Domingo, 1 de Novembro de 2009

Adopção em Portugal?, ou adopção no meu quintal?

 

A Adopção em Portugal é a adopção dos pequenos quintais

 

"Porque é que alguém que mora em Oeiras, se mora do lado da rua que pertence ao conselho de  Oeiras tem que esperar em média 7 anos para que lhe seja atribuída uma criança, mas se viver do lado da rua que está no concelho de Lisboa tem que esperar só um ou dois anos para uma criança com as mesmas características?"

 

Esta pergunta foi feita já ao final do dia por um dos assistentes sociais que faz parte das equipas de adopção de Lisboa e que na passada Segunda feira estava, tal como eu, a participar no Encontro nacional de Adopção que aconteceu em Lisboa.

 

É uma pergunta pertinente, estou inscrito como candidato à adopção vai fazer um ano e meio, desde então já soube de pelo menos dois casais que se inscreveram depois de mim e que receberam uma criança com as características que nós colocamos, ambos os casos em Lisboa. Como se explica isto?

 

Quem assistiu ao encontro na segunda feira consegue perceber, a verdade é que cada serviço de adopção trabalha para si e nas costas dos restantes. Existe um manual de procedimentos que supostamente é seguido, mas que depois cada um adapta à sua maneira e da forma que entende. E isto é válido para todo o processo, desde a forma como se avalia até à forma como se atribuem as crianças. 

 

É claro que isto cria enormes assimetrias, se em Lisboa há muitas crianças, há distritos onde há muito poucas, e os candidatos desses distritos tem que esperar muitos anos, mesmo quando no distrito ao lado há crianças para as que supostamente não há pais.

 

Evidentemente a pergunta com que inicio o post ficou sem resposta, a verdade é que cada serviço de adopção olha para o seu quintal, as suas crianças,  os seus candidatos e é incapaz de fazer um esforço por olhar para o lado, para ver se no quintal do lado há uns pais para aquela criança que está à espera há anos, ou uma criança para aqueles pais que desesperam há anos.

 

A sensação com que fiquei ao fim do dia na passada segunda feira, é que por muita vontade que se tenha, por muitas ideias, por muitos sonhos, a segurança social é uma montanha enorme, há muita gente, muitos quintais, e por muito que se olhe para os problemas, não há na montanha quem tenha vontade de a mover.

 

Dizem que a fé move montanhas, infelizmente neste caso não me parece que exista fé que faça mudar o que quer que seja.. a segurança social, as muitas equipas de adopção são uma montanha grande demais e nem toda a fé do mundo irá mudar esta montanha.

 

 Jorge Soares

 

Publicado inicialmente no blog:O que é o jantar?

 

 

 

publicado por Jorge Soares às 19:04
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3 comentários:
De sonhoterumfilho a 6 de Novembro de 2009 às 11:25
Concordo na integra com este post. Infelizmente parece que somos descriminados pela "tal amontanha" que referes aqui.
Estou muito, muito desiludida e desacreditada, e cada vez que leio algo sobre adopção ainda fico mais triste, porque vejo o/a meu filho/a cada vez mais longe de o/a poder alcançar.

Susana
De Fernando Loureiro a 21 de Novembro de 2009 às 00:21
Susana, sou candidato a adopção desde 2003, estou portanto em lista de espera à 6 anos. Em reunião de ontem com a Segurança Social foi-me transmitido que estou com uma idade avançada para poder adoptar uma criança até 2 anos de idade, estou com 47 anos de idade. Vou transcrever o texto da Carla do dia 11 de Dezembro de 2008 ao tema Adopção em Portugal: Uma História de Terror. "Desistir é palavra que não faz parte do meu dicionário, pois quero ser pai, quero dar um colo, um beijo de boa noite, um abraço forte, muito amor e carinho, sei que o meu filho já nasceu e espera por mim e eu vou tê-lo."
De Ana Dias a 24 de Novembro de 2009 às 14:48
E eu tenho 43, sou candidata à adopção desde 2004, pedimos uma criança até 3 anos, este ano alteramos para até 5 anos e continuamos à espera, sem sermos chamados para qualquer reunião ou formação ou qualquer resposta a explicar a demora ou de quanto tempo falta, o que para nós é pior ainda, a total falta de informação, porta parte da S. Social de Faro.

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