Quinta-feira, 8 de Abril de 2010

Sobre a adopção em Cabo Verde

 

Nós por cá tudo bem, a D. continua uma menina comilona e bem disposta mas esta semana entrou na fase das birras, não gosta de ser contrariada e quando o é, lá mostra o seu mau feitiozinho... há por aí quem diga que é do nome, que há por aí outras D. que também são assim... não, não são teimosas, são persistentes... pontos de vista.

 

Uma das coisas que mais me tem perguntado é se ela estava numa instituição... não, não estava, em Cabo Verde há muito poucas instituições, e que eu tenha conhecimento, nenhuma das crianças que foram adoptadas por portugueses veio de uma instituição. A D. estava com uma família amiga.... amiga da família dela que não tinha condições para a ter.

 

As adopções em Cabo Verde tem muito pouco a ver com o que estamos habituados por cá, cá por norma as crianças estão institucionalizadas e é decretado um projecto de vida que passa pela adopção. Em Cabo Verde são as famílias que ante a impossibilidade de criar os filhos com um mínimo de dignidade e condições, decidem entregar as crianças para adopção.

 

Para isto dirigem-se ao tribunal e dizem que as querem entregar. E as crianças continuam a viver com a família até que ocorre a audiência e o juiz decide entregar a confiança judicial aos candidatos a adoptar. E são os pais, ou em casos como o da D., as pessoas que tratam das crianças, quem as entrega a quem as vai adoptar.

 

No outro dia falava com uma amiga que adoptou uma criança cá, por sinal uma menina com a idade da D. e também mulata, e ela dizia-me que não seria capaz de passar por uma situação destas. Acredito que não. A nós a D. foi-nos entregue no escritório da advogada, mas muitas vezes a entrega é feita pelos pais e ocorre em casa das crianças, com os irmãos, os amigos, os vizinhos, a presenciarem.

 

Não é uma situação fácil e muito menos quando as crianças já tem 4 ou 5 anos e já sabem o que se está a passar. Imaginem o que é retirar uma criança do seu ambiente natural, da sua família.. é difícil de imaginar, e muito mais quando sabemos que as crianças não são vitimas de maus tratos, nem de abandono... No fundo, é um acto de amor, a maior parte destas crianças vem de famílias com 8, 9, 10... já soube de um caso de uma mãe que entregou o seu vigésimo filho... mas as pessoas tem dignidade...e amor pelos filhos, não tem é efectivamente condições para os criarem.. e decidem que elas estarão melhor com alguém que tenha condições a amor para lhes dar.

 

Jorge Soares

 

Post publicado no blog:O que é o jantar?

publicado por Jorge Soares às 10:31
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2 comentários:
De Kátia Santos a 25 de Maio de 2010 às 16:07
Boa tarde, sou aluna da UM, e estou a frequentar o Mestrado em Sociologia da Infância, escolhi o tema Adopção, mais precisamente Adopção em crianças africanas em Portugal, confesso que estou com dificuldades em conseguir documentação actual de estatísticas e bibliografia para realizar o meu projecto de dissertação, assim como futura tese. Será que me pode auxiliar? A curto prazo precisarei de falar/entrevistar alguém (adoptante) que já tenha adoptado uma criança africana. O meu muito obrigado.
Aguardo o vosso feedback.
Respeitosamente
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Boa tarde, sou aluna da UM, e estou a frequentar o Mestrado em Sociologia da Infância, escolhi o tema Adopção, mais precisamente Adopção em crianças africanas em Portugal, confesso que estou com dificuldades em conseguir documentação actual de estatísticas e bibliografia para realizar o meu projecto de dissertação, assim como futura tese. Será que me pode auxiliar? A curto prazo precisarei de falar/entrevistar alguém (adoptante) que já tenha adoptado uma criança africana. O meu muito obrigado.
Aguardo o vosso feedback. <BR>Respeitosamente <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Kátia</A>
De grande pene a 15 de Julho de 2010 às 10:01
Parabéns pelo seu blog, muito interessante. Estou estudando Português, eu não consigo entender tudo, mas quase! ;)

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