.
Como é muito complicado ter acesso aos pais que dão crianças para adopção (são informações confidenciais) e eu já tenho procurado, mas sem sucesso, decidi recorrer a blogs e a fóruns para tentar encontrar alguns casos que possa utilizar na elaboração da minha reportagem.
Por esta razão, gostaria de deixar aqui este pedido: se algum utilizador deste blog está ou esteve na situação que referi (dar uma criança para adopção), se pensa fazê-lo ou se conhece alguém que o tenha feito e que esteja disponível para uma entrevista (pode ser apenas por telefone), pode entrar em contacto comigo através do mail: sara.martinho11@hotmail.com.
A reportagem não será publicada, servirá apenas para a minha avaliação individual a uma disciplina.

Desde já, muito obrigada pela atenção.

De Alexandra Pereira a 2 de Maio de 2013 às 13:27
Boa tarde,
Este assunto sempre me tocou e sempre tive a ideia de ter pelo menos 1 filho adoptado. No entanto, a vida pregou-me 1 partida e estou desempregada há já quase 1 ano. Ainda assim poderei candidatar-me ao programa de famílias de acolhimento?
Obrigada!
De tamires karolaine a 9 de Junho de 2013 às 00:34
Ola meu nome e tamires e eu e minha familia deseja muito adotar uma criança ou ser uma familia acolhedora,a gente nao se enporta com o sexo,idade ou cor,so queremos dar a essa criança o amor que ela nao teve.sou de permanbuco e gostaria de saber se vc pode nos ajudar,se poder manda um email pra mim.....obrigado pela a atenção!!!
De tamires karolaine a 9 de Junho de 2013 às 00:35
Ola meu nome e tamires e eu e minha familia deseja muito adotar uma criança ou ser uma familia acolhedora,a gente nao se enporta com o sexo,idade ou cor,so queremos dar a essa criança o amor que ela nao teve.sou de permanbuco e gostaria de saber se vc pode nos ajudar,se poder manda um email pra mim.....obrigado pela a atenção!!!
De tamires karolaine a 9 de Junho de 2013 às 00:35
Ola meu nome e tamires e eu e minha familia deseja muito adotar uma criança ou ser uma familia acolhedora,a gente nao se enporta com o sexo,idade ou cor,so queremos dar a essa criança o amor que ela nao teve.sou de permanbuco e gostaria de saber se vc pode nos ajudar,se poder manda um email pra mim.....obrigado pela a atenção!!!

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